sexta-feira, 31 de julho de 2009

Direto da lan house

MIGUEL COUTO

Crianças e adolescentes de Miguel Couto farão histórias em quadrinhos em blog
por Robert Tavares

A ONG Laboratório Cultural começou sua atuação em fevereiro deste ano e mesmo com pouco tempo de nascida já alcança grandes voos. Ela é formada por jovens de Nova Iguaçu que trabalharam no Bairro-Escola e que sempre tiveram ligação com a cultura da cidade. Eles estão criando um projeto chamado "Laboratório de linguagem livre" que vai unir lan house, quadrinhos, escola e cultura.

O projeto funciona assim: um grupo de adolescentes, da Escola Municipal Janir Clementino, em Miguel Couto, com idade entre 12 e 18 anos será acompanhado de um monitor até uma lan house parceira do projeto e, lá, farão postagens em um blog. O intuito é trabalhar as relações culturais e pessoais do bairro por meio de fanzines online e histórias em quadrinhos nos blogs, aproximando o mundo virtual para a vida desses meninos.

A atividade irá exercitar a escrita e evidenciar certos pontos da comunidade onde moram, já que uma das propostas é explicitar eventos e necessidades do bairro. "Eu vou no blog, rapidinho, e vejo alguma coisa que tenho curiosidade e pronto", diz Daiane Brasil, presidente da ONG, que iniciou sua jornada de trabalho em 2006. A simplicidade de não tirar esses jovens do ambiente deles é exatamente o que os agentes culturais Juliana Roubert e Gledson Vinícius visam, já que as lan houses são frequentadas por esses grupos. "Nós queremos acrescentar algo na vida deles, no cotidiano, e não tirar", diz Juliana.

O Laboratório Cultural tem forte ligação com o mundo virtual, o grupo usa essa ferramenta para divulgar eventos, projetos e também como recurso de ensino. "Essa é a linguagem dos adolescentes hoje em dia", diz Daiane. "Eu acredito que a internet veio para somar", diz Gledson Vinícius, que também é publicitário e blogueiro.

A ONG irá trabalhar com 120 adolescentes do bairro, nesse primeiro momento. Mas a instituição Laboratório Cultural irá atender cerca de 1.800 crianças e adolescentes da rede municipal de ensino, no próximo semestre. Eles irão desenvolver oito projetos, aprovados pelo edital escola viva/bairro-escola, com 11 modalidades das mais variadas vertentes da cultura.

Esses são os sites deles: www.visaosuburbana.com , http://poemanapraca.blogspot.com

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A chapa esquentou

MINISTRO NA BAIXADA

Em visita à Baixada, ministro Juca Ferreira acende debate sobre descentralização da cultura
por Lucas Lima

O ministro da cultura, Juca Ferreira, esteve em Mesquita esta semana para discutir mudanças na Lei Federal de Incentivo à Cultura, Lei nº 8.313, conhecida também por Lei Rouanet.

Essa lei tem o objetivo de incentivar a cultura nacional através de incentivos fiscais, onde empresas e cidadãos aplicam uma parte do seu Imposto de Renda em ações culturais. Esses incentivos fiscais proporcionam a intensificação da cultura, uma vez que as empresas tem cada vez mais patrocinando cultura, o que faz a marca se valorizar perante o seu público.

Atualmente, 6% do imposto de renda de pessoas físicas e 4% de pessoas jurídicas estão disponíveis para esse investimento cultural. Esse valor que parece relativamente pequeno proporcionou mais de um bilhão em incentivo à cultura no ano passado, segundo o ministério da cultura. Mas será que a sociedade e a militância cultural da Baixada Fluminense sabem realmente o significado dessa lei, os seus defeitos e as mudanças propostas?

“Sei que essa lei existe há 18 anos e contempla apenas 3% dos ativistas culturais”, diz Anderson Barnabé, 39 anos. Anderson diz ser a favor da mudança da lei. “Ela precisa ser redemocratizada porque beneficia apenas os artistas de nome nacional. Os produtores de periferia não são contemplados e já é tarde para se pensar em fazer uma redemocratização. Sou a favor de ela sofrer mudanças”, conclui o coordenador da Escola Livre de Música Eletrônica.

Outras pessoas compartilham do mesmo ponto de vista de Anderson. A ativista cultural Líbia Oliver, 30, diz que não está muito por dentro da lei, mas pelo pouco que sabe defende a mudança da mesma. “Sou a favor da lei se ela for igualmente dividida. Acho que os projetos grandes ganham todo o dinheiro. As produções pequenas não ficam com nada”.

Quem também está a favor da mudança é o coordenador executivo do projeto Crescer e Viver, Junior Perim, 34. “Sou totalmente a favor da mudança do ministério, os defeitos são mostrados pelo próprio ministro Juca Ferreira. O erro mais gritante é a concentração de renda em uma classe que já possui o dinheiro”, diz ele.

Contrariando a maioria, existem os artistas que são contra a Lei Rouanet, como Leandro Bastos, de 29 anos. “Do jeito que a lei se apresenta, sou contra. Um projeto de um cinegrafista de renome custa três milhões, esse dinheiro seria suficiente para fazer, no mínimo, uns cinco filmes”, calcula o ator teatral. “Outro exemplo: um show do Caetano Veloso não precisa de patrocínio, o dinheiro dele e o dinheiro de bilheteria já cobririam o evento”, conclui.

Tiago Mendes, que também é ator teatral, compartilha a mesma opinião de Leandro. “Sou contra. As empresas não deviam patrocinar nada. Esse dinheiro deveria ir para o ministério e o mesmo repassar para projetos que a população realmente precisa”. E toca em outro ponto de grande importância. “Além de construir uma estrutura que permita a essas produções chegarem até a população. Não adianta ter produções se elas não podem ser apresentadas”, diz o ator, de 30 anos.

Um terceiro grupo, de não ativistas culturais, também se manifestou sobre a tão discutida lei. O bancário Lucimerio Santos não sabe muito sobre essa lei, porém a julga de grande importância. “Não sei muito da lei, mas, de maneira superficial, acho que ela é uma boa porque incentiva a cultura, o que é uma necessidade no Brasil”.

Ainda nesse ano a lei Rouanet deve sofrer mudanças desenvolvidas pelo próprio Juca Ferreira. Como o próprio ministro disse no encontro da ultima terça-feira, “A lei é pouco democrática e centraliza demais o poder nas mãos daqueles que já o tem”.

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O que os artistas da Baixada devem fazer para receber mais incentivos?

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Palavras na balança

MINISTRO NA BAIXADA

Trabalhadores da culturam comentam sobre o encontro com o ministro
Por Josy Antunes / Fotos Alexia Souza

As palavras proferidas pelo Ministro da Cultura, Juca Ferreira, e pela banca formada na tarde do dia 28 de julho no Tênis Clube de Mesquita, obtiveram diversos efeitos sobre as centenas de pessoas ali presentes. Lá estavam representantes da classe artística de toda a baixada, como músicos, grafiteiros e atores, além de moradores atentos ao desenvolvimento cultural do país. O encontro direto realizado, dando oportunidade das ideias, depoimentos e críticas serem expostas, já foi considerado um ganho pela maioria dos participantes. "Só o fato dele ter vindo aqui já é histórico, principalmente em Mesquita. Se fosse capital podia ser comum", observa Anderson Barnabé, ator e um dos responsáveis pela Escola Livre de Cinema, em Miguel Couto, que além dos cursos livres, oferece aulas às crianças matriculadas na integralidade do Bairro-Escola. Para ele, encontros como aquele acontecem comumente no eixo Rio-São Paulo. "Mas ele já circulou por outras localidades fora desse eixo central de produção cultural. Acho muito válido, só mesmo no governo Lula pra acontecer isso", alega ele, enfatizando a urgência da resolução do que acabara de ser discutido no encontro.

"Eu acho que é uma mudança tardia, mas é necessária", lamenta Barnabé, baseado na ausência de contemplações da Lei Rouanet na Baixada, nos seus 18 anos de existência. "A gente nunca foi contemplado com a lei, só 3% da classe artística no país detinha até hoje o direito ao acesso a essa verba", diz ele, que há 20 anos trabalha com cultura. A urgência defendida pelo ator se dá pelo fato de que o próximo governo é um "terreno desconhecido", portanto, a oportunidade de lutar pelas mudanças da lei deve ser defendida com todas as forças. "A gente não sabe o que vem por aí. E essa discussão pode se esvair e acabar. Então essa lei precisa ser votada esse ano", garante.
É necessário, porém, que haja um fortalecimento da parte do ministro, para que as reformas da lei sejam consolidadas. Para que ela seja votada, ela precisa ser sancionada, o que exige o apoio popular, como explica Barnabé: "E é isso que ele está fazendo, se fortalecendo de forma popular. A lei vai ser votada esse ano, até outubro. Mas só vai poder ser implantada mesmo no ano que vem", diz ele, esperançoso. "A verba não vai vir das grandes empresas, vai vir direto do ministério. Se virá direto do ministério eu posso ter acesso, através de editais e de leis de cultura", analisa, de acordo com o que foi explicitado no encontro.

A mobilização gerada pelo inconformismo é a grande aliada para concretização do que foi prometido. Uma modificação democrática da lei é o que espera e no que acredita Barnabé. "Eu acho que não tem pra onde fugir", diz, confiante, relembrando também a garantia feita de que um teatro e um cinema serão construídos em diversas cidades brasileiras, ainda carentes de cultura.

