segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Para acordar

FORMAÇÃO

Com sua voz mansa e seu sotaque carregado, Sandra Mônica recepciona mediadores de cultura
por Hosana Souza e Josy Antunes

No segundo dia de oficinas Cultura/Matemática, Sandra Mônica, 45 anos, secretária adjunta de cultura, surpreendeu os mediadores quando, às nove da manhã de uma quente quinta feira, convidou-os a dar “Bom dia ao corpo”.

Sandra colocou-os em círculo e posicionou-se no centro, com ares de quem iniciaria uma nova brincadeira. Ela, então, contou a história do índio que ao entrar em uma BMW descobriu a potência do veículo e, com a chegada ao local previsto, comentou com seu condutor: “Eu cheguei, mas o meu espírito ainda está lá atrás”. Arrancando tímidos sorrisos, ela deu inicio à preparação para que corpos e espíritos pudessem participar da oficina.

Começou com movimentos simples, típicos de um alongamento, mas logo começou a pôr neles seus trejeitos. Ensinava a importância de dar “bom dia” para cada pedacinho de si e explicava o porquê de cada movimento. “O mais importante é olhar para si mesmo”, dizia animada, e pedia concentração, para que eles sentissem a própria respiração, a própria música.

“Tem gente que já acorda tensa, com essa dinâmica já vai relaxando”, exclama Jorge Luíz Aquino de Souza, 49 anos, estudante de Matemática no UNIABEU, que se mostrava bem à vontade com as atividades, ao contrário de alguns ainda com olhares temerosos. “Pra mim está sendo uma coisa muito boa, porque eu já pratico esportes”,diz ele, reconhecendo alguns movimentos.

Aos poucos a timidez de uma parcela dos presentes dava lugar à alegria e os ensinamentos de Sandra continuavam: “Se você escutar o seu corpo, perceberá onde dói, e se percebe onde dói, não vai deixar doer de novo. Tudo nessa vida precisa de escuta, escutar a si, ao outro, e quem trabalha com criança carrega essa responsabilidade em dobro”, aconselha a pernambucana.

As oficinas de preparação para o segundo semestre no Bairro-Escola estão focadas na preparação dos mediadores para trabalhar a oralidade e o sentimento de conhecer seu território, seu bairro, tornando-se responsável por ele.

Após os exercícios iniciais, Sandra concluiu: “Quando vamos ficando grandes, nós nos esquecemos do corpo, só o vemos como padrão estético. A gente não olha para o corpo e não percebe que ele fala, se movimenta. A gente simplesmente sai correndo com esse corpo pra fazer as coisas que a cabeça manda”, afirma.

Não há como ensinar alguém a brincar se nunca se brincou, e foi pensando nesses pequenos bloqueios que a secretária adjunta desenvolveu a dinâmica. “É que a sociedade em que a gente vive desconecta a gente o tempo todo, tira do eixo. A ideia que eu tive foi chamar eles pra brincadeira, para dar bom dia, além das palavras ou da cabeça. Se a gente não colocar as pessoas para se conectarem nunca vamos conseguir conectar as crianças”.

Sandra conta que criou o exercício a partir das aulas de Tai Shi Shuan que frequenta há dois meses. Ainda não o aplicou muitas vezes, mas ri de uma de suas primeiras tentativas: “Eu fui tentar fazer isso com um grupo lá no Sylvio Monteiro. Preparei um CD, com músicas calmas pra que eles se concentrassem, mas eu tinha levado, também, um CD com músicas de circo. Na hora que pedi pro Thiago colocar a música, todos em silêncio, ele me coloca o CD errado, vem um som parecendo uma rumba, e eu comecei a rir”.

“Nós esperávamos aquela coisa bem chata, bem cansativa”, confessa Tatiane Ribeiro Oliveira, de 21 anos. Cursando Letras na UNIG, a jovem ficou encantada com a recepção feita por Sandra Mônica. Para ela, a dinâmica desfez o clima tenso da maioria das pessoas ali presentes. “Eu acho que é importante pra relaxar e se adaptar ao meio”, diz a moça, que estava acompanhada de Jéssica Lisboa Borges, estudante de Biologia, também na UNIG. Ambas estavam na formação por indicação da universidade. Jéssica, 20 anos, tão empolgada quanto a amiga, acrescenta à sua fala: “Pra mim foi uma grande surpresa”.




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