sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Filho de Nova Iguaçu

OLHA O II IGUACINE AÍ, GENTE

Luiz Carlos Barreto e Lucy Barreto explicam "Lula, o Filho do Brasil"
Por Livia Pereira

Noite de estrelas no céu e na tela, assim foi o cenário da abertura oficial do II Iguacine. Com o Espaço Cultural Sylvio Monteiro lotado, tanto de pessoas como de grandes expectativas pôde-se sentir em todos os níveis, a cultura impregnada em olhares, gestos, passos, imagens...

A chegada do casal Luiz Carlos Barreto e Lucy Barreto abrilhantou ainda mais a festa. Os dois grandes produtores de cinema revelaram em sua elegância uma simplicidade ainda maior que seu talento. Em meio a tantos repórteres, eles não se recusaram a nos ceder momentos de um bate-papo muito proveitoso. Mas foram além disso, dando ao “Jovem Repórter” uma grande lição de humildade. Já que pareciam livres no tempo de nossa entrevista enquanto a correria dos jornalistas pedia pressa. Deixaram ainda a marca sutil da austeridade dos que sabem aliada à singeleza dos que fazem acontecer. Nada de estrelismo, mas muito de um brilho que em outros astros se perderia a olho nu.

A abertura do evento foi feita por Nike, que deu as palavras iniciais e agradecimentos, passando, em seguida, a palavra ao secretário da cidade, Faustini. O secretário falou entusiasmado sobre a cultura como um agente transformador, um eixo decisivo para as mudanças. Otimista, ele já pensa no próximo Iguacine, mesmo tendo enfrentado tantas dificuldades na realização deste. Vê Nova Iguaçu como uma cidade acolhedora, com muito gás pra muito mais mobilização, e aposta no projeto de resgate do cinema de rua, a preços populares. Um verdadeiro presente para a população.

Faustini fala também sobre a proposta do Iguacine: “Não adianta criar um trabalho e não ter espaço para troca. O Iguacine é um convite pra que a gente visite a cidade e veja a cidade através das imagens”.

Barnabé e Cristiane Braz falaram também, representando a Escola Livre de Cinema: “ A Escola de Cinema não existe só para produzir filmes, mas pra criar relações, oportunidades”, diz Barnabé. “Parceria é o foco principal do Reperiferia”, diz Cristiane que, a seguir, agradece ao Prefeito, à Maria Antônia e aos parceiros em geral.

Antes do tão esperado momento, Luiz Carlos Barreto e Lucy Barreto falaram um pouco a respeito do filme e da cidade-palco do evento: “ É um trailer grande, do filme que estamos finalizando. Com a fotografia e o som ainda brutos”, diz Barreto, que conta que quiseram, assim mesmo, trazer esses preciosos minutos do filme Lula, o filho do Brasil, com direção de seu filho Fábio Barreto e produção de Paula Barreto. A apresentação ao público, segundo ele, é uma homenagem a Lindberg, Maria Antônia e ao povo da cidade. “É a cidade onde lançávamos nossos filmes na década de 60. James Bond durava uma semana por aqui e os filmes brasileiros eram muito bem recebidos”, diz ele entre saudoso e feliz.

Há 60 anos juntos, com 55 anos de casamento e 45 anos de cinema em comum, os dois esperam fazer cinema por mais 45 anos. “Não vão se ver livres dos Barreto nunca, pois já há uma nova geração fazendo cinema.”, diz Luiz Carlos. E encerrando deixa numa frase cheia de humor a receita pra quem quer assistir ao filme: “Se gostarem, falem. Se não gostarem, calem a boca”. Nesse clima de descontração e muito bom humor presente nas risadas da platéia, espalhada por todo teatro do Espaço Cultural Sylvio Monteiro (sentados e de pé), o trecho de "Lula, o filho do Brasil" se inicia.

O filme, ainda em processo de finalização, já faz brilhar os olhos de quem assiste. Uma super-produção, com 136 atores (com falas), dois anos de trabalho incessante no roteiro, teve já em seu processo de seleção a marca dos grandes números: quase mil atores sendo testados.Além de tudo, no longa há “Lula pra dar e vender”. Cinco atores o interpretam em suas diferentes fases da vida. A mãe de Lula é interpretada, no filme, por ninguém menos que Glória Pires.

Luiz Carlos confessa que o processo de finalização é a parte mais complicada: “Nada contra as novas tecnologias, mas elas acabam complicando”. Fala ainda sobre o filho Fábio Barreto e o porquê de seu afastamento das telonas: “Ele não estava parado. Nesse intervalo fez seriados, minisséries, coisas pra TV. Seguiu por um ano o maior grupo de dança do Brasil, o Grupo Corpo.” Luiz Carlos diz que “filme é assim mesmo, não dá pra fazer um atrás do outro”. A trama de Lula, o filho do Brasil, que marca o retorno de Fábio Barreto às telonas, começa com o nascimento de Lula e chega ao fim com a morte de sua mãe. O objetivo do filme não é mostrar o Lula político, mas um homem que lutou por seus objetivos e venceu. “Na verdade, não é um filme em homenagem ao Lula, mas à mãe dele”, diz Luiz Carlos. A intenção é mostrar a história de uma família “Silva”. “ A mãe dele consegue levar a família, ser forte. O grande sonho dela era ter uma família digna. É uma trajetória humana.”, diz ele. Lucy arremata em poucas palavras e diz tudo: “É uma história de superação. É disso que o Brasil precisa.”

Interatividade:
Conte um exemplo de superação que você mais admira

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