"Se as pessoas se derem conta da importância que é essa mudança, vamos conseguir que os pequenos produtores possam utilizar bem essa nova lei", palavras de Dida Nascimento, artista plástico, músico, compositor e grande ícone do movimento cultural na Baixada e do reggae carioca. Após as declarações de Juca Ferreira, ele avalia: "O país é muito grande, eu não acredito muito nos políticos, mas há uma necessidade de mudança". Dida acredita na melhoria que ocorrerá, caso as verbas propostas pela Lei Rouanet sejam realmente repassadas para as entidades, pequenos artistas e produtores culturais. "Na lei anterior, se você tem seu nome na mídia consegue emplacar seus projetos mais rápido do que aquele artista que é de uma pequena comunidade. Se essa mudança for possibilitada vai ser muito bom, vamos bater palmas pra isso", declara o músico.De igual, ou maior, importância é considerada por ele a percepção da população para o que está acontecendo e para a voz que nos está sendo dada. "Temos que conscientizar as pessoas de como utilizar a lei da melhor forma possível", alerta, apoiando o espaço que foi aberto para as falas dos presentes. Representando as inúmeras companhias de teatro de rua, Richard Riguett fez uso dessa oportunidade, defendendo a implantação do vale-cultura, que dará o poder de escolha aos trabalhadores, principal público dessa ramificação do teatro. Richard, que dá vida ao palhaço Café Pequeno, lidera a companhia de circo-teatro de rua "Grupo Oficina", sempre fazendo as apresentações sem cobrar ingressos. "A grande base da nossa sustentação é a contribuição individual", diz ele sobre a prática de passar o chapéu ao final de cada performance. "Da mesma forma que ele pode colocar R$10, pode passar o cartão. Agora, esses R$10 vão fazer falta no orçamento do trabalhador, através do vale-cultura não, porquê ele está comprando cultura e está sendo incentivado a consumir isso", explica Richard, que é membro da Rede Brasileira de Teatro de Rua e da Rede Circo do Rio.

Com uma trajetória de 21 anos, o artista afirma que nenhum grupo que realiza um trabalho como o seu foi contemplado com a verba destinada à Lei Rouanet até hoje. "Dentro das estatísticas do Brasil inteiro, só um ou dois grupos que têm atividades mistas, ou seja, que fazem seu trabalho dentro e fora do teatro, conseguiram captar recursos através da Lei", afirma Richard, recém-chegado do festival "Amazônia em Cena", que aconteceu em Rondônia, reunindo grupos de Roraima, Acre e Amazônas, provando a força da arte que abrange 20 estados do país.

O Fundo Nacional de Cultura é a comissão que avalia os projetos que serão aprovados pela Lei Rouanet, que, para o artista pode ser o fator que mais o beneficiará, caso a proposta do vale-cultura seja concretizada. "Se conquistarmos o direito de ter a maquininha para que os trabalhadores, ao invéz de colocarem o dinheiro no chapéu, passem o cartão e tirem a quantia necessária através do vale-cultura, isso vai contemplar o nosso segmento", explica Richard, expondo também a situação contrária: "Se não for dessa forma, será um processo de exclusão que o Ministério fará contra nós. Acho que não é o desejo deles, mas nós vamos ter que resolver isso tecnicamente". As questões tecnológicas ainda estão pendentes, mas receberam a garantia de resolução por conta do ministro, que terá que articular para que as citadas maquininhas cheguem a todos os grupos, companhias e trupes teatrais do país.

"Se você concorre como grande projeto, aquela pequena comissão pode dizer não a você. Mas aqueles que estão assistindo o seu espetáculo podem dizer sim, e te sustentar", declara Riguett, que esteve o tempo todo atento às colocações de Juca Ferreira, que assumiu o compromisso do vale-cultura. "Ele falou que quer. Eu também quero. Se ele quer e eu quero, quem é que não vai querer?!", diz com o humor circense.



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Que espetáculo você assistiria no próximo final de semana, caso já portasse o cartão do vale-cultura?

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Vale mudança

MINISTRO NA BAIXADA

Entenda as mudanças da Lei Rouanet propostas pelo Ministério da Cultura
por Mayara Freire

Em 1991, foi aprovada no país a Lei Rouanet. A intenção era definir as formas como o governo federal devia incentivar a produção cultural e instituir políticas públicas no Brasil. Nomeada de acordo com o então ministro da Cultura Sérgio Paulo Rouanet, a sua base é a promoção, proteção e valorização das expressões culturais nacionais. Na época teve uma expectativa de que a lei pudesse ser um instrumento a dar novo horizonte à produção cultural brasileira. Porém, atualmente, está sendo vista com outros olhos.

A lei teve um importante papel na concretização de diversos projetos e após este tempo, suas falhas e concenctração cultural nas classes mais altas também foram percebidas. Metade de todo o dinheiro que a lei torna disponível é captado por apenas 3% das empresas e entidades que apresentam projetos culturais em busca de patrocínio.

Com esta linha de pensamento, após 18 anos, o Ministro da Cultura Juca Ferreira tem promovido encontros políticos em diversos estados, para apresentar a grupos culturais e governos locais, as propostas de reformulação da lei, que será votado no Congresso daqui a um mês. O setor cultural e o Ministério concordam que essa concentração distorce a verdadeira função da lei e que projetos de grande porte e maior apelo de marketing levam vantagem. A nova proposta de lei é justamente alterar o modelo usado atualmente e corrigir a distribuição desigual de recursos, além de acabar com a cobrança elevada dos ingressos para espetáculos culturais no país.

No encontro com todos os secretários da Baixada Fluminense em Mesquita, na última terça-feira, o ministro destacou que os principais pontos de mudanças irão se basear na descentralização dos recursos, assim como na exigência de maiores investimentos das empresas privadas que apoiam projetos culturais. Além disso, o ministro pretende simplificar a burocracia e democratizar o acesso dos incentivos, priorizando grupos populares e outras regiões fora do eixo Rio-São Paulo. “O objetivo é dar acesso pleno à cultura para todos os brasileiros. Queremos fazer uma parceria com a Baixada Fluminense, descentralizando a cultura, pois não adianta somente áreas como Centro e Zona Sul ter acesso à lei”, falou.

Alguns dados do IBGE foram apresentados durante a apresentação de Juca Ferreira. Os números impressionam: 93% da população brasileira nunca viram exposição de arte, 92% nunca entraram em museu e 14% dos brasileiros vão ao cinema uma vez por mês. “Após 18 anos, a lei só aprofundou essa desigualdade. Temos que mudá-la para disponibilizar desenvolvimento cultural para todo o país. É um clube fechado. O maior escândalo é saber que 80% dos projetos se concentram em apenas dois estados”, criticou Juca.

O professor de música Luiz Antonio, do projeto Original Raiz, de Mesquita contou sua expectativa. “Eu vim prestigiar e ver a intenção do projeto de reforma, analisando as vantagens e desvantagens. Estamos aguardando cinco anos essa decisão, entre muitas discussões. Considero que vai ser através da nova lei que a Baixada poderá ter mais visibilidade. Tem muito projeto cultural acontecendo, entretanto em muitos casos, não temos incentivos suficientes para levar a frente”, disse.

Principais mudanças na lei

O Fundo Nacional de Cultura, que libera verbas para os projetos culturais, poderá fazer empréstimos e se associar a projetos culturais para fazer repasse para fundos municipais e estaduais. Isso permitirá que o FNC se torne mais atraente para produtores culturais e se transforme numa alternativa real para aqueles que não conseguem captar financiamento via renúncia. Atualmente, o fundo permite apenas doação de 80% do valor do projeto.

A Comissão Nacional de Incentivo à Cultura (CNIC), que analisa os projetos, passaria a escolher a faixa de renúncia fiscal em que as empresas se encaixariam. Hoje, são apenas duas – 30% e 100%. Com a mudança na lei, serão acrescentadas mais quatro faixas – 60%, 70%, 80% e 90%. O objetivo da mudança é permitir uma maior contribuição das empresas - hoje, de cada R$ 10 investidos pela Rouanet, R$ 9 são públicos - e permitir que projetos com menor atratividade de investimento tenham faixa de renúncia fiscal maior. Além disso, a proposta é transferir pelo menos 20% do valor devido ao Imposto de Renda pelas empresas patrocinadoras de eventos para o FNC, verba destinada a projetos culturais.

Outra medida será a implementação de um “vale cultura” no valor de R$ 50 para ser utilizado em compras de produtos como CDs, filmes, peças teatrais e shows musicais. Entretanto, o ministro adiantou que a intenção ainda é aumentar do vale para R$ 100. Juca Ferreira explicou também que, além de facilitar o consumo de bens culturais para 12 milhões pessoas, o vale para trabalhadores poderia injetar na economia pelo menos R$ 7,2 bilhões por ano.

Para mais informações sobre a mudança da Lei Rouanet acesse: http://blogs.cultura.gov.br/blogdarouanet/


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quinta-feira, 30 de julho de 2009

Universo das mães

MÃES EDUCADORAS

Jovens pesquisadores levantam dados sobre o trabalho das mães educadoras
por Dariana Nogueira e Livia Pereira

A manhã fria da última terça feira, 28, serviu de cenário para o segundo encontro de formação de Mães Educadoras na Escola Municipal Monteiro Lobato, em Nova Iguaçu. Dessa vez, o evento foi coordenado
pela Secretaria de Cultura e contou com a participação da coordenadora de pesquisa, Marcella Camargo, e da formadora de mediadores, Sandra Mônica.

A secretária adjunta de educação, Bernadete Rufino, abriu o evento, passando a palavra logo em seguida para Sandra Mônica, que promoveu uma divertida dinâmica para aquecer, descontrair e integrar as mães
presentes.

Logo após a dinâmica, as mães foram encaminhadas para as salas de aula, onde, em cada uma delas, uma dupla de voluntários do grupo de pesquisa que atua sob a orientação de Marcella Camargo as aguardavam. Os jovens pesquisadores promoveram conversas bem produtivas com as mães, com o intuito de conhecer melhor o trabalho desenvolvido por elas e recolher dados importantes para a pesquisa.

Os jovens pesquisadores fizeram perguntas pessoais como idade, número de filhos e interesses pessoais no projeto. Mas também fizeram perguntas de caráter global, como quais as perspectivas das voluntárias, qual grau de importância que atribuem a sua presença no projeto, o que elas entendem por Bairro-Escola e como ela se veem inseridas no programa.

