domingo, 30 de agosto de 2009

Atestado de óbito

HOJE, NO II IGUACINE.

Filme de Débora Diniz questiona manicômios judiciários
por Jéssica de Oliveira

Quem acessou a programação completa no site da ONG Reperiferia, pôde ter total conhecimento de tudo que ia rolar - ou já rolou - no II Iguacine que, diga-se de passagem, foi sensacional. Os que acessaram o site, com certeza trocaram o sofá e a telinha pelos acentos e a telona do teatro do Espaço Cultural Sylvio Monteiro.

Às 15h, houve a Mostra Competitiva Nacional de Curtas-metragens, onde foram apresentadas obras como "Sobre Um Dia Qualquer", de Leonardo Remor, do Rio Grande do Sul; "Homo Metronomus SP", dos Alunos Oficina Cineinstein, de São Paulo; "Animadores", de Allan Sieber, daqui do Rio de Janeiro; "Bibliofagia", de Renato Cunha, Destrito Federal e por fim, mas não menos importante, "A Casa dos Mortos", de Débora Diniz, também do Distrito Federal.
"A Casa dos Mortos" é um documentário que retrata a saga de internos em um manicômio penitenciário na Bahia. Mesmo já tendo sua pena cumprida, os internos se encontram sufocados pelas frias paredes do sanatório, envoltos em perdas, esquecimentos e mortes.

O nome do curta vem do poema do detento Bubu, que já sofreu doze internações e que a todo momento questiona o método escolhido pelo Governo para tratamento dos doentes-infratores. A maneira como os pacientes são banidos da sociedade acaba não sendo um remédio, mas sim um atestado de óbito. Por trás dos muros, no interior daquelas salas, vivem pessoas que já morreram.

Com roteiro e direção de Débora Diniz, o documetário é uma denúncia de descaso, mesmo que o trabalho desempenhado pela equipe médica e auxíliar do manicômio seja relativamente bom. Segundo Débora, o descaso vem de diversas direções, começando muitas vezes pela família, que cruza os braços e não luta pela liberdade dos internos.

Interatividade:
Qual foi a maior loucura que você já cometeu na vida?

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