quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Cidade dos jovens repórteres




Olá, estamos trabalhando em um novo projeto, chamado CulturaNI. Lá estão as novas matérias e reportagens que estamos produzindo. Clique no nome em negrito ou na imagem e acesse o nosso novo blog! Mas o Jovem Repórter não vai acabar. Parafraseando aquela personagem do filme Cidade de Deus, jovem repórter não para; jovem repórter dá um tempo

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sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Uma kombi que resiste ao tempo

II IGUACINE

Exibido na sessão de homenagens do II Iguacine, 'Marcelo Zona Sul' continua encantando plateias 40 anos depois de sua estreia
por Larissa Leotério

O homenageado da última noite do Iguacine foi Xavier de Oliveira, diretor dos longas “Marcelo Zona Sul” (1970), “André, a cara e a coragem” (1971), “O vampiro de Copacabana” (1976) e “Gargalhada final” (1978). O diretor e roteirista, de 71 anos, conta um pouco sobre o início de sua carreira, além de comentar a atualidade de seus filmes.

“Marcelo Zona Sul” foi filmado em 1969, portanto, quarenta anos atrás, mas para efeito de estatística, considera-se sempre a época de lançamento, 1970. Foi o primeiro longa-metragem de Xavier de Oliveira. “Participei do primeiro concurso de cinema amador do Rio de Janeiro”, conta, revelando o percurso que todo mundo faz. Nesse festival, ganhou o primeiro prêmio por um documentário chamado “Escravos de Jó”, com crianças de favelas, tema de cunho social. Em função deste prêmio, ganhou financiamento para fazer outro curta, sobre arquitetura. Participou de equipes como assistente de direção e “continuista”.

Até que, em 1969, Xavier conseguiu reunir um pequeno recurso para iniciar o filme “Marcelo Zona Sul”, um filme de custo muito baixo que tinha “uma equipe que cabia dentro de uma Kombi”. Uma outra Kombi carregava todos os equipamentos. Foi um filme que foi cuidadosamente planejado para que tivesse um custo bastante reduzido, mas que fosse, ao mesmo tempo, um filme de bastante comunicação popular. “Minha intenção não era fazer um filme miúra, como se chama, em termos de renda. Eu queria fazer um filme de repercussão, de comunicação e de reflexão”, diz ele.

A reflexão a que Xavier se refere é sobre a classe média, e o conflito entre adultos e o mundo jovem. A ideia era mostrar o mundo sob a ótica do Marcelo, personagem irreverente e transgressor, mas que tem uma reflexão interessante na medida em que ele analisa, por exemplo, os pais e as pessoas de forma até caricatural. Além de tudo, mostra que, ao final da vida, o personagem transgressor vai virar um burocrata, como o pai. É lamentável, mas é o que acontece.

Se Xavier fosse fazer a continuação de Marcelo Zona Sul, provavelmente mostraria o ingresso do personagem no mercado de trabalho. “Ele teria que por terno e gravata, bater ponto e tudo o mais. A vida é muito dura”, diz o diretor. O desejo do diretor era que o filme pudesse ser um dispositivo de reflexão, de baixo custo e com penetração popular. “Queria que as pessoas assistissem e fizesse uma análise da própria vida”, revela.

“Marcelo Zona Sul” ainda é bastante atual. “O cinema tem uma coisa muito ingrata. Às vezes, um filme envelhece”, diz Xavier. Até um filme muito bom, após trinta anos, pode nos dar a impressão de que “caducou” e, em certos momentos, a gente acha que o filme perde até vitalidade. “Posso dizer até, sem nenhuma modéstia, que o filme “Marcelo” continua de pé”, afirma.

Essa afirmação do diretor foi tema de uma pergunta de um crítico de Minas Gerais. “Por que o filme ‘Marcelo Zona Sul’ continua de pé?”. Xavier também não sabe responder. Ele acredita que pode ser pela verdade humana contida no filme, uma verdade que passa de uma geração para a outra. “Talvez seja isso”. E, de fato, não é simples dizer por que um filme envelhece e outro não, nem por que um filme tem tamanha projeção em sua época e, após anos, ele se torna um filme enfraquecido.

Interatividade:
Enumere aqui os filmes antigos que na sua opinião não envelheceram.

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Luzes, câmera... e... decepção?