Segundo Marcella Camargo, esse momento foi muito proveitoso para a pesquisa recolher dados importantes sobre o funcionamento do programa. “Conseguimos entrar no universo dessas mães e entender melhor sua
participação, o porquê de sua total dedicação e integração ao projeto”, afirma a coordenadora.

Mas o evento não beneficiou apenas à pesquisa. Era notório na fala das quase 150 mães presentes o quanto elas consideravam fundamental um evento como este, no qual elas têm a oportunidade de expor seus planos e ideias, bem como suas dificuldades e limitações. “Essas atividades ajudam a manter a gente com a cabeça no lugar, a pensar sobre nossa importância dentro do projeto e o que estamos dispostas a fazer por ele, de fato”, diz a mãe voluntária Denise da Costa, de 31 anos.

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Sugira um tema a ser pesquisado pela equipe de Marcella Camargo no universo das famílias iguaçuanas.

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Para fascínio do Ministro

MINISTRO NA BAIXADA

Dançarina com síndrome de Down abre evento do Mesquita Tênis Clube
por Josy Antunes e Hosana Souza // Fotos Alexia Souza


“Eu gosto de poder participar. Eu amo a dança”, diz com graça e timidez Ana Claudia Gonçalves, 30 anos, portadora da síndrome de Down. Convidada para fazer a abertura do encontro com o Ministro da Cultura, Juca Ferreira, em Mesquita, ela encantou a todos em um solo com a música Fascinação.
Estudante da rede municipal de Mesquita e membro do projeto "Em Mesquita Criança Faz Arte", Ana mostra que para o talento não há limites. Ela já esteve em Niterói, Nova Iguaçu, Paraty, Rio da Ostras – aqui no Rio de Janeiro – e na cidade de São Sebastião, em São Paulo.

Pelo caminho de Aninha contou, e conta, com muitos fãs e colaboradores, mas conta principalmente com a força de vontade e o carinho de sua avó, Zuleica Pinto, 79 anos, que é responsável por ela desde seus sete anos de idade. “A mãe dela teve outro filho e tirou ela da escola. Eu não achava justo privar ela da vida, e como eu estava próxima a pedir a aposentadoria resolvi trazer ela para morar comigo”, diz a simpática avó.
Ana fez um ano de equoterapia, onde adquiriu postura para o balé. Fez também natação e hoje une a rotina da dança com as aulas de tae kwon do. Toda essa energia se deve ao exemplo da avó, que apoia e auxilia todos os sonhos da bailarina: “Em tudo o que posso levo a Aninha, seja apresentação, vaga em oficina, qualquer coisa que possa fazer bem a ela”, diz a avó. “Ela já se apresentou na Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro e participou da construção do livro ‘Nossa Gente’”.

A trajetória de Ana no balé teve início 1994, quando estudava em uma escola especial em Nilópolis. O então prefeito iniciou um projeto para que as crianças especiais pudessem fazer aulas de dança. O projeto durou apenas um ano, mas o talento e a simpatia de Ana, somados ao carinho e dedicação de Dona Zuleica, fizeram com que ela fosse descoberta pela academia de dança "Vânia Valle" em Mesquita. Hoje, Ana recebe a proposta de dançar na cidade de Santos, em São Paulo, mas nada está resolvido ainda.

Aos poucos, Ana nos conta sobre os ensaios e apresentações. Com um tímido, porém contagiante sorriso, ela comenta sobre uma coreografia que faz com Gabriel, também portador da Síndrome de Down e bailarino na mesma academia que ela: “Ele me segura no ar, mas é rapidinho. Eu não tenho medo, confio nele”.

A oportunidade para estar na abertura do evento, Ana deve a Cristiane Pelinca, 35 anos, idealizadora do projeto “Em Mesquita Criança Faz Arte”. Cristiane diz que é gratificante poder descobrir e mostrar tantos talentos.

Outro talento, descoberto pelo projeto, e que emocionou os presentes no Tênis Clube de Mesquita, é Hadassa Áquila, 17 anos, que cantou a música "Fascinação" para a apresentação de Aninha.

Hadassa nos conta que a música está em seu sangue. Neta de um maestro e membro de uma família onde todos ou cantam ou tocam algum instrumento, a menina teve a oportunidade de gravar um CD em 2006 e desde a época do projeto sempre é convidada para participar e encantar eventos.

“O projeto me ajudou a me descobrir”, conta. “No começo eu era tímida, meio parada. Depois de alguns ensaios, os professores do projeto disseram: ‘vocês vão se apresentar.’ Quando eu subi em um palanque com várias pessoas me olhando, eu imaginei: é agora! E foi. Desde então eu aflorei o meu talento”, diz Hadassa. “Sempre há aquele frio na barriga, aquela ansiedade, mas no momento da apresentação eu simplesmente me apresento, não penso muito, deixo a emoção rolar”.

A parceria entre Ana e Hadassa ocorreu pela primeira vez essa tarde, porém Hadassa já teve a oportunidade de cantar com um coral de libras do projeto “Toques e toque", também interpretando a música Fascinação. A dupla, emocionante, mostrou que bons projetos quebram barreiras e que o incentivo à cultura trará, para Mesquita e para o Brasil, novos grandes talentos.



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Hadassa carrega o canto e a música como herança de sua família. Você tem algum talento "herdado"?

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O chorão da Baixada

MINISTRO NA BAIXADA

Lino Rocca foi um dos grandes articuladores da vinda do ministro à Baixada Fluminense
por Edson Borges Vicente e Fernanda Bastos da Silva

Lino Rocca, 46 anos, possui dois terços de sua vida dedicados à cultura, especificamente ao teatro. Com trinta anos de carreira, ele conta que encenou suas primeiras peças aos 15 anos de idade e que isso lhe rendeu a busca pela formação acadêmica. Com o título de bacharel em artes cênicas, ele ingressou no mercado artístico do Rio de Janeiro, onde passou parte de sua vida profissional. Nascido em Nova Iguaçu e não negando sua origem, ele se sentiu incomodado com a desvalorização artística de sua cidade e de toda a Baixada Fluminense e resolveu, então, retornar ao seu lugar de vida. Buscar resgatar seus sonhos e lutar por seus ideais. “Chegou um momento que esse mercado não dizia mais nada pra mim. Há 17 anos, voltei os meus olhares pra Baixada e reencontrei o meu sentido de fazer o meu teatro”, afirma Lino.

Emotivo, Lino atribui o seu retorno à realização de inúmeras conquistas, entre elas o seu maior tesouro: sua filha Maria Eduarda, que fará dois anos daqui a um mês e meio. “Ela é o prêmio que a Baixada me deu definitivamente”, confessa. Comparando sua luta em prol dos movimentos culturais à sua própria vida, ele diz que tudo começou naturalmente. Antes de elaborar qualquer projeto, foi no dia-a-dia de trabalho que percebeu as necessidades dessa região por tanto tempo relegada à própria sorte e buscou desenvolver estratégias de mudança da realidade dos artistas da Baixada. “Isso tudo, na realidade, é minha própria vida. Isso não é um projeto elaborado na cabeça. É a ação da minha existência cotidiana. Foi no botar feijão com arroz dentro de casa com teatro e cultura que percebi a minha paixão pela Baixada Fluminense, por tudo que me proporcionou, inclusive minha filha”, explica.

Lino passou então a ser um dos elos entre o Ministério da Cultura e a Baixada. Ele levou a voz artística popular ao conhecimento do governo federal e buscou articulação em todas as esferas, mesmo não representando nenhuma entidade política. Ajudou a trazer o olhar das autoridades à nossa cidade e toda a região. Por isso não foi à toa que foi a segunda pessoa a ser chamada para compor a mesa, sentando à direita do ministro Juca Ferreira no debate pela mudança na Lei de Incentivo à Cultura – a Lei Rouanet - ocorrido no Tênis Clube da cidade de Mesquita neste último dia 27 de julho. Suas palavras confundiram-se com lágrimas (de felicidade) ao final de sua fala. O reconhecimento de sua importância ficou evidente nas palavras do próprio ministro “Lino é o provocador de lágrimas positivas de emoção”, disse Juca Ferreira.

Realidade da Baixada
Lino Rocca identifica e descreve o potencial da Baixada Fluminense a partir de sua formação econômica e cultural e deixa claro sua posição frente às contradições existentes. Acredita que é possível conciliar o investimento no processo sem descartar a possibilidade e a necessidade da formação de um mercado regional voltado à valorização e potencialização de projetos locais e de elevação da situação econômica dos artistas populares, muitas vezes em situações econômicas difíceis. “A Baixada acaba sendo um exemplo sintomático desse processo, pois não tem um mercado institucionalizado”, explica.

Mais do que uma simples questão de logística, ele vê nos movimentos existentes aqui um norte para as autoridades responsáveis pela política cultural. Essa é sua bandeira de lutas e foi isso que buscou trazer ao conhecimento dos representantes políticos presentes na mesa de debate, em especial ao ministro da cultura Juca Ferreira e à secretária de Cultura do Estado do Rio de Janeiro, Adriana Rattes. “A Baixada pode ser um grande exemplo de um novo desenho de ação política pública porque ela pode ser um laboratório para a construção do processo e ao mesmo tempo da estruturação do mercado. E basicamente esse foi o projeto que viemos apresentar ao ministro e ao Governo do Estado, como Rede Baixada em Cena, e entendendo a cultura como desenvolvimento regional em uma ação que vai englobar fomento, circulação, qualificação profissional e formação de mercado auto-sustentável”.


Luta de classes
Com a mudança na Lei de Incentivo à Cultura, proposta pelo ministro Juca Ferreira, 80% da arrecadação serão investidos no Fundo Nacional de Cultura e 20% no mercado, invertendo a lógica atual. É no fundo, a promoção da redistribuição dos recursos de forma descentralizada, partindo dos estados e terminando nos municípios, que ficariam encarregados da aplicação. “Por isso que a gente tem também o desenho do Sistema Nacional de Cultura, que promove a criação dos conselhos municipais de cultura e a criação de cada fundo municipal por sua referida cidade”, explica Lino.

Para Lino Roca, o gestor municipal teria um papel primordial nesse processo. De sua ação responsável depende uma justa e boa distribuição dos recursos aos projetos populares organizados. “Por que a gente tem que trazer a responsabilidade ao administrador municipal. O administrador tem que fazer investimento, ele está na ponta, tanto em cobrar ações em cascata - federal e estadual - mas também fazer o seu dever de casa, promovendo ações entendendo que cultura tem a ver com desenvolvimento social e econômico”.

Militante e líder sócio-cultural, Lino Roca vê na organização e mobilização da classe artística da Baixada Fluminense algo primordial para a promoção de mudanças. Ele compreende a relação mudança x estagnação da lei como uma luta de classes, sendo que as classes populares são as que apoiam a descentralização e democratização dos recursos público-privados destinados ao subsidio de ações culturais. Isso também ficou evidente na fala do ministro da cultura Juca Ferreira. “As classes populares sempre têm um grande problema pelo seu processo de desorganização. Como a gente vive em uma sociedade que concentra todas as relações para uma determinada elite, é claro que a classe popular sempre fica prejudicada porque tem que lutar pela sua organização”.

Lino faz uma avaliação positiva do governo do presidente Lula, dada a organização social que ele afirma vivenciar. O diálogo com a sociedade é um fator destacado por ele.
“Em sete anos de governo Lula eu não tenho dúvida de como a classe popular vem se organizando e de como o próprio governo vem incentivando esse processo de organização. Isso é muito claro na ação do ministério, da interlocução que o Ministério da Cultura faz com a sociedade atualmente”, exemplifica.

Lino Rocca acredita que há uma revolução em curso. “Em sete anos mudou-se muita coisa e acredito que a gente está consolidando passos importantes como a própria modificação da lei, que é uma luta que a gente pode entender como uma luta de classes. A gente está realmente desapropriando os desapropriadores”, finaliza.


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Além do túnel

MINISTRO NA BAIXADA

Ministro da Cultura diz que verba de incentivo à cultura só fica na Zona Sul
por Raphael Teixeira

O ministro da cultura, Juca Ferreira, esteve nesta terça-feira (28/07), em Mesquita, para discutir as reformulações da nova Lei Rouanet, que será entregue a Câmara no próximo mês. O encontro, que contou com a presença de representantes de outros doze municípios da Baixada, faz parte de uma sequência de debates acerca dos caminhos que a Lei Rouanet pretende trilhar no ano em que completa 18 anos.

Com declarações realistas, o ministro expôs a necessidade de mudança na destinação da verba. “O dinheiro vai sempre para as mesmas mãos”, disse. “Isso não passa de privatização do dinheiro público.” O ministro também defendeu mudanças para evitar burocracias, a fim de que o dinheiro chegue rapidamente na mão de projetos culturais de lugares além do eixo Rio - São Paulo. “É preciso que todos tenham acesso.”


O evento, que superlotou a quadra do Mesquita Tênis Clube, atraiu uma série de lideranças políticas cariocas. Além de levar seu apoio para a causa do ministro da Cultura, o deputado estadual Alexandre Molon convidou Juca Ferreira para um debate na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, cuja comissão de cultura ele preside. A secretária estadual de Cultura Adriana Rattes anunciou a criação de novos 150 pontos de cultura, uma parceria entre o governo federal e municipal que na prática representa a descentralização dos recursos da cultura pretendida pelo Minc.

Também marcaram presença o prefeito de Mesquita, Artur Messias, além de secretários de Cultura de toda a Baixada Fluminense. Inúmeros grupos culturais da região não apenas foram dar seu apoio às mudanças na Lei Rouanet, como fizeram uso do microfone no debate que se seguiu à apresentação do ministro.



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quarta-feira, 29 de julho de 2009

Consórcio para a Baixada

MINISTRO NA BAIXADA

Ministro da Cultura discute mudanças na Lei Rouanet na Baixada Fluminense
por Flávia Ferreira

"Não é justo que poucas pessoas, poucos artistas tenham acesso a esse
dinheiro e a grande maioria não tenha. E não é justo que a grande parte do Brasil não tenha acesso a esse recurso porque 80% dele ficam em duas cidades brasileiras e para poucos dentro dessas cidades, então, o Brasil que a gente quer, é um Brasil que todos tenham acesso, tenham possibilidades e que dependam apenas da qualidade de suas propostas". Dessa forma o Ministro da Cultura, Juca Ferreira, definiu a importância de discutir mudanças na Lei Rouanet.

O Encontro realizado em Mesquita mobilizou a classe artística da região, fortalecendo ainda mais os laços com o Ministério. De certa forma isso foi um marco para a história político-cultural da Baixada Fluminense, pois não é sempre que a classe artística tem a oportunidade de dizer para o ministro da cultura o que pensa sobre a Lei Rouanet. Segundo Juca, o ministério tem o apoio de quase todos os produtores culturais brasileiros. "Eu rodei 19 estados e foi quase unânime, como foi aqui, porque são tão poucos os que se beneficiam que é difícil encontrá-los em determinados ambientes".

"Nós queremos acabar com a exigência de que o proponente tenha finalidade cultural. Isso é a coisa mais hipócrita que se tem na experiência da Lei Rouanet e mais, queremos que todas as organizações da sociedade façam cultura. Os projetos mais elaborados que impliquem mais recursos, tecnologias e capacitação terão sua capacidade de execução avaliada”, explica o ministro.

Durante o encontro, Juca também fez a proposta de trabalhar um fundo específico para a Baixada. Juca sugeriu um consórcio para a Baixada Fluminense, apoiado pelo Ministério da Cultura e pela Secretaria Estadual de Cultura, que analisariam as demandas da região e
veriam o que é possível fazer conjuntamente. "Eu me comprometi com o Ministério de localizar recursos para fortalecer esse consorciamento e atender essas demandas. Na área da memória, na área de patrimônio, na área de ampliação de pontos de cultura, bibliotecas e espaços. Vamos
ver como é possível ajudar", disse.

O ministro acrescentou ainda que o pontinho de cultura é outra forma de o artista ter acesso à verba. "Sim, pela primeira vez estamos trabalhando com a infância, produzindo serviços, apresentando projetos e conteúdos para a infância". Até que a Lei Rouanet seja reformulada, as propostas terão que passar pelos corredores do parlamento. Enquanto isso, alguma emenda pode ser introduzida na brecha da lei atual, mas o desejo do ministério é reformulá-la por completo. "Eu prefiro fazer a reforma da lei atual e criar um novo sistema de fomento e incentivo à cultura, pois tenho certeza que o Congresso vai corresponder". Juca afirma que, à medida que o período eleitoral se aproxima, os parlamentares tendem a procurar e ouvir os anseios das bases. "Os artistas, produtores e consumidores de cultura querem essa democratização. Não fiz esse circuito à toa. Fiz no sentido de engajar o maior número de pessoas. A reforma e a democratização não podem ficar dependendo do ministério, cada pessoa que participou aqui de alguma maneira vai influenciar um parlamentar e pedir que ele vote favoravelmente a essa reforma".

Depois de sua aprovação, a nova Lei Rouanet terá um cadastro com as informações necessárias para se fiscalizar como o dinheiro público está sendo empregado. "Quem não for responsável com o dinheiro público não pode pedir mais. A gente já faz isso de alguma maneira, mas muito precariamente". De acordo com o ministro, muitas vezes as estruturas não conseguem prestar contas por serem frágeis demais. “Fazem tudo direitinho, mas devem evoluir. Não podemos dispor o dinheiro público de forma graciosa, queremos criar uma responsabilidade no uso do dinheiro público".

Depois de quase três horas de reunião, o ministro Juca Ferreira saiu esperançoso do encontro, pois, como ele mesmo disse, cada vez que vem à "ponta" (referindo-se às lideranças comunitárias), sai fortalecido, porque percebe que o caminho escolhido é o correto. "A cultura está entrando na plataforma da cidadania, os produtores culturais de todo o país querem se relacionar com o ministério, querem ter acesso a esse recurso e apoiam esse caminho que estamos traçando. Surgiram muitas propostas de aprimoramento e eu anotei, me posicionei e reconheci as falhas do ministério", conta Juca. "O que fica é o apoio imenso, uma consciência de que estamos no caminho certo, de que chegou a hora de o Brasil democratizar o acesso à cultura. O Estado tem responsabilidade, não queremos dirigismo de jeito nenhum".

Juca comentou os editoriais dos principais jornais do estado de São Paulo, onde era pedido que o Vale Cultura indicasse o que as pessoas deveriam consumir. "Na minha gramática isso está no departamento de dirigismo, porque toda a forma de cultura tem o seu valor, o papel do
estado não é dizer o que as pessoas devem consumir, nem fortalecer tendências, nem criar artistas oficiais ou áreas da cultura", disse o ministro, indignado com o pedido dos jornais. "O nosso
papel é criar a possibilidade de que todos tenham acesso à cultura, ajudar a estruturar o país para que os produtos, bens e serviços culturais circulem. Cabe ao artista fazer suas peças, seus filmes, apresentarem suas propostas. A liberdade de escolha é sagrada, ninguém pode obrigar nada senão vão dormir na plateia", conclui ele.

Interatividade:
Você conhece algum projeto da Baixada que tenha sido contemplado com os recursos da Lei Rouanet?

