sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Nação Tijucana

OLHA O II IGUACINE AÍ, GENTE

Praça Sãns Pena, mostra o Rio que não passava nas telonas
por Nany Rabello

Rio 40°, Cidade de Deus, Central do Brasil, Grande Cidade, filmes com o mesmo cenário: o Rio de Janeiro; todos longas-metragens conhecidos. Ontem, na abertura do Iguacine, foi exibida uma nova idéia: Praça Sãns Pena, filme de Vinícius Reis, mostra o Rio que não passava nas telonas, o Rio de Janeiro da classe média, a grande Tijuca.

Cinéfilo desde os 15 anos, Vinícius, agora com 39 anos, se apaixonou pela história do cinema do Rio de Janeiro e percebeu que os filmes só mostravam o “Rio cartão postal”, e que depois do lançamento de Cidade de Deus, o Rio passou a ser enxergado como uma cidade com favelas e problemas. “Os filmes iam da Zona Sul às Favelas e não passavam pela classe média. O Sãns Pena nasceu da vontade de mostrar um carioca ainda oculto nas telonas”, diz Vinícius.

Para quem assiste, a Tijuca é mais que um bairrozinho de um grande estado, é uma grande nação, com um povo lutador e forte, como todo bom carioca. A intenção do diretor era tocar nesse ponto, e ele se sente realizado ao fazê-lo. “Aos poucos nós vamos tocando as pessoas e mostrando que somos mais, e queremos mais” afirma.

Ele é paulista, mas cresceu na Tijuca, daí a paixão pelo bairro. “Minha família mora toda na Tijuca, e eu sinto que depois do filme a cidade “cresceu” mais ainda. Estudei muito o bairro pra fazer o filme" diz. Segundo Vinícius, a identidade do Rio é forte, presente, além de ser uma cidade linda, com uma diversidade e uma beleza incrível.

Segundo Isabela Meirelles, de 21 anos, uma das atrizes do filme, a história é muito bem construída. “Vinícius é um cara que tem calma para executar as coisas, e teve um cuidado muito grande em criar o roteiro baseado nos atores, por meio de muitas improvisações”, diz a atriz. Tijucana, Isabel conta que o filme mexeu muito com ela, “Ele me fez lembrar questões da minha adolescência”. Outro tijucano que prestigiou festival e assistiu o filme foi Emílio Domingues, o DJ Sãns Pena. “Gostei muito”, exclama.

Isabel ganhou o prêmio de melhor atriz no festival de Recife, onde Sãns Pena foi o filme mais premiado. Além de recife o filme já se apresentou em festivais no Rio, em Tiradentes, em Nova York, e ainda vai se apresentar em Toronto, Sidnei, Cabo frio, Sergipe, e até na Bélgica.

Primeiro longa-metragem fictício dirigido por Vinícius, mas não o primeiro trabalho do diretor. “A Cobra Fumou”, um documentário sobre a participação do Brasil na 2° Guerra Mundial também é de Vinícius, que além de tudo também dirige o Globo Ecologia ejá tem um novo projeto de filme, “Mulambo”, inspirado em uma música e se passa no final da década de 90.

Emocionado, Vinícius diz que é importantíssimo para ele ver seu filme em um festival como o Iguacine. “Na cabeça só passava ‘Meu Deus, meu filme vai abrir o Iguacine’, a emoção é incrível. Tudo que eu tinha preparado para dizer, sumiu. Não há palavras para descrever isso” confessa.

Nova Iguaçu é ‘vizinha’ do Rio, são praticamente irmãs, talvez por isso o coração do diretor, e da platéia dessa grande nação tijucana e carioca, bata mais forte quando as luzes se apagam, o silêncio paira no teatro e a Praça Sãns Pena comece a surgir.

Interatividade:
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