terça-feira, 21 de julho de 2009

Perto das crianças

CERÂMICA

Mãe voluntária pensa em cursar pedagogia para continuar trabalhando com crianças
Por Tatiana Sant’Anna.

Debaixo de um sol de 30° graus e com as mãos tentando tapar o rosto do sol para não perder a atenção nas crianças, Ana Paula Ferreira, de 34 anos, Ana Lúcia Santos, 40 e Maria da Conceição Silveira, 30, dão um “show” como mães voluntárias na Escola Municipal Estanislau Ribeiro do Amaral, na Cerâmica.

Numa rápida conversa depois do expediente, elas falaram que o dia havia sido muito tranquilo. “Se você viesse outro dia, não teria nem como a gente dar essa entrevista”, conta Ana Paula Ferreira, com um tímido sorriso no rosto. A timidez foi sendo deixada de lado à medida que a conversa evoluía.

“É como se cada história ali também te pertencesse. Quando uma criança falta a aula, eu sinto falta”, conta a mesma Ana Paula, sobre a sua relação com as crianças. Ela ficou muito emocionada e contou que o trabalho voluntário é recompensador. “Eu não sou uma mãe educadora, pois a cada dia aprendo algo novo com eles”, conclui.

Já para Maria da Conceição fazer uma oração antes de sair de casa se tornou essencial. “Todo dia, quando saio de casa, eu oro. E quando retorno, agradeço por mais um dia”, diz Maria, que ainda acha tudo muito novo. Ela também conta que com o voluntariado está aprendendo a escutar mais os seus filhos. “Os meus filhos já são grandes e aqui eu lido com crianças pequenas. Acabei aprendendo a ter mais paciência em escutar os meus filhos em casa. E isso é muito bom”, revela.

Trabalhando de segunda à sexta até as 13h e há apenas um mês exercendo essa função, as mães dizem que o tempo passou muito rápido, e que preferem viver um dia de cada vez. Ao todo são cinquenta e três crianças para elas tomarem conta. E a correria não para. “Temos que dar banho, almoço e ajudar a calçar o sapato nas crianças pequenas. O banho é a hora mais complicada. Tudo tem tempo, pois as crianças estudam à tarde”, explica.

Logo depois do trabalho, as mães correm para agilizar os trabalhos domésticos, como preparar o almoço e levar os filhos para a escola. Elas ganham uma bolsa auxílio todo mês, porém o grande ganho delas é poder trabalhar com as crianças. “Quando a gente chega em casa sente falta. Espero chegar o dia seguinte para começar tudo de novo”, revela Ana Lúcia. “Estamos todos os dia aqui esperando por eles”, completa, sorrindo lindamente.

Nessa sintonia, Ana Paula revelou querer voltar a estudar e fazer alguma coisa referente ao magistério. “Antes de ingressar no projeto, eu queria fazer comunicação social, mas agora quero continuar nesse ramo. Quero estar próxima das crianças”, diz ela, pensando seriamente em cursar faculdade de pedagogia.

Interatividade:
Conte a história de alguma mãe cuja vida tenha mudado depois que começou a trabalhar no Bairro-Escola.

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