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They care about us

MINISTRO NA BAIXADA

Oficineiro de Belford Roxo aproveita visita do ministro da cultura para mostrar orquestra de berimbau
por Josy Antunes

Logo na entrada do Tênis Clube de Mesquita, aqueles que se encaminhavam para o encontro com o Ministro da Cultura Juca Ferreira se deparavam com o símbolo do Olodun, pintado junto à frase "A dança é a linguagem da alma", além de berimbais e peças confeccionadas pelo artesão e oficineiro conhecido por Coab, seu nome artístico. A pintura foi feita, com o auxílio dele, por crianças entre 9 e 12 anos do CIEP 374 Augusto Rodrigues, localizado em Belford Roxo, onde ele realiza o projeto "Construção e Orquestra de Berimbau", que envolve a percussão, a parte histórica do Brasil, da África, da capoeira e do berimbau, passando inclusive por questões geográficas. Não deixando de fora a dança, motivo pelo qual o painel foi confeccionado. "A ideia da pintura surgiu das crianças, que estavam ensaiando para se apresentar num seminário de educação no próprio CIEP", conta Coab.

O símbolo, apesar de popularmente relacionado ao Olodum, foi escolhido por outro motivo: "Nós retiramos da camisa que o Michael Jackson utilizou pra gravar aquele clip lá no Santa Marta", explica o educador, sobre o video da música "They don´t care about us". A coreografia também foi mudada, com o intuito de fazer uma homenagem póstuma ao cantor. Sobre a expressiva frase também estampada no tecido preto, Coab confessa tê-la encontrado no orkut. "Aí começamos a rascunhar e a cada dia uma criança ia e pegava uma tintazinha", explica ele.

O trabalho desenvolvido na escola é uma continuidade do ideal de Darcy Ribeiro e Leonel Brizola, como explica Coab: "Junto com os CIEPs, eles trouxeram essa ideia de arte-educação para dentro da escola. A arte vem trabalhar junto na educação do ser humano", diz ele, que segue esse pensamento desde 1994, quando iniciou seu trabalho em escolas. Suas oficinas acontecem nos horários em que os alunos ficam ociosos, como por exemplo quando algum professor falta, evitando possíveis problemas para a direção. Entretanto, também acontecem no tempo vago entre um turno e outro, quando os alunos da manhã ficam depois do horário e os da tarde chegam mais cedo para participarem do momento, que acontece diariamente. Nele, os alunos ficam livres para manusear materiais de pintura e instrumentos musicais. "É gratificante você ver a criança que era tida como problemática se interessar pelo instrumento", garante.

Coab participa de um grupo que desenvolve projetos semelhantes ao realizado no Ciep 374, sempre envolvendo arte, capoeira e dança. Um dos próximos será em Tinguá. "Nosso trabalho é prazeroso, mas nós não temos tido reconhecimento de outras partes em questão financeira, espiritual tem de sobra", explica ele. Sobre o encontro daquela tarde de 28 de julho, Coab mantinha-se na expectativa: "O que se espera do encontro hoje com o ministério são soluções objetivas, pra necessidade de desenvolver um trabalho nessa área cultural". Para ele, os pontos de cultura representam um avanço significativo na política cultural brasileira, reforçando a esperança de concretizações necessárias para atender a demanda crescente por parte das crianças e adolescentes. "O que eu e os companheiros que estão na militância estamos reivindicando é esse acesso mais presente, mais pessoal e direto", declara ele, marcando um ponto a favor na vinda do ministro ao município de Mesquita. "Esse acesso direto é mais eficiente na busca pelas soluções, beneficiando a classe artística", garante ele, minutos antes da chegada de Juca Ferreira.


Interatividade:
Que outras atividades, onde os alunos possam usufruir de liberdade de manuseio de materiais, podem ser realizadas nos tempos livres nas escolas?

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Nós, da terceira idade

CERÂMICA

Grupo da terceira idade troca o tai-chi-chuan pelo teatro
por Hosana Souza

O que leva um grupo de senhoras a trocar o tai chi chuan pelo teatro? Com humor, Conceição dos Santos, de 68 anos, responde: “Estávamos ficando muito doloridas”. E é com esse humor que elas ensaiam no Espaço Cultural Nós da Baixada, onde conquistaram um lugar de honra no coração dos professores desde 2007.

Tudo começou quando a própria Conceição resolveu ir até o espaço a fim de saber se de fato o espaço recém-aberto na Cerâmica podia ser usado pela comunidade. “Como eu já conhecia o trabalho, perguntei ao Anderson se tinha como formar uma turma para o pessoal da terceira idade”, diz ela, como sempre animada.

O coordenador Anderson Dias, 30 anos, se surpreendeu com a abordagem daquele grupo que existia há um ano. Mas teve o maior prazer em criar uma turma só para elas, ainda que em princípio não estivesse pensando em trabalhar com turmas fechadas. Ele não se arrepende, ainda que tenha que trabalhar com uma carga de horária menor, restrita a um ensaio por semana. “A gente percebe a satisfação delas, que trazem os familiares para assistir. Foi um verdadeiro presente para nós”.

O resultado desse investimento foi apresentado no encerramento da mostra de esquetes realizada em meados de julho no palco do espaço cultural, com a cena “O churrasco”. O texto, escrito pelo próprio grupo, mostra com humor uma cena do cotidiano familiar. A cena foi criada durante um exercício com as palavras céu e inferno. “A partir das palavras-chave, eles imaginaram uma situação onde em um momento encontrava-se tudo às ‘mil maravilhas’ e em outro o extremo do desespero”, conta a professora Ana Paula Pinheiro, 25 anos, responsável pela turma esse ano.

De um improviso em sala de aula surgiu um esquete com personagens que vão da vizinha fofoqueira ao cunhado galinha, passando pela ex-sogra que repara a casa e uma ex-mulher inconformada com a separação. “Coisas que você encontra em qualquer família e que de alguma forma eles pegaram da memória e trouxeram para a peça”, comenta Ana Paula.

Mais do que uma companhia teatral, o grupo transformou-se em uma família. Eles conversam sobre a vida, dividem alegrias e tristezas, brigam, riem, almoçam juntos e acima de tudo apoiam um ao outro. Um bom exemplo dessa união é o cuidado que todos têm pelo filho autista de Kátia Moran, 46 anos. “Meu filho Rafael vivia no mundo dele, somente eu, e muito mal, conseguia tirá-lo de lá”, conta a atriz, que é de Nilópolis. “Mas por incrível que pareça aqui ele se solta, ri com os ensaios, adora vir”, acrescenta ela, que fez do teatro uma terapia por tudo que já passou com Rafael e uma separação. Foi graças ao grupo que, além de ter evitado uma depressão, voltou a estudar e até conseguiu inscrever o filho em uma oficina no centro do Rio de Janeiro.

Stephany dos Moran, filha mais nova de Kátia, percebeu a melhora da mãe. E por isso relevou o nervosismo da atriz às vésperas da apresentação do grupo. “Ela praticamente enlouquece”, lamenta Stephany. “Começa a falar sozinha, briga comigo usando os trechos das falas dela, mas eu sempre a apoiei porque sei o quanto esse grupo a deixa feliz.” É por isso que ela faz questão de acompanhar os ensaios e as apresentações do grupo.


Interatividade:
Conte a história de algum idoso de sua família que tenha ficado mais feliz depois de participar de alguma atividade relacionada à terceira idade.

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terça-feira, 28 de julho de 2009

Conversando a gente se ajuda

AUSTIN

Terapia comunitária estreita os laços entre alunos, pais, funcionários e todos que queiram participar
por Nany Rabello

Nas escolas de Austin está acontecendo um trabalho diferenciado com os alunos, funcionários, pais, estagiários e participantes do projeto 'Minha Rua Tem História'. É a terapia comunitária, uma criação do psiquiatra cearense Adalberto Barreto que está ganhando o Brasil e o mundo. Em Nova Iguaçu, no entanto, essa nova modalidade da psicologia ainda está engatinhando. O Bairro-Escola é um dos poucos espaços que está acolhendo essa experiência.

Para Jurema Mendes Ferreira, que participou de uma roda de terapia comunitária no II Fórum de Educação, realizado em Nova Iguaçu no dia 11 de julho de 2008, essa abordagem é mais interessante que a terapia comum porque trabalha diretamente com a comunidade. “Apesar de ser uma área que eu não conheço muito bem, tenho vontade de trabalhar com isso!”, diz, também, Carla de Souza Silva, que descobriu o trabalho do psiquiatra cearense com a amiga Jurema.

Atualmente são vinte e um terapeutas em formação, para trabalhar nas escolas e nas próprias comunidades. Não é preciso ser um psicólogo para trabalhar com terapia comunitária. Basta passar pela oficina e ter o dom de saber ouvir.

Ao contrário do que muitos pensam, a terapia não é uma sessão de conselhos e advertências em que todos os problemas serão resolvidos. "É uma experiência de troca", lembra Jurema Ferreira. E as regras são simples. "Ouvir quando os outros falam, e falar quando todos se calam". Os terapeutas também fazem questão que os participantes da roda sempre falem na primeira pessoa, a partir de suas próprias vivências.

A roda começa com um “aquecimento”, em geral uma música que todos cantam juntos, para relaxar os ânimos. Todos se sentam em roda e cada um, na sua vez, se apresenta e diz sobre qual tema gostaria de debater e a razão para expô-lo. Os demais membros não podem dar conselhos ou opinar, mas caso lembrem de uma música ou texto podem compartilhá-lo com os demais. "Após todos sugerirem um tema para a roda, faz-se uma eleição daquele que mais mobilizou o grupo", explica Carla Silva. Todos votam.

Escolhido o tema, começa a terapia. Perguntas, experiências, lágrimas, compaixão, músicas, sorrisos, tudo é compartilhado entre os presentes. No final da terapia todos dão as mãos em roda e cantam juntos alguma música proposta pelas “terapeutas”. "Nessa hora, cada um fala o que trouxe para a terapia e o que levou da terapia", diz Jurema Ferreira.