II IGUACINE

Curtas apresentados no II Iguacine mostram um fôlego criativo dificilmente encontrado nas grandes produções patrocinadas pela Lei Rouanet
por Leonardo Lopes

Prestigiar o cinema nacional nem sempre é tarefa das mais fáceis, podendo ser até mesmo algo extremamente penoso e árduo em alguns casos. Criar expectativa de assistir a um filme bem dirigido, cujo roteiro seja capaz de entreter e que possua um enredo que se mostre consistente é algo difícil se fazer. A possibilidade de se decepcionar também é enorme, com raríssimas exceções. Ainda mais se tratando de "grandes produções" feitas com patrocínio de empresas gigantes detentoras de cifras, literalmente, cinematográficas.

Infelizmente o nosso amado cinema se tornou apenas motivo para chacota, vítima de produtores imbecilizados que focam seu "trabalho" apenas no trivial, no clichê, e por que não, no grotesco. Mentes ditas pensantes, responsáveis por divulgar e disseminar “cultura” acabam por espalhar sua total insensatez.

Ao analisar essas grandes produções mais a fundo, constata-se que há dois elementos que nunca deixam de ser tema recorrente em sua quase totalidade: a obscenidade desnecessária e o linguajar sempre vicioso, de baixo nível e com uma quantidade avassaladora de palavrões que deve quebrar qualquer recorde existente neste quesito.

Não é questão de puritanismo ou demagogia. É puro bom senso. Onde estão os diálogos inteligentes e bem elaborados? Onde diabos enterraram aquele roteiro original e surpreendente? Filmes feitos com toda a dedicação e vontade são peças em extinção. Mas sabem onde foi parar a motivação das mentes "brilhantes" por trás das obras cinematográficas brasileiras de grande porte? Está na bunda, nos peitos e em qualquer outra parte do corpo passível de exploração e que faça sua parte em "cativar" o público, gerando a tão necessária arrecadação.

Porém nem tudo está perdido. O que pode nos salvar do marasmo cultural vem em doses homeopáticas nos filmes independentes e nos curtas. Sim, nos muitas vezes desvalorizados curtas, feitos com pouco recurso, orçamento limitado e muitas vezes sem apoio algum dos nossos amabilíssimos representantes.

Esses filmes são criados com muita inteligência e determinação, mostram-se capazes de retomar os ideais do cinema novo, retratando a realidade nacional, com foco nas mais diferentes questões sociais, sempre abordadas de modo único, captado, muitas das vezes, através das lentes dos diretores iniciantes e dos que possuem experiência.

O que se pode observar até hoje nos grandes filmes é a visão estereotipada do ‘pobre boca-suja que adora uma putaria’. O mais “engraçado” é que esses personagens são introduzidos em QUALQUER filme, mesmo sendo sobre a Segunda Guerra Mundial, por exemplo.

É quase garantido ver um pracinha, que teve origem pobre e cresceu nas ruas, chamar algum amigo por um apelido infame enquanto se dirige a algum prostíbulo antes de partir. Isso sem falar, é claro, que em 90% do tempo, ele vai reclamar e xingar.

Em debate com Domingos de Oliveira, diretor de “Todo mundo tem problemas sexuais” – um excelente filme por sinal, onde podemos ver um humor bem dosado cujas tiradas mais pesadas eram pertinentes e não simplesmente impostas – levantou-se a questão da importância de ter no elenco ao menos uma estrela famosa da TV e algumas mulheres nuas – exigências já feitas a ele para que um filme seu pudesse ser patrocinado e, assim, refeito. É inadmissível que se pense desta maneira. Se um filme bom tiver que ser vulgar, e para captar recursos tiver que cometer suicídio cultural e amputar as próprias ideias, é preferível continuar sem o apoio destes ditos “poderosos”.

Mas vamos encurtar essa história. Ainda há uma luz no fim do túnel. Talvez pela liberdade para produzir, ou pela falta de censura dos "patrocinadores", estas obras – os maravilhosos curtas e produções independentes – podem expressar livremente os mais variados ideais sem ter de pedir socorro aos governantes acomodados em confortáveis cadeiras de couro importadas.

Encontrado no blog http://quemdissequeociomata.blogspot.com/

Interatividade:
Qual foi a melhor cena de sexo que você já viu em filmes brasileiros?

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terça-feira, 1 de setembro de 2009

Risomaníacos

II IGUACINE
por Lívia Pereira

Cena do crime: Teatro do Espaço Cultural Sylvio Monteiro.
Personagens: Compulsivos Obsessivos por Manifestações Exaltadas e Risonhas (COMER`s).
Vitimas: Ouvidos alheios.

O II Iguacine, palco de grandes revelações artísticas e culturais, deu-nos a possibilidade de enfrentar, durante as sessões, as manifestações histéricas e bizarras das mais variadas risadas possíveis e impossíveis de se achar por ai.

