quarta-feira, 29 de julho de 2009

They care about us

MINISTRO NA BAIXADA

Oficineiro de Belford Roxo aproveita visita do ministro da cultura para mostrar orquestra de berimbau
por Josy Antunes

Logo na entrada do Tênis Clube de Mesquita, aqueles que se encaminhavam para o encontro com o Ministro da Cultura Juca Ferreira se deparavam com o símbolo do Olodun, pintado junto à frase "A dança é a linguagem da alma", além de berimbais e peças confeccionadas pelo artesão e oficineiro conhecido por Coab, seu nome artístico. A pintura foi feita, com o auxílio dele, por crianças entre 9 e 12 anos do CIEP 374 Augusto Rodrigues, localizado em Belford Roxo, onde ele realiza o projeto "Construção e Orquestra de Berimbau", que envolve a percussão, a parte histórica do Brasil, da África, da capoeira e do berimbau, passando inclusive por questões geográficas. Não deixando de fora a dança, motivo pelo qual o painel foi confeccionado. "A ideia da pintura surgiu das crianças, que estavam ensaiando para se apresentar num seminário de educação no próprio CIEP", conta Coab.

O símbolo, apesar de popularmente relacionado ao Olodum, foi escolhido por outro motivo: "Nós retiramos da camisa que o Michael Jackson utilizou pra gravar aquele clip lá no Santa Marta", explica o educador, sobre o video da música "They don´t care about us". A coreografia também foi mudada, com o intuito de fazer uma homenagem póstuma ao cantor. Sobre a expressiva frase também estampada no tecido preto, Coab confessa tê-la encontrado no orkut. "Aí começamos a rascunhar e a cada dia uma criança ia e pegava uma tintazinha", explica ele.

O trabalho desenvolvido na escola é uma continuidade do ideal de Darcy Ribeiro e Leonel Brizola, como explica Coab: "Junto com os CIEPs, eles trouxeram essa ideia de arte-educação para dentro da escola. A arte vem trabalhar junto na educação do ser humano", diz ele, que segue esse pensamento desde 1994, quando iniciou seu trabalho em escolas. Suas oficinas acontecem nos horários em que os alunos ficam ociosos, como por exemplo quando algum professor falta, evitando possíveis problemas para a direção. Entretanto, também acontecem no tempo vago entre um turno e outro, quando os alunos da manhã ficam depois do horário e os da tarde chegam mais cedo para participarem do momento, que acontece diariamente. Nele, os alunos ficam livres para manusear materiais de pintura e instrumentos musicais. "É gratificante você ver a criança que era tida como problemática se interessar pelo instrumento", garante.

Coab participa de um grupo que desenvolve projetos semelhantes ao realizado no Ciep 374, sempre envolvendo arte, capoeira e dança. Um dos próximos será em Tinguá. "Nosso trabalho é prazeroso, mas nós não temos tido reconhecimento de outras partes em questão financeira, espiritual tem de sobra", explica ele. Sobre o encontro daquela tarde de 28 de julho, Coab mantinha-se na expectativa: "O que se espera do encontro hoje com o ministério são soluções objetivas, pra necessidade de desenvolver um trabalho nessa área cultural". Para ele, os pontos de cultura representam um avanço significativo na política cultural brasileira, reforçando a esperança de concretizações necessárias para atender a demanda crescente por parte das crianças e adolescentes. "O que eu e os companheiros que estão na militância estamos reivindicando é esse acesso mais presente, mais pessoal e direto", declara ele, marcando um ponto a favor na vinda do ministro ao município de Mesquita. "Esse acesso direto é mais eficiente na busca pelas soluções, beneficiando a classe artística", garante ele, minutos antes da chegada de Juca Ferreira.


Interatividade:
Que outras atividades, onde os alunos possam usufruir de liberdade de manuseio de materiais, podem ser realizadas nos tempos livres nas escolas?

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