O trabalho de terapia em grupo foi divulgado no SEJA pelas terapeutas Érica Costa Viese Campos, de 37 anos, e Jacira de Fátima Lacerda, de 40 anos. Segundo elas, a terapia é feita com quantas pessoas aparecerem, mesmo se for apenas uma. Ambas psicólogas, contam que se apaixonaram pelo trabalho de terapia comunitária e agora não querem outra vida.

Interatividade:
Vamos tentar fazer desse tópico uma amostra de terapia comunitária ? Compartilhe conosco uma experiência.

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Olhar de criança

FORMAÇÃO

Mediador de Jardim Pernambuco tenta ver o mundo como uma das crianças para melhorar suas oficinas
por Mayara Freire

Márcio dos Santos tem 31 anos e é um dos mediadores que estão mudando a vida de muitas crianças no horário integral. Há dois anos e meio trabalha na Escola Municipal José Ribeiro Guimarães, no bairro Jardim Pernambuco, em Nova Iguaçu. Estudante de História na UERJ, seu objetivo sempre é avaliar todas as formas possíveis de aprendizado ebuscar um meio de fazer com que os alunos sintam prazer ao realizar todas as atividades culturais.

Tudo teve início quando um amigo, já estagiário do Bairro-Escola, mostrou que seria uma ótima oportunidade de conseguir se desenvolver no ambiente escolar. “Como serei professor um dia, esta chance está sendo ótima para ter mais experiência com pessoas”, explica.

Para melhor desenvolvimento de todo o trabalho, Márcio espera ter sempre oportunidade de aprender coisas novas, como técnicas de animação para crianças, a fim de evitar a dispersão. O mediador ainda destaca a importância das aulas de formação para os oficineiros, onde eles aprimoram a forma de agir em aula. “Gostaria de aprender e aplicar nas aulas assuntos como criação de quadrinhos, mundo circense e repente”, conta.

Ele acredita que os próximos encontros de formação serão interessantes e criativos, mas acredita que só com uma pesquisa com os mediadores seria possível definir o que é preciso melhorar nas aulas de formação para o próximo semestre. “Poderia haver uma pesquisa sobre o que os mediadores querem aprender e trabalhar com as crianças”, sugere.

Márcio encanta ao revelar com profundidade todo seu trabalho e conta o que mais aprendeu: olhar o mundo pelos olhos da criança. “Assim ficou mais fácil lidar com elas”, afirma. Contudo, ele revela que as dificuldades ainda existem e admite não ter segurança plena ao realizar alguns trabalhos.

Porém, tudo se resolve ao final, com o sucesso de cada oficina realizada. “Depois de tudo pronto, vejo que valeu a pena”.

Interatividade:
O que você acha que as crianças gostariam de aprender?

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No colo da mãe

MÃES EDUCADORAS

Nova geração de mães educadoras se emocionam ao falar sobre o crescimento dos filhos
por Raphael Teixeira

Na primeira reunião de formação das Mães Educadoras, que aconteceu na Escola Municipal Monteiro Lobato no último dia 21 de julho, a nova geração de voluntarias mostrou a disposição que têm para se integrar no projeto que modifica a maneira como todos viam a participação das mães na educação dos filhos.

Em uma época em que todos falam da falta de tempo para a família, o projeto Mães Educadoras, da prefeitura de Nova Iguaçu, acaba com um grande tabu: o de que as mães só estavam com as crianças até o portão da escola.

Agora essa relação é bem mais próxima. “A mãe não só observa o desenvolvimento da criança, mas trabalha para que isso aconteça da melhor maneira possível. Em casa e na escola,” revela Bernadete Rufino, secretária adjunta de Educação e coordenadora do projeto Mães Educadoras.

É o caso de três mães, e amigas, que acabam de se juntar ao enorme grupo de voluntárias. Karina Modéstio, 29 anos, Juliana Fragoso, 26, e Marinalva Custódia, que não quis, nem sob tortura, revelar a idade apesar de ser linda e aparentar a mesma idade que as outras duas, moram em Vila de Cava e, após as férias, passarão a trabalhar na Escola Municipal Lúcia Viana Capelli.

“Saber que estamos próximas aos nossos filhos e que ainda podemos ajudar outros filhos é muito gratificante. E sempre acontece uma troca. Aprendemos muitas coisas com todos eles”, diz Karina, sendo aprovada pelas outras duas amigas.
O amor com que essas mães agarraram essa oportunidade é uma garantia de que o projeto vai dar certo mais uma vez. O comprometimento e carinho com que fazem da escola suas segundas casas é o segredo para a melhora no aprendizado dos filhos.

“Como somos amigas, conseguimos ver a mudança que esse projeto tem feito com nossos filhos. O filho da Juliana, Felipe, de 5 anos, ontem veio correndo para o colo da mãe dizer que já está escrevendo o próprio nome. Esses contecimentos nos dão vontade para estar cada vez mais próximas”, conta uma emocionada Marinalva.

Interatividade:
Qual foi sua reação ao saber que seu filho aprendeu a escrever?

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segunda-feira, 27 de julho de 2009

Família fortalecida

SEJA

Almanaque do UNICEF ajuda famílias a lidarem com adversidades
por Robert Tavares

O UNICEF e a Editora Globo criaram um instrumento lúdico com o objetivo de informar: o Almanaque da Família Brasileira. Ilustrado por Ziraldo, ele fala sobre direitos, a importância do apoio da família e da comunidade e os cuidados necessários para que as crianças cresçam saudáveis e felizes. Dividido em doze capítulos, a publicação é direcionada à mulher, mas tem dicas para toda a família.

Para Bernadete Rufino, secretária adjunta de Educação, o almanaque veio para esclarecer todas as dúvidas que existem nos nossos lares. “Chegou em boa hora”, afirma ela, que comandou sua distribuição no início do ano. Prova disso foi o trabalho desenvolvido no primeiro semestre pela ong F.B.F. (Família Brasileira Fortalecida), que tem atuação em lugares como Cabuçu, Posse, Vila de cava, Miguel Couto, Comendador Soares, KM32, Austin, Lagoinha, Alvorada, Figueira e Centro.

Essas mulheres foram divididas em quatro equipes - coordenação, socialização, síntese e avaliação - e a cada semana um assunto (citado pelo almanaque) era discutido. Essas mulheres citavam exemplos retirados da própria vida e uma tentava ajudar a outra, com o auxílio de uma psicóloga e uma supervisora. "O Almanaque vinha com a teoria e elas com a prática, pois tudo o que era citado elas já tinham vivido", diz Érica Araújo, que supervisionou 240 mulheres em Vila de Cava.

Sempre com a ajuda de dramatizações, músicas, dinâmicas e muito diálogo, a ONG teve um dos seus resultados mais satisfatórios. "Nós ficamos surpresas, pois não contávamos com a participação de tantas pessoas", conta Elaine Braga, que fez acompanhamento de 140 mulheres em Cabuçu. "Foi um trabalho altamente compensador tanto pra nós quanto pra elas".

O trabalho proposto pelo UNICEF é uma espécie de terapia, que trata o interior e o exterior da mulher. "Algumas delas tomavam remédios, eram impacientes, não se cuidavam e hoje em dia tudo é diferente, assim como aconteceu comigo", diz Maria Aparecida, que é moradora de Miguel Couto e mãe de três filhos (por esse e outros motivos, seu marido não a deixava trabalhar, estudar, nem ter amigas).

No início, Maria ia às reuniões escondida, mas no segundo mês a psicóloga aconselhou-a não apenas a abrir o jogo com o marido, mas a convidá-lo para fazer uma visita. Ele foi, gostou e a apoiou a participar definitivamente do grupo. "Eu aprendia aqui a lidar com meu marido e filhos e aplicava lá em casa". Em quatro meses, a vida deles mudou completamente. Hoje, Maria Aparecida vive bem com seu marido e filhos, está trabalhando e pretende retomar os estudos em 2010.

Interatividade:
E sua família, como soluciona os problemas do dia a dia?

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Vestindo a camisa

JOGOS DE INVERNO


Luana Garcia conta as dores e as delícias da vida de atleta
por Josy Antunes

Foi numa das visitas que o técnico João Luíz Gomes da Silva e sua esposa Martinha Gomes fizeram à Escola Municipal Orlando de Melo, no bairro da Posse, que os panfletos distribuídos chegaram às mãos de uma das meninas que hoje brilha na equipe Impacto, já pentacampeã na categoria livre do basquete intercolegial. Luana Garcia, na época com 14 anos, demonstrou um interesse imediato e uma empolgação comum aos jovens que buscam novas experiências. "Eu não levei muita fé, porque eu nunca pensei na minha vida em jogar baquete", admite ela, hoje com 17 anos.

Nas aulas de educação física na escola, Luana participava de todas as atividades, jogava de tudo um pouco. Porém, até então nenhum esporte em especial havia conquistado sua preferência. Depois de convencer sua amiga Andressa a participar com ela, o primeiro treino já estava estabelecido para a primeira terça-feira após a decisão, que foi conciliada com as aulas de inglês, às segundas e quartas. "No primeiro dia de aula eu cheguei perdida, não sabia como arremessar, e nem como pegar na bola", lembra a jovem. Jamais faltou aos dois treinos semanais, que aconteciam no SESC de Nova Iguaçu, esforçando-se para acompanhar o ritmo das outras meninas.

A recompensa chegou três meses depois: Luana foi escalada para treinar com as meninas da equipe, recebendo o colete oficial usado por elas. "Aquilo foi tudo pra mim, eu não esperava", conta ela, radiante. Para a menina, a escalação surgiu como uma vitória, depois do tempo em que passara observando a trajetória do time e pensando: "Será que um dia vou fazer o que elas estão fazendo? Será que um dia vou viajar que nem elas?". Jamais se vira jogando nada, muito menos em um time.