Filme na tela, concentração do espectador, trilha sonora de suspense e... de repente, eis que surge um ruído assustador: HAHAHAHAHAAAAAAAAAAAA!!!! Mas, não temais! É apenas uma risadinha estranha.

Poderiam surgir daí estudos específicos sobre o momento de se rir em uma sala de exibições cinematográficas, pesquisas filosóficas do porquê de se rir, pensamentos sociológicos sobre o envolvimento social com a risada, conceitos geográficos sobre o terreno acidentado de tais formas de se expressar as emoções, fósseis descobertos sobre a primeira gargalhada das cavernas, estudos linguísticos sobre onomatopeias grotescas, mas fiquemos por aqui, pensativos ainda sobre esses impulsos e sobre nossa responsabilidade diante dos ouvidos alheios. Se queres um bom amigo, cative seus ouvidos. Dê boas gargalhadas.

Em breve, fascículo do Curso Intensivo “Aprenda a rir (sem dor de cabeça) em público”.
Próxima matéria: Evite fazer “Shhhhhhhhiiii” no cinema.

Interatividade:
Qual é a pessoa que você conhece que tem a risada mais engraçada?

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Arquitetura do Festival

DOMINGO NO II IGUACINE

"Arquitetura do corpo" é eleito o melhor filme do Iguacine
por Mayara Freire e Raphael Teixeira / foto por Mazé Mixo

O 2º Festival de Cinema de Nova Iguaçu terminou em clima de comemorações e homenagens. No domingo, o melhor entre os 31 filmes escolhidos para concorrer a premiação, foi julgado por três profissionais do audiovisual. O documentarista Emílio Domingo, o produtor de cinema Raul Fernando Chaves e o crítico de cinema Rodrigo Fonseca, elegeram o curta-metragem “Arquitetura do Corpo”, do diretor mineiro Marcos Pimentel, como o melhor filme do Iguacine. A justificativa da decisão, segundo Rodrigo Fonseca, foi pelo criador ter abdicado das ferramentas da palavra, confiando à fotografia e à montagem a tarefa de promover reflexão e gerar poesia a partir do registro do movimento.

O grande vencedor não pode comparecer no evento, mas ganhou quatro latas de negativo 35 mm x 400 pés, da Kodak, e quatro horas de telecine off line ou color granding, da Finishing House Link Digital, além do empréstimo de equipamento e mixagem, do Centro Técnico Audiovisual – CTAV. “Decidimos escolher um prêmio que contribuísse para o vencedor, a fim de mudar sua vida e estimulá-lo a continuar produzindo outros filmes”, explicou Valquíria Ribeiro, coordenadora do Iguacine.
Os jurados ainda surpreenderam os outros concorrentes, dando menções honrosas e troféus aos destaques do festival. Leonardo Remor, com o filme “Sobre um dia qualquer”, foi considerado o diretor revelação do Iguacine. “Impressionante para um trabalho inicial do realizador, que teve um ótimo desempenho na escolha do elenco, direção de arte e fotografia”, elogiou Raul. Outros filmes que ganharam menções foram “O anão que virou gigante”, do carioca Marão e “Sala de Montagem”, de Umberto Martins, de São Paulo. “Demos preferência a criar premiações para tentar contemplar mais filmes, pois ficamos satisfeito com a diversidade e a qualidade do festival. Quebramos o protocolo. Avaliamos o conjunto como o roteiro, fotografia e direção. Um dos critérios de avaliação importante foi o contato e a expressão do público”, explicou jurado Emilio Domingo.

Dois curtas cariocas foram premiados pelo site Porta Curtas: “Depois das nove”, de Allan Ribeiro e “Animadores”, de Allan Sieber. Eles ganharam R$500, além da veiculação do filme disponível por um ano no site. Os cineclubes Mate com Angu, Buraco do Getúlio e Cine Santa Teresa foram homenageados. No entanto, o cineasta Xavier de Oliveira foi uma das maiores referências do evento e ganhou um troféu de reconhecimento. Durante o dia da premiação, foi exibido seu filme “Marcelo Zona Sul”, filmado na década de 70. A coordenadora do Iguacine Valquíria Ribeiro contou qual foi a principal intenção do Festival na cidade. “Queríamos formar plateia, pois são tipos de filmes que a população não tem acesso. Além disso, queríamos trazer coisas novas e acima de tudo, difundir a realização do cinema".

Interatividade:
Qual foi o destaque do Festival de Cinema, na sua opinião?

