sexta-feira, 20 de junho de 2008

O profeta do "Dono da Lua''

Jesus Cristo Voltará! Uma mensagem ou uma pessoa?

Por Breno Marques e Paulo Nino

Dono da Lua. É assim que o pastor João Raimundo Soares de Melo, de 76 anos, nomeia Deus. João, uma das figuras mais conhecidas de Nova Iguaçu, é popularmente conhecido como o profeta Jesus Cristo Voltará. Ele ronda a cidade a bordo de uma Fiat 147 com adesivos por fora e por dentro, com a seguinte frase: Jesus Cristo voltará! Ele faz isso há cerca de 20 anos. Ele já teve onze carros, contando com o mais novo. Tirando o décimo e o décimo primeiro, os outros foram parar no ferro-velho. "O primeiro foi para o ferro-velho, o segundo e o terceiro também, foi assim até o nono carro. O décimo está lá em casa, quebrado. Já está quase indo para ferro-velho'', afirma o pastor, achando engraçado o fato de todos os carros terem o mesmo fim.


Conversão de João
Na adolescência, João não era uma pessoa cristã. Ele bebia, fumava, freqüentava carnavais e festas. Tudo começou em 1954, quando ele tinha 22 anos. Ao ver um culto numa praça, resolveu aceitar Jesus. Naquele momento acontecia uma pregação sobre a morte de Jesus. "A pastora disse que Jesus morreu por todos nós e aí eu pensei: ´Ele morreu por mim!´ Foi aí que eu me converti'', revela João com alegria.
Começo da mensagem
João Raimundo, depois de se converter, começou a ler a Bíblia. Numa dessas leituras, conheceu o livro de João e Atos. Coincidência ou não, os dois livros diziam que Jesus Cristo voltaria. "A mensagem que eu anuncio só tem duas palavras e uma mensagem: Jesus Cristo voltará.''

Antes de ser pastor, João trabalhou cerca de dez anos na Casa Cutia, uma casa de tecidos no Centro do Rio. Com alguns funcionários evangélicos, João teve a idéia de passar a mensagem que lera na bíblia. "Comecei com folhetos. Eu botava folhetos enrolados nos pacotes dos clientes junto a cordões, elásticos, tecidos. Nele, constava o dizer: 'Jesus Cristo Voltará!'", explicou João. Mas nem todos gostavam dos bilhetes. Teve uma freguesa que reclamou com o patrão, que por sua vez lhe pediu para parar de entregar os bilhetes nas mãos das pessoas.

Quando João fez 10 anos de serviço, pediu para que o patrão fizesse uma carta de transferência para a Casa Arthur,
uma casa de tecidos do Largo do Machado. João queria passar a mensagem em outros lugares. Lá, João também ficou mais dez anos e passava os mesmos bilhetes, apesar de serem escondidos. "Um dia, eu estava botando os bilhetes no envelope de compras quando o doutor Felix, o dono da casa, me perguntou o que eu estava colocando nos pacotes das pessoas. Eu falei que estava colocando pedras preciosas e e ele disse: 'Se forem pedras preciosas, eu quero umas para colocar no meu sapato.'" João, com medo de ser demitido, foi até o dono da casa com um bilhete e explicou o que fizera. "Ele não brigou, mas pediu para que eu parasse de fazer aquilo.''

Insatisfeito com a proibição, João lembrou que, na Casa Cutia, havia dado uma Bíblia para cada funcionário. "Gostaria de fazer isso lá também." Como eram 90 funcionários e ele não tinha dinheiro para pagar todas as bíblias, pediu ajuda ao dono da Casa Arthur: "Será que o doutor me ajudaria?'' O comerciante concordou em dar as bíblias de presente.

João queria passar a mensagem para mais pessoas e pