segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Do posto ao pátio

FORMAÇÃO

Arcanjo Martins concilia trabalho na Guarda Municipal de Itaguaí com aulas no Bairro-Escola
por Hosana Souza

A rcanjo Martins, 37 anos, é aluno do curso de História da UNIABEU. Aparentemente, mais um novato mediador de cultura. Mas a diferença entre Arcanjo e os outros participantes das oficinas de formação da última semana foi percebida tão logo ele, atrasado e ainda de uniforme, entrou no auditório da Escola Municipal Monteiro Lobato. Além de universitário, Arcanjo é guarda municipal de Itaguaí.

Como um guarda vai trabalhar cultura nas escolas do município? Essa era a grande questão, que foi respondida, pelo próprio, com simpatia: “Eu sou guarda municipal por acaso, sou morador de Cabuçu e tive a oportunidade, não desperdicei. Mas a minha área mesmo é a educação”.

Pai de duas meninas, uma de 13 e a outra com 15 anos, e ex-professor de desenho, o universitário ainda não se considera preparado para o trabalho com as crianças. Mas carrega, além da ansiedade, o desejo de fazer a diferença na vida dessas crianças de alguma maneira. “Eu quero passar algo melhor para as crianças. Com a vida a gente às vezes se torna meio bruto, mas eu sei que vou aprender muito com os pequenos”, diz o guarda, que atualmente tem trabalhado nas escolas da rede municipal de Itaguaí. “Eu sou guarda municipal há dois anos, e estou tendo a oportunidade de estar com o aluno quando o professor e o inspetor perdem o domínio. De fazê-lo entender, também, quando está errado”. Arcanjo vem desenvolvendo na escola em que trabalha um miniprojeto de ensino no qual as crianças que são retiradas das salas de aula, por mau comportamento, são enviadas ao pátio para receber reforço escolar e até conselhos.

Ele está aprovando as oficinas de formação e apoia totalmente o projeto: “Nova Iguaçu tem 950 mil habitantes, não é uma cidadezinha. É um projeto excelente e deve ter uma continuidade. Espero, também, que tenham novas oficinas, para nos prepararmos cada vez mais. É sempre bom dividir experiências e aprender coisas novas”.

O guarda confessa, também, ter adorado a experiência de teatro e contação de histórias do grupo “Te conto umas...”, e as brincadeiras da secretária adjunta de cultura Sandra Mônica. “Eu já tive a oportunidade de trabalhar com o meu irmão, fazendo peças infantis em escolas aqui de Nova Iguaçu e em Campo Grande. Trabalhar isso com as crianças será excelente, além de poder aprender cada vez mais a pensar e agir com o corpo, não apenas com a cabeça. Ser um pouco mais criança”, diz Arcanjo, que já fez um tudo de um pouco, e encerra: “Eu gosto de fazer isso, mesmo se guarda municipal ganhasse melhor eu confesso que continuaria sendo professor”.

Interatividade:
Você acha problemático abrir muitas frentes de trabalho?

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