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segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Drama costurado com humor

ONTEM, NO II IGUACINE

Marcelo Zona Sul, clássico do cinema brasileiro, é exibido no último dia de Iguacine com presença de Xavier de Oliveira
por Carine Caitano

Silêncio no pátio so Espaço Cultural Sylvio Monteiro. Funcionários e plateia encontram-se no auditório a pedido de Marcus Vinícius Faustini, secretário de Cultura de Nova Iguaçu, com motivos bem especias. Xavier, diretor e roteirista de Marcelo Zona Sul, prestigia o festival com exibição do longa e bate papo com plateia.

Abordar o cotidiano da juventude é comum. Mas o que diferencia essa produção é a leveza e verdade contida nos diálogos e ações dos personagens. Antes mesmo do apagar das luzes, Faustini sobrevoou as realizações do Iguacine. Os filmes, as trocas, conversas, encontros e desencontros promovidos, que só acrescentam à cidade de Nova Iguaçu. O secretário também comparou o papel político de um festival de cinema na Baixada Fluminense com o manifesto escondido no longa de Xavier.

Iniciado com imagens do cotidiano carioca dos anos 60, o filme arrancou boas risadas da plateia. E também surpreendeu algumas pessoas, pelas gírias tão comuns ao nosso dia-a-dia e até pela fotografia em preto e branco. "Nunca mais assisti nada em preto e branco", diz Jorge Luis, professor de Vila de Cava. "A gente tá tão acostumado com cores, alta definição, que se esquece da beleza que é tonalizar filmes assim".

Outras das caracteríticas marcantes do filme, presente nas produções da época, foi a música narrando a cena, ouvida nos momentos de solidão e apuros de Marcelo, personagem principal da trama. Além disso, conferimos facilmente o processo de urbanização do Rio de Janeiro e a descoberta dos pontos turísticos ainda famosos da cidade.

Lindberg Farias, Prefeito de Nova Iguaçu, entregou o prêmio de honra ao diretor e o público, extasiado, aplaudiu de pé.

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Quem você aplaudiria de pé?

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Curta à vontade!

ONTEM NO II IGUACINE

Site Porta-Curtas recebe homenagem no encerramento do festival
por Jéssica de Oliveira

O site Porta-Curtas recebeu neste domingo, 30 de agosto, uma homenagem pelo trabalho e apoio dado ao festival. Sua função foi disponibilizar a exibição de todos os curtas produzidos e exibidos nos quatro dias em que a cidade voltou seu olhar para a tela de cinema do Espaço Cultural Sylvio Monteiro.

Em seu discurso de agradecimento, Vanessa Souza, que faz parte da equipe do Porta-Curtas, parabenizou as produções e diz que espera poder participar do próximo Iguacine, servindo mais uma vez de canal entre os realizadores e o público que não pode estar presente no festival. “Eu não preparei um discurso, mas tudo o que tenho a dizer é que foi um imenso prazer poder participar de tudo isso. Em 2010 esperamos voltar”, diz com timidez.

Também presentes à homenagem, Lucas Djahjah e Talita Arruda contam que o site, cuja sede fica no Jardim Botânico, também tem uma íntima relação com o jornalismo. “Nossos vídeos podem ser visualizados gratuitamente por todo o Brasil”, conta Djajah, para quem o curta-metragem não tem a devida divulgação. O próprio nome do site é uma forma subliminar de dizer que o Porta-Curtas é um portal que ultrapassa um determinado grupo, cidade, estado ou festival, indo de maneira rápida e fácil a qualquer canto do país.

Pra quem quiser curtir
Além de todas as premiações que rolaram pela noite de encerramento - e que você pode ver aqui no blog -, o Porta-Curtas premiou o curta-metragem mais votado pela galera que deu seu clique no site. É isso mesmo! Os trabalhos de audiovisual que encantaram a todos nesses quatro dias não foram apenas assistidos, como também votados como o melhor curta.

Essa interatividade faz com que o internauta tome a posição de jurado e decida o que achar mais justo. Foram milhares de votos de todo o Brasil e o vencedor foi “Animadores”, com direção e roteiro de Allan Sieber.

Agora, se você perdeu algum curta-metragem, inclusive “Animadores”, não se desespere: entre no Porta-Curtas e digite o nome do filme. Mas não se esqueça de no próximo Iguacine acessar o site, votar no seu curta preferido e reassisti-lo no festival.

Interatividade:
Você já baixou algum filme do Porta-Curtas?

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Cinema cidadão

ONTEM NO II IGUACINE

Cine Santa é um dos homenageados no II Iguacine
por Robert Tavares

O Cine Santa Teresa fez sua primeira exibição em Santa Teresa no dia 23 de junho de 2003, apresentando o sucesso nacional "Deus é Brasileiro". Nestes mais de seis anos de funcionamento o cinema ocupou, por mais de dois anos, todos os domingos, a Igreja Anglicana do bairro. Exibia filmes de arte para os cinéfilos e revertia parte da renda obtida com a venda de ingressos para as obras sociais.

Ultimamente o Cine vem sendo considerado um dos pontos mais influentes e visitados - em comparação aos outros cineclubes espalhados pela cidade - do Rio de Janeiro. "Os moradores de Santa Teresa são os cinéfilos que mais assistem e prestigiam o cinema nacional", diz Fernanda Oliveira, que fundou o cineclube junto a seu marido, Adil Tiscatti.

Ele foi considerado o maior exibidor de cinema brasileiro 2008/2009. Pelo segundo ano consecutivo, o Cine Santa Teresa conquista o Prêmio Adicional de Renda da ANCINE (Agência Nacional do Cinema), como o maior exibidor de cinema brasileiro de todo o país. Tendo exibido 33 títulos nacionais, o Cine Santa ficou em primeiro lugar no ranking de exibidores.

Mas não para por aí. Ontem, no último dia de II Iguacine, um dos homenageados da noite foi o Cine Santa, que foi aplaudidíssimo pelos presentes. "Eu acredito plenamente na arte, em viver de cultura, é difícil sair de uma sala de cinema sem ser transformado, fico completamente emocionada e grata em receber essa homenagem feita pelo Iguacine".

Em seu discurso de agradecimento, o casal disse: "A Baixada sai ganhando, porque inaugurou a primeira escola de audiovisual, isso é um marco, investir é um ganho, aliás o Rio ganha mais, ou melhor, o Brasil! Nós somos um povo, é nossa essa conquista", comemora Adil Tiscatti. "Eu fundei na minha cabeça, e no meu coração", diz Fernanda, que há muito tinha vontade de criar a primeira sala de cinema de Santa Teresa. Desde o início, Fernanda e Adil foram totalmente apoiados pelos amigos do bairro onde moram. "Eles abraçaram a ideia. Não foi surpresa, eu já sabia que todos necessitavam de um cinema, eu e os moradores começamos a batalhar por espaço, horários, filmes".

Em dezembro de 2005, a Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro convidou o cinema para ocupar uma das salas do prédio da XXlll RA e assim poder funcionar todos os dias, como desejavam os moradores. Este convite viabilizou um dos maiores objetivos: ampliar o número de frequentadores. Com várias sessões diárias, o cinema pode ampliar seus programas e desenvolver métodos sócios-culturais-educacionais voltados para todas as classes sociais do bairro. Essa evolução pode ser observada apenas pelo atual espaço onde acontecem as exibições. "Hoje em dia somos cinema, oficialmente falando", conclui Fernanda.

Aos interessados, eis o endereço de um dos cineclubes mais badalados da cidade:
Cine Santa Teresa - Largo do Guimarães, 136

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Você já andou no bondinho de Santa Teresa?

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Peitos e piadas

II IGUACINE

Notas sobre a exibição de "Um lobisomem na Amazônia"
por Josy Antunes

Você precisa conversar com o Ivan Cardoso”. Na sexta-feira - enquanto parte da equipe do Jovem Repórter estava concentrada na biblioteca do Sylvio Monteiro, e outra parte, junto com o público, assistia à Mostra Competitiva de Curtas – ouvi a frase, quase que imperativa, de diversas pessoas.

Minutos depois, encontrei-o sendo filmado pela produção do II Iguacine, se expressando com seu jeito carregado de performances e portando um inconfundível chapéu preto. Imaginei, pelas extremas recomendações, que o contato com ele seria complicado. Me enganei!

Elaine Cristina acompanhava o artista, oferecendo companhia até o carro. Ele se desvencilhava dos cuidados, mostrando-se à vontade com a organização do Festival. Dos minutos em que conversamos, destaco a definição que Ivan fez, sobre sua relação com o cinema: “Visceral”. Palavra dita com a mesma intensidade com que declarou dormir com seus filmes.

A paixão inflamada pelo cinema é o que move o diretor, que criticou aqueles que fazem a arte por dinheiro. “Tem gente que só sai pra filmar com R$ 5 milhões no bolso”, comparou ele. Segundo Ivan, seus filmes são feitos com seu próprio sangue. Enquanto isso, no telão era exibido “Um lobisomem na Amazônia”, de 2005.

