domingo, 30 de agosto de 2009

Misturando espaços

HOJE, NO II IGUACINE

Segunda sessão Encontros mostra que é possível unir a arte do palco com a do audiovisual.
Por Hosana Souza e Nany Rabello.

Teatro no Iguacine. Parece contraditório? Pois não é. Quando a proposta “Misturando Imagens” foi dada para o II Iguacine não era apenas a escolha de um tema ou uma frase chamativa, o festival esta com tudo, misturando teatro, audiovisual e muita música. Hoje tivemos a segunda mostra Encontros, com a exibição do documentário “Formas Breves”, que mostra o making off da peça, de mesmo nome, da diretora Bia Lessa.

Apos a exibição do documentário de trinta minutos, a recepção a consagrada diretora foi feita pelo cineasta e atual secretário de cultura, Marcus Vinícius Faustini. “Mas do que um “papo de botequim”, nós estamos aqui para mostrar que dá para trabalhar batendo papo em uma sala de projeção”, diz o secretário, que contou, também, uma experiência pessoal com o teatro e diretamente com Bia Lessa. “Eu fiquei muito impressionado com a força daquela mulher, a energia, a presença física... Eu cheguei lá e pensei: nossa como essa mulher é impressionante”, contou. O episodio se deu em 96, quando o cineasta, quase ator, atuou sob a direção de Bia no Teatro Municipal do rio de Janeiro: “Ate então eu só imaginava opera como aquela coisa onde de repente surge uma luz e a pessoa começava a cantar, e ela escreveu as cenas, envolveu e criou uma realidade presente”, relembra emocionado, e conclui: “Mas, aquilo não dava para mim, o máximo que eu fiz foi carregar umas almofadinhas durante a peça”.

Simpática e agradecida pelo convite, Bia Lessa comenta a surpresa que teve ao ver uma cidade tão diferente da que conheceu há alguns anos. “Eu vim de carro e a única coisa que eu pensava era ‘Nossa, que diferente’. Eu verdadeiramente me emocionei ao chegar aqui e ver esse espaço tão lindo, e mais ainda de ver que a uma da tarde de um domingo tinha gente prestigiando toda essa beleza. Portanto, não me deixem falando sozinha, por favor, vamos conversar”, disse à diretora que deu inicio ao debate, em que ela respondia as dúvidas do publico sobre seu trabalho e sobre o documentário.

A conversa seguiu animada e o público se deliciava com a presença de Bia. “Eu achei a presença dela super legal. Ela é engraçada, inteligente, fenomenal”, diz Mauricio Oliveira, 21 anos, professor de um grupo livre de teatro, o Grupo FAMA. O curta, que misturou o teatro com o cinema, mostra a preparação da peça “Formas Breves”, as dificuldades, o trabalho, a função do diretor, os atores, os ensaios, as brigas, todo lado humano de uma peça teatral que por vezes não é levado para o palco. “Ela retratou bem a realidade humana do teatro, algo que às vezes é difícil de ser percebido pelo público. Poder assistir um debate desses é ir alem na vida e no teatro”, comenta Juliana Quirino, 16 anos, estudante de teatro.

O produtor cultural Marcelo Borghi também marcou presença na mostra, animadíssimo ele comenta: “Eu vim aqui por tudo, pela própria Bia Lessa. Eu sou ator, eu sou produtor, e a qualidade do evento é algo que eu nem preciso comentar”. Marcelo conta ter adorado tudo: “Participei ate agora de todo o evento. O que eu mais gostei foi mesmo o ‘Todo mundo tem problemas sexuais’, é uma comedia maravilhosa, e eu vou trazer essa peça aqui para Nova Iguaçu”. Ele que está investindo na revitalização do Cine Iguaçu, transformando-o em teatro, diz que a data de abertura do local já está marcada: “Março de 2010, com Marisa Monte”, está anotado.

Para tristeza de todos, a conversa durou pouco, pois Bia teve de se retirar: havia deixado um grupo ensaiando no Rio. “Gente, eu deixei eles com uma tarefa. E quando chegar lá eu vou cobrar”, despediu-se, entre sorrisos e aplausos. Bia veio para mostrar que o teatro é humano, feito de gente, por gente, pra gente. E pra mostrar que o II Iguacine é um espaço que mistura as imagens, os gostos, os sons, as pessoas e os elencos. Sejam os da telona ou os do palco.

Interatividade:
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