A primeira viagem, definitivamente como "jogadora de basquete", aconteceu logo em seguida. O destino foi Cachoeira de Macacu. Lá, as meninas passariam 15 dias em pré-temporada, acordando junto com o nascer do sol, participando de treinamentos preparatórios para um campeonato que viria na sequência. "Foram 15 dias de sufoco", lembra Luana. Mas outra vez a recompensa não tardou: ganhou uma bolsa de estudos no colégio Liceu Santa Mônica e um convite para ingressar no novo time que estava sendo formado, que iria participar das competições, prestes a se iniciarem. E em apenas sete meses, desde sua decisão de jogar basquete, Luana viu grandes mudanças acontecerem em sua vida. "Eu me senti muito orgulhosa, porque foi uma coisa que eu conquistei", comenta ela, colocando abaixo a desconfiança da mãe por conta de tantos benefícios vistos na filha.

A cobrança imposta pelo técnico João Luiz se faz presente também nas notas escolares, outro campo em que ela e as outras 25 bolsistas do time são obrigadas a dar o exemplo às mais novas e no próprio ambiente escolar. "Os professores nos elogiam muito, porque percebem que nossa dedicação é um pouco maior", afirma ela.

Mesmo sendo muito jovem, Luana tem uma rotina de atleta de longa data. Os treinos diários não abrem exceção nem para feriados, palavra quase desconhecida entre as meninas do Impacto. "Não tem descanso. Acabando um campeonato, por exemplo, já tem que começar tudo de novo. Recomeçar o treinamento", relata a jovem jogadora. Nos raros dias em que são liberadas, Luana prioriza uma atenção maior a questões escolares, colocando matérias em dia e estudando para provas. O computador torna-se um lazer e a menina ainda encontra tempo, nesses casos, para ajudar sua mãe. "Faço alguma coisa em casa para agradá-la", justifica-se pela ausência no auxílio a mãe nas tarefas domésticas.

Foi justamente o computador o motivo para que Luana ficasse de "castigo" no basquete. O motivo é que quando ocorre uma falta no treino, sem uma justificativa concreta, João Luíz estabelece uma regra única, válida para todas: 100 bandejas, seguidas de 100 lances-livres devem ser realizadas antes dos treinos, durante uma semana. "Minha mãe não sabia comprar o computador sozinha e disse que se eu não fosse junto, ela não compraria", recorda ela. Embora o computador fosse seu presente de 15 anos, a menina não escapou da punição.

A princípio, Luana ficava receosa em falar com o técnico, mas a convivência a fez descobrir a pessoa por trás das cobranças. "Antes era difícil, mas agora é normal. Tem horas que ele brinca com a gente", explica. Os horários de treinamento terminam comprometendo o convívio com os amigos que não o praticam. Hoje, o círculo de amizade de Luana, assim como das demais meninas, se encontra dentro do time. Mas os cuidados femininos e a vaidade não se abalam diante da rotina das quadras. "Os uniformes deixam a gente muito masculina. Mas eu não dispenso um brinco, uma maquiagem, uma coisa diferente", confessa Luana, que só tira os acessórios para dar lugar a um só objeto: a bola de basquete.

Para o futuro, Luana planeja cursar Educação Física e se manter no esporte, mas também pretende se especializar em Engenharia de Petróleo e Gás, além de ser apaixonada por geografia e inglês. "Um dia você pode machucar o joelho e aí não faz mais nada? Se acabar o basquete, o que você vai ser?", indaga ela. "O treinador não fala só pra gente treinar pra ser jogadora de basquete, ele pensa no nosso futuro também", conta ela, que, como as outras meninas, admiram a postura de João Luíz em relação ao projeto. "Quando a gente faz uma coisa que a gente gosta e a gente faz por amor, isso é natural", declara o técnico.

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Qual foi sua primeira conquista, independente de seus pais?

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Cultura reforçada



Mediadores de cultura receberão capacitação para atuar nas oficinas de aprendizagem
por Wanderson Silva

O Comitê Gestor do Bairro-Escola selecionou e capacitou alguns mediadores para ministrar oficinas de aprendizagem. A ideia da Secretaria de Educação de Nova Iguaçu é tornar o mediador responsável pelo desenvolvimento dessas oficinas, que englobam reforço escolar, português e matemática.

Em uma futura reunião, ainda sem data marcada, serão trabalhados métodos e algumas propostas de atividades usando jogos e exercícios, justamente para que eles aprendam como se comportar e o que fazer nas oficinas de aprendizagem e acompanhamento pedagógico.

O foco principal será o material de orientação da Prova Brasil, que avalia a média de aprendizagem de alunos matriculados, até o 9° ano, em escolas municipais. Esse material é fundamental para melhorar o desempenho dos alunos que possuem dificuldade de aprendizagem nas disciplinas básicas.

“Este estagiário atuará junto ao monitor para desenvolver linguagens culturais. Portanto, o estagiário fica responsável pelas atividades dos projetos e o monitor trabalha linguagens específicas da linguagem artística”, diz Mário Pires Simão, secretário adjunto do cotidiano escolar.

A preocupação não é só com o reforço escolar. Além das atividades de reforço, estão programadas atividades para discutir
informática, meio ambiente, direito e deveres do cidadão. Aliás, a maior preocupação do projeto é formar cidadãos conscientes e que respeitam o meio ambiente.

“O suporte é o trabalho em si. O desenho que temos articula oficina com o turno regular, para que os alunos tenham maior contato com língua portuguesa usando um material cedido pelo MEC. Utilizaremos esse material como base para orientar os estudantes no processo de leitura e escrita”, reforça Mário. Segundo ele, todo material já foi entregue para as escolas com proposta para o turno regular e o complementar. “Essa será a forma que vamos articular. É a maneira que acreditamos que funcionará", conclui.

Interatividade:
Sugira uma atividade cultural que possa ajudar as crianças a assimilar melhor o conteúdo das disciplinas básicas.

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Um novo desafio a cada dia

FORMAÇÃO

Para a mediadora Flávia Costa, paciência é a palavra chave
por Mayara Freire

"Cada dia é um aprendizado”, afirma a mediadora Flávia Costa, de 26 anos, sobre sua vivência nas oficinas do Bairro-Escola no colégio Ruy Afrânio Peixoto, em Miguel Couto. Nascida em Nova Iguaçu, a estudante de letras entrou no projeto em fevereiro e conta que aprendeu ter paciência com os alunos e a compreender o que eles esperam do mundo. "Percebo o quanto somos importantes para eles. Eles constantemente nos mostram como querem ser no futuro. Vejo que podemos contribuir na formação”, diz.

Flávia conheceu o projeto por intermédio de uma amiga, que a convidou para conhecer as oficinas. Encantada com a possibilidade de lidar com a diversidade e com o universo das crianças, ela resolveu trocar os dez anos de experiências em outras áreas para vestir a camisa do Bairro-Escola. “Isso é justamente o que quero melhorar cada vez mais”, conta.

Entretanto, as dificuldades não são poucas. Flávia avalia e considera importante ter consciência destes aspectos para uma realização mais proveitosa de seu trabalho. Tentar superar é seu lema, seja a falta de estrutura das escolas, evitar dispersão dos alunos ou até mesmo a diferença de personalidade entre os pequenos. “É a primeira vez que trabalho com um público carente, tendo que superar a falta de materiais e parceiros. No entanto, percebo o quanto aprendi neste contato. Cada dia é um desafio novo”.

A expectativa da mediadora sobre as próximas formações é grande, pois serão oferecidos diversos tipos de atividade que podem ser trabalhados com crianças. Flávia espera aprender novidades por intermédio das quais os alunos possam assimilar mais o conteúdo das oficinas e conquistar a atenção deles no dia a dia. Para ela, essa tarefa não é nada fácil.

Ela fez uma avaliação e destacou os principais pontos sobre a importância da cultura na vida deles. “Temos um papel fundamental em transmitir brincadeiras, pois despertamos a cultura e o lúdico nas crianças. Isso é essencial nessa fase e, por isso, acho que somos capazes de mudar vidas”, finaliza.

Interatividade:
Você tem paciência com criança?

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sexta-feira, 24 de julho de 2009

Filhinha

JOGOS DE INVERNO


Jogadora de basquete iguaçuana dá vitórias de presente a sua mãe
por Fernanda Bastos e fotos de Edson Borges

Jadilaine Medeiros Mendes da Silva, 17 anos, moradora do bairro Carmari, confessa que sua mãe, Dona Marluce da Conceição, 45 anos, sempre sonhou em ver sua filha jogando basquete. Devido a esse grande sonho de sua mãe, Jadilaine tornou-se atleta e depois se apaixonou pelo esporte. Mas se ela entrou no esporte para agradar a mão, não foi por causa dela que hoje representa Nova Iguaçu nos Jogos de Inverno. “Hoje estou no time por mim”, afirma.

Uma das recomendações dela é para valorizarmos sempre nossas amizades. Nossa atleta recorda que suas amigas, Luana e Taís, companheiras da sua ex- escola, Orlando de Melo, a incentivaram a sonhar, buscar e conquistar com e através do basquete. Com tantas apostas, Jadi voltou a praticar esse esporte impactante.

“Toda minha família me apoia muito, me incentiva bastante, me ajuda e auxiliam nos meus estudos. O que eu acho mais importante são suas palavras de estímulo. Eles sempre falam (mesmo eu estando tão ausente, devido ao basquete): 'Jadi, você vai longe, nunca desista dos seus sonhos, principalmente do basquete'”.

 Jogos de Inverno - Jadilaine Medeiros



Jadi está no time ‘Impacto Basquete’ há três anos e conta que houve grandes mudanças na sua vida desde então, até conquistar a camisa do time. A ‘filhinha da mamãe’ descreve essa conquista passo a passo.