Poucos instantes depois - ainda durante o filme – entre cigarros e risadas, Ivan Cardoso conversava animadamente com Matheus Topine, com quem pude falar posteriormente (ontem). Entrei na sala de exibição e me acomodei em um dos degraus, já que os assentos, como aconteceria nos próximos dias, estavam lotados. Na saída, ouvi descrições sobre o filme, como: “Combinação de peitos e piadas”. Conversei com um grupo de estudantes que tinham acabado de dedicar as únicas horas livres do dia ao Iguacine, animadíssimos. Haviam ainda os espectadores que não paravam de lembrar da cena inicial de “Um lobisomem...”, que trazia Karina Bacchi com Danielle Winits.

Voltando agora ao Matheus, fiquei surpresa ao saber de onde ele e Ivan se conheciam: “Ele pirateia os próprios filmes e vende pelo orkut”. A afirmação só confirmou que a principal preocupação do diretor é com a difusão de seu trabalho, não com os lucros.

Matheus, 20 anos, é realizador do Cine Goteira, onde filmes do diretor já foram incluídos na programação. “O Ivan é um dos mais importantes realizadores do cinema”, alegou . A cada sessão, uma vinheta feita por ele é exibida. A próxima, contará com uma fala de Ivan, gravada com uma câmera fotográfica, sobre o que os jovens devem assistir de produções cinematográficas: “Ele falou que os jovens devem parar de inventar, que a fórmula do cinema já está feita: ação, aventura e mulher pelada”.

O Goteira, que teve início em 2007, acontece uma vez por mês, na Sala Popular de Cinema Zelito Viana, que fica no auditório da Prefeitura de Mesquita. Já acompanhei uma sessão e recomendo fortemente. Algumas das vinhetas exibidas lá estão disponíveis no You Tube. Deixo a do mês de maio aqui (porque acredito que elas são o tipo de coisa impossível de se “palavrear”).




Interatividade:
Assim como Ivan Cardoso, defina, em uma palavra, sua relação com seu trabalho.

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Revelação na primeira viagem

ONTEM NO II IGUACINE

"Um dia qualquer" dá prêmio de ‘diretor revelação’ a Leonardo Remor
por Edson Borges Vicente e Fernanda Bastos da Silva

Recém-formado em publicidade pela Unisinos, Leonardo Remor, um gaúcho de 21 anos, começou a carreira com o pé direito. Depois de conquistar o prêmio de Melhor Filme na 2ª MIAU (Mostra Independente Audiovisual Universitário), em Goiânia, 'Sobre um dia qualquer' saiu do II Iguacine com a menção honrosa de diretor revelação. Modesto, ele já se considerava um vitorioso desde o dia em que seu filme foi escolhido entre os 270 curtas enviados para o II Festival de Cinema da Cidade Nova Iguaçu.

Muito alegre, o ‘conscrito-capitão’ se surpreendeu com a homenagem do II Iguacine, que deixou seu coração batendo forte a noite toda. “É o segundo festival que escrevo esse meu primeiro e, até o momento, único filme. Tenho outros projetos, mas ainda está fluindo”, confessa o jovem.

‘Sobre um dia qualquer’, que recebeu muitos aplausos da plateia e foi debatido até mesmo pelos representantes de outros curtas concorrentes, mostra a vida de uma operária com rotina de trabalho massificante que, vendo televisão na hora do almoço, imagina várias coisas e resolve mudar seu cotidiano. Uma das coisas que mais chamou a atenção no debate foi a escolha de tomadas fixas e as imagens feitas com MiniDV, cuja qualidade fez com que algumas pessoas pensassem que o filme foi rodado em 35 mm. Leonardo atribui os méritos dessa façanha ao fotógrafo Matheus Massochini.

Sissi Venturin, a atriz principal do filme, era um sonho de consumo do ainda aspirante a diretor mesmo antes de ele iniciar a faculdade. “Conheci em uma peça. Ela fazia um personagem muito diferente do meu filme. Era uma menina mimada com o cabelo descolorido. Eu gostei muito dela, do brilho do rosto e do seu jeito”, que antes mesmo de terminar a ideia do filme já a tinha escolhido para o papel principal.

E como uma vitória puxa a outra, Leonardo já pensa em seu próximo trabalho. Mesmo ainda estando em fase de elaboração, ele nos dá uma palinha do que vem pela frente, quem sabe no II Iguacine.

