quarta-feira, 22 de julho de 2009

Nós em cena

CERÂMICA

Teatro mostra a vida de quem mora no bairro Cerâmica
por Hosana Souza

O programa de oficinas culturais do grupo Nós da Baixada organizou, no último final de semana, uma mostra de cenas produzidas para aplicar os exercícios feitos na aula. Oito esquetes foram apresentadas, sendo que cada uma durava, em média, dez minutos. Nas cenas de improvisação crianças, jovens, adultos e idosos puderam mostrar à comunidade a beleza do teatro.

Anderson Dias, 30 anos, coordenador do programa, comenta que em momentos como esse a comunidade reconhece o esforço de quem vive e vê esse trabalho. Além da emoção dos que participam do programa.

“Colher esses bons frutos é gratificante. Nosso espaço é alugado, é pequeno e nós temos diversas dificuldades, mas poder mesclar as turmas, divulgar os textos organizados por eles e, talvez no final do ano, poder organizar um grande espetáculo mostra que os objetivos desenhados no início se tornaram maiores”, completa Anderson, que caminha há quatro anos com o Nós da Baixada.

Nas três sessões, a presença dos membros da comunidade foi constante. As cenas definidas como juvenil/adulto mostravam o cotidiano, falando com humor sobre as relações em família e sobre violência.

Glacy Machado, 45, é professora do programa e fala com orgulho sobre a mostra de cenas. “Na maioria das vezes é difícil lidar com as relações humanas. Trabalhar o teatro com essas crianças carentes, em uma realidade completamente diferente das que o freqüentam, requer um esforço maior. Eles fazem teatro sem nunca ter ido a um. Poder ver essas cenas hoje, é lindo”.

O programa atende 160 pessoas, dentre alunos de escolas municipais, escolas privadas e membros da comunidade. “Aqui a gente tira os meninos dos bailes funks, das esquinas e, principalmente, ajudá-los a verbalizar o que sentem, o que veem nas ruas. A gente lida com a violência que eles presenciam. Quando comentamos sobre as pessoas 'invisíveis na sociedade' como os mendigos, as prostitutas e os menores carentes, ensinamos também que o importante é olhar o que há por trás dessas pessoas, pois todos temos uma história”, diz Glacy. E conclui: “A arte pode e muda a vida desses jovens”.

O programa, além de trabalhar pela mudança na vida de muitas pessoas da comunidade, preza pela qualidade dos serviços prestados. “Nós não queremos que as pessoas venham aqui para ver as crianças como coitadinhas que fazem teatro, não. As pessoas vêm aqui para ver teatro e desejamos que elas entrem e saiam com novas idéias, falando: 'nossa como isso é legal, como eles são bons'”, diz Anderson.

Uma das alunas do programa, Karina de Jesus, 18, diz que o teatro mudou a vida da comunidade. Graças ao programa, eles se tornaram cidadãos conscientes e cultos. “Eu amo muito o teatro. Eu tenho isso aqui como a minha vida. Desejo poder cursar artes cênicas e ajudar outras pessoas também. Tudo o que eu sou e o que eu faço, devo a isso aqui”.

Em um programa como este, onde os erros são respeitados e transformados em acertos, pode-se perceber que as dificuldades não são motivos suficientes para impedir grandes ações.

Interatividade:
Conte uma história de seu bairro que poderia ser encenada pelo grupo Nós da Baixada.

Um comentário:

  1. Amei essa matéria. Muita criatividade da parte do Nós da Baixada. Ficou muito legal Hosana =)

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