“Primeiro eu comecei a jogar na Vila Olímpica. Depois, junto com as meninas, fui jogar no SESC, na categoria infantil. Eu tinha 14 anos quando conheci o técnico João Luiz Gomes da Silva, que me convidou para entrar no Impacto. Passei então a fazer parte desse grande time, que considero uma segunda família. Além disso, estou cursando o segundo ano do ensino médio no Liceu Santa Mônica graças a uma bolsa de estudos que consegui por intermédio do esporte.”

Jadi jogou na categoria juvenil nos Jogos de Inverno de Teresópolis, no dia 18 deste mês. E um pequeno detalhe: representando a cidade de Nova Iguaçu, ela, junto com as meninas, ganhou todos os jogos. Contra o Cachoeiras de Macacu foram 59x10. No intervalo após o segundo período, estava em 26x2 (foto) e contra o Três Rios ao final do dia, o massacre (com direito a apostas da comitiva – incluindo os jovens repórteres) foi de 81x19 (Edson havia apostado em 80).

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Qual sonho de sua mãe, ou de alguém especial pra você, te marcou a ponto de se tornar um dos seus sonhos?

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Homem de prata

JOGOS DE INVERNO


Rogério Lyrio e a equipe de Nova Iguaçu trazem a Medalha de Prata do Tênis de Mesa nos Jogos de Inverno 2009
por Edson Borges Vicente

Criador do evento “Baixada Open de Tênis de Mesa” (que, esse ano, será realizado na Vila Olímpica), o servidor público Rogério Reis Lyrio, 40 anos, é orgulho para a cidade de Nova Iguaçu. Convocado às pressas para compor as equipes que defenderiam o município nos Jogos de Inverno em Teresópolis, só conseguiu montar a equipe adulta masculina mas isso não o impediu de ter sua cadeira reservada na mesa dos medalhistas.

“Almar (o coordenador da modalidade em Nova Iguaçu) me chamou na quarta-feira, dizendo que já tinha que me apresentar na quinta. Só pude montar a equipe de adultos”, afirma o treinador, que não se assustou com a convocação por ter conhecido muita gente por ser organizador de evento. Se soubesse com antecedência, garante o servidor público, o tênis de Nova Iguaçu também seria representado por equipes femininas, juvenis e infantis.

Os heróis, além de Rogério, foram: Pedro da Silva Neves, 49 anos, e Marcos Borguezam Junior, 24 anos. Eles venceram o anfitrião Teresópolis (que é uma equipe federada) e encararam o Petrópolis (outra equipe federada). O vice-campeonato de prata teve sabor de ouro.

 Jogos de Inverno - Rogério Lyrio



Rogério é um esportista dedicado. Sua paixão pelo tênis de mesa começou através de amigos. A observação foi seu primeiro passo para ingressar no esporte. “Conheci gente que brincava e daí comecei a jogar”, conta, ressaltando que a derrota é um grande aprendizado. “Você vai jogando, jogando e aí perde. Então pensa: 'por que alguém consegue e a gente não? Daí joga mais ainda'”. Mas a derrota pura e simples não leva a lugar algum. Ele ensina que devemos perseverar. “Tem gente que perde e se acomoda. Desiste. Eu não! Se eu quero uma coisa eu corro atrás. Perdia de zero e continuava”.

Para os interessados em dar umas raquetadas, nosso homem de prata tem um conselho. Para ele a experiência dos outros é um material didático poderoso: “Tudo na vida é uma questão de começar. As pessoas têm que se espelhar em alguém. Você vê alguém jogando e tenta fazer também. Insiste, treina. Ao final, com esforço você aprende”.
Dono de sua ferramenta de trabalho, ele conta que confecciona suas raquetes comprando a borracha aderente e colando em casa. Há tipos para iniciantes que são mais acessíveis e já vêm montadas e importadas profissionais, que custam um pouco mais. Mas todos os bolsos podem ter umazinha pra se divertir. O que não pode é sair por aí dando raquetadas em ninguém. Confronto só na mesa do esporte que exige muita agilidade e concentração.

Mas, e a emoção da medalha? O que é estar diante de equipes formadas, oficializadas, federadas e dar trabalho para elas? Num evento estadual e representando uma cidade de quase 1 milhão de habitantes, trazer pra casa a prata é um grande feito. E para os homens da mesa isso é novo. Estão representando a Cidade-Perfume pela primeira vez. Rogério diz ter gostado muito do torneio e ficou muito satisfeito com o resultado diante das circunstâncias.

A prata nos Jogos de Inverno está longe de ser a maior conquista de Rogério Lyrio, que também ficou em segundo lugar nos Jogos Abertos do Interior, quando ainda morava em Queimados. Ele também organiza o Baixada Open desde 2003. “No último evento, 250 pessoas participaram mesmo com um dia de chuva. Se não chovesse, umas quarenta pessoas a mais teriam ido. Esse próximo, por ser na Vila olímpica, atrairá mais pessoas até por que a prefeitura está divulgando. A previsão é de cerca de 300 pessoas”. Afirma Rogério.

Pra não ficar só no “foi assim, foi assado” abaixo vão as informações sobre o próximo torneio de mesa. O 11º Baixada Open de Tênis de Mesa acontecerá em outubro na quadra da Vila Olímpica de Nova Iguaçu e receberá em quatro dias, somente categorias não federadas.

Dia 17/10 - Recreação grátis das 9 as 13h. A partir das 14h, supertorneio com os melhores jogadores do Rio de Janeiro.
Dia 18/10 – Torneio com as inscrições por um quilo de alimento e haverá jogos eliminatórios nas seguintes categorias: Mirim - Infantil - Juvenil e Adulto.
Dia 24/10 - Torneio recebendo estudantes de escolas da Baixada nas mesmas categorias.
Dia 25/10 - Outro torneio – Neste as inscrições serão R$ 5 nas categorias iniciantes como A-B-C e R$ 10 nas categorias amadoras, iniciando às 13h30.
As inscrições são, no dia, das 8h30 às 9h30.

Quer saber, é tanto jogo, tanta mesa que tá dando até fome. Mesa lembra também comida, prata lembra garfo e faca e quem quiser saber mais e tirar dúvidas o telefone de informações é 9407-0296 – falar com o próprio Rogério – o medalhista de prata da mesa.


Interatividade:
Você é do tipo que chora quando vê algum atleta recebendo alguma medalha conquistada?

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Para seu próprio bem

JOGOS DE INVERNO

Técnico João Luiz faz o estilo paizão das meninas que estão representando Nova Iguaçu nos Jogos de Inverno
por Josy Antunes

No sábado, dia 18, o amanhecer trouxe um grande grupo de jovens agasalhados para a entrada da Vila Olímpica de Nova Iguaçu. O ponto de encontro foi estabelecido para aguardar o ônibus que os levaria para o Ginásio Pedro Jahara, conhecido como "Pedrão", localizado na cidade de Teresópolis. Às 7 horas, o veículo já dava sinais de sua partida, com as portas abertas recebendo os atrasados. Uniformes, caixas de lanche, câmeras nas mãos, bolas e muita empolgação embarcaram para a viagem - que duraria cerca de duas horas - junto com treinadores e os jogadores que disputariam, no masculino e feminino, as seguintes categorias: Sub-17 e adulto.

Os Jogos de Inverno, que acontecem a cada ano em vários locais da região serrana, traziam naquele dia, para a quadra do ginásio, o basquete. Competem aqueles já consagrados em suas cidades de origem, como no caso da equipe Impacto, no qual as meninas pentacampeãs na categoria livre do intercolegial, lideradas pelo técnico João Luiz Gomes da Silva, foram - brilhantemente - nos representar. O projeto de incluir o público feminino no esporte começou em 1988 quando ele, na companhia da esposa, divulgou seus planos nas escolas municipais. "A gente queria chamar as meninas pra estarem com a gente, mas a questão do basquete feminino era bem mais complicada", lembra João Luiz.

Há seis anos o técnico desenvolve, além de seus trabalhos em escolas públicas e particulares, uma parceria com a Prefeitura de Nova Iguaçu, levando seus jovens atletas a todos os campeonatos que os exaustivos treinos lhes permitirem participar. Sua preocupação com essas jovens não se limita ao esporte. Além de ter conseguido 26 bolsas de estudos no Liceu Santa Mônica para as meninas que mais se dedicaram ao projeto, ele usa seu próprio carro para levar e buscar na universidade as jovens já formadas no ensino médio."Eu faço essa seleção duas vezes por ano", conta o técnico, que mantém a parceria com a escola desde que seu diretor se deu conta da importância do esporte e do talento das meninas. "Ele tinha uma cabeça boa. E foi abrindo espaço pra mim à medida que as competições começaram a dar resultados e a escola dele ia sendo mais divulgada", explica.

Os benefícios, claramente vistos nos resultados dos esforços das jovens, é um incentivo a mais para aquelas que estão ingressando no esporte. "Elas são uma referência para as meninas que chegam, que querem ser como elas um dia. E acho que o legal é isso", afirma com convicção o técnico. Mesmo quando o placar se mostrava extremamente favorável a Nova Iguaçu, João Luiz não descansava na beira da quadra, dando gritos de incentivo e broncas. Se alguma jogadora bobeasse, o time reserva já estava aquecido para entrar no jogo. Os constantes puxões de orelhas já não intimidam as meninas. "Elas sabem que isso é pro bem delas. Sabem que estou fazendo pra tentar melhorar", diz João.

A maratona de jogos do dia terminou por volta das 21h30, com uma vitória de 81 x 19 sobre a equipe da cidade de Vitória. Cada ponto marcado era comemorado pela torcida, composta de camisas brancas e laranjas da prefeitura de Nova Iguaçu, que gritava incansavelmente: "Oitenta, oitenta, oitenta!", louvavelmente atendido pelas meninas. "O grande sucesso do projeto é que elas entenderam que precisam muito do esporte e que ele pode mudar a vida delas", alega o técnico, pai e amigo.




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Os maiores motivadores em relação à vida, estudos e trabalho podem ser um familiar, um amigo, entre outros. Qual é o seu?

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