“Estou pensando ainda no próximo roteiro, a minha ideia é fazer um filme com um personagem principal feminino”, conta ele, para quem um bom filme tem começo, meio e fim. Embora ainda não tenha concluído o roteiro, ele adianta que a personagem feminina em questão será uma trapezista de circo.

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O que você fez pela primeira vez e já foi premiado?

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E o vencedor é

ONTEM NO II IGUACINE

Jovem repórter escreveu um poema para Arquitetura do corpo, o grande ganhador
por Lívia Pereira

O curta “Arquitetura do Corpo” traz em si grandes ensinamentos...
O que se vê além do corpo, se o corpo é muito mais que o corpo?
O corpo é oco, pois que dentro dele há a alma...
O corpo então é todo
E é dessa alma que surge a força, quase e tão enigmática...
O ser humano adaptável, está mais contido em sua mente (nada estática)
O homem em sua arquitetura é dança, é dor, é arte, é parte de si mesmo
E transfere a toda gente sua potência tão intrínseca
Eis então o homem, equilibrado em suas vértebras
Alicerçado em suas vísceras
O homem é alma E é daí que surge a calma
Pra transformar a dor em vento
Fazer de um momento
Sua tristeza virar fé
Até!

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Fale de um momento mediúnico de sua vida, em que você teve certeza de que algo de bom ou ruim iria acontecer.

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Cena do dia

II IGUACINE

Os realizadores e participantes da oficina de audiovisual do Itaú Cultural falam sobre sua "cena do dia"




Interatividade:
Qual foi sua cena do dia ?

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domingo, 30 de agosto de 2009

Carta aos Iguacineiros

HOJE NO IGUACINE

Por Dariana Nogueira
Nova Iguaçu, 30 de agosto de 2009

Querido leitor,
Neste último dia de Iguacine fico dividida entre a alegria pelo dever cumprido e a tristeza por chegar ao fim. Quatro dias de alegria, emoção, arte, informação, trabalho... e prazer. Muito do que vi, ouvi e senti, ficará marcado por muito tempo, tenho certeza.

Do último curta-metragem que escrevo – “Querida Mãe”, de Patrícia Cornils (SP) - que foi o que me inspirou a escrever em formato de carta, levo a doce sensação de ter participado de um grande evento, de ter compartilhado bons momentos e, de afirmar, mais uma vez, minha paixão pela memória. Ela que está presente em tudo, que nos une, conecta, aproxima, que é tão subjetivamente construída, e quando precisa ser transmitida é remodelada e, por isso obstruída em sua forma primeira.

Tenho a sensação de que a Patrícia Cornils nunca irá saber de maneira total sobre sua mãe, mas as cartas lidas de maneira excepcional no filme, resultaram, talvez em seu menor grau de importância na escala do que produziram na vida da Patrícia, um filme extraordinário.

A 6ª Mostra Competitiva onde o filme foi exibido, tematizou o indivíduo, pessoal e intransferível. Sem dúvidas foi a mais emocionante.

Como a Bia Lessa pontuou hoje no início da tarde, e sobre algo que já estou convencida há tempos: não há nada mais interessante que o indivíduo. E falo agora com a experiência da formação que recebo, daquela que estuda “A ciência dos homens no tempo.” – a História.

A mesma História que é filha da memória, que a alimenta.

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Papo de Negão

HOJE NO II IGUACINE

Guerreiro da periferia deseja passar todo o conhecimento adquirido no cinema para moradores de comunidade
por Marcelo Santos

Certa vez, um jovem da periferia de São Paulo estava procurando emprego e ao caminhar por entre as ruas do seu bairro avistou a seguinte faixa: “oficina de vídeo”. Sem perder tempo, imediatamente o jovem se encaminhou para o local, pois ele observou naquela faixa a oportunidade de praticar um curso que lhe oferecesse uma boa profissão no futuro. Entretanto, o curso não era “bem” o que ele esperava. O curso não lhe ensinava a consertar videocassete, videogame e coisas desse tipo, como ele imaginou.

Essa inusitada história foi vivida pelo João Carlos, também conhecido como JC, de 25 anos, nascido e criado em Cidade Tiradentes, um bairro na periferia de São Paulo. “Acabou que hoje eu sou editor de vídeo profissional, trabalho na área e é da onde que eu tiro o meu sustento. Sustento o meu filho e minha família através disso”, conta JC, que antes tinha sido segurança por causa do seu avantajado porte físico (2,02m). “Eu não gostava de fazer porque você tem que está sempre com aquela postura de mau e tratar as pessoas com certa arrogância e frieza. Hoje eu faço o que amo e adquiri muito conhecimento através do cinema”.

Com o conhecimento e a estabilidade que adquiriu, JC se tornou coordenador de um projeto itinerante chamado Cinema de Periferia. “Nosso objetivo é levar o cinema brasileiro, conhecimento e conscientização às ruas e praças das periferias de São Paulo”, afirma o produtor cultural. O projeto começou a partir da força de vontade e garra de JC e seus amigos. “Após a oficina, decidimos dar continuidade ao aprendizado que foi adquirido no curso e também nos especializar um pouco mais”, lembra JC, que saiu do curso em questão como editor de imagens. “Percorremos diversas ONGs, faculdades e produtoras de audiovisuais e cinema e vídeos para adquirimos mais experiência e vivência. E também fizemos um curso de captação de recurso e elaboração de projeto”.

JC não é apenas cria da periferia, mas também agente social do meio onde vive. Segundo JC, o Cinema da Periferia começou com o intuito de viabilizar os vídeos produzidos por ele e seus companheiros, que não estavam sendo visto pelos morados do bairro por causa das barreiras geográficas criadas pela imensidão do estado de São Paulo. “Os nossos vídeos eram exibidos em muitos festivais, mas, como os lugares desses festivais eram muito distantes do nosso bairro, se tornava difícil o acesso dos moradores aos nossos filmes. Daí surgiu à idéia de distribuir cópias de nossos vídeos nas locadoras do nosso bairro”. Foi assim que se tornou viável o acesso dos moradores aos filmes da rapaziada, que enfim pode trazer as suas experiências culturais e técnicas. “Também pudemos mostrar as coisas positivas que tem em nosso bairro”.

O projeto cresceu e hoje está em percorrendo ruas e praças da periferia de São Paulo. Durante o dia, JC e sua equipe se instalam na praça de um determinado bairro periférico e apresentam palestras e músicas de diversos assuntos e estilos. “As palestras são sobre educação sexual e prevenção de doenças transmissíveis, entre outros assuntos de interesse das comunidades. Tem músicas para todos os gostos e à noite um filme sempre brasileiro com o intuito de despertar cada vez mais a visão critica das comunidades. A pipoca também é por nossa conta”, acrecenta JC, exaltando a parceria com a comunidade. “O público participa de várias formas: divulgando o evento, ajudando na montagem e escolhendo os filmes”.

O projeto Cinema de Periferia fez tanto sucesso que já rendeu reportagens a programas televisivos de grande expressão e audiência popular, como o Central da Periferia e diversos jornais de São Paulo. “O bairro apareceu na mídia de forma positiva, da maneira que a gente gostaria que sempre aparecesse. Isso também é uma forma de mostrar para a sociedade preconceituosa que nas comunidades tem muito gente de valor”.

Enfim, João Carlos deixa uma última mensagens para todos aqueles que vivem em meio ao caos e à incerteza: “Acredite nos seus sonhos e objetivos e corram atrás, não fique esperando que as coisas venham a acontecer, pois faça e respeite o próximo”.

Interatividade:
Expresse sua idéia sobre algum projeto ou mudança político e cultural que você deseja ver no seu bairro ou cidade.

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A mistura de influências

ONTEM NO II IGUACINE

“Salada Mista” – Direção: Thiago Ribeiro
Por Camilla Medeiros

O filme impressiona pela simplicidade e profundidade do tema, a busca de um homem por sua origem, e, por conseguinte de sua identidade. Apesar de ter sido criado com todo amor, e ser muito bem educado por uma família, Sérgio se inquieta por não ser parecido com os seus.
Lembrei-me da história do ‘patinho feio’, para quem não se lembra a história conta sobre um ovo de cisne que foi parar num ninho de patos, e após o nascimento o filhote de cisne se incomoda por não ser semelhante aos que foram criados com ele. Em todo tempo, ele insiste em buscar lá fora a origem de sua família, e de si.

Sérgio encontra seus parentes biológicos, encontra sua identidade e percebe que ela não está ligada tanto a sua origem biológica, e na procura, ele se encontrou.
Penso em quantas vezes já me senti diferente dos meus, e creio que isso seja mais comum do que posso imaginar. Quem somos? Penso que essa pergunta se responde das mais variadas formas, e como diz um ditado: “Somos mais parecidos com o nosso tempo, do que com os nossos pais”. Acho que viajei um pouco...rs Alguém conseguiu acompanhar?

Interatividade:
Qual são as frutas que você pode misturar para fazer uma "Salada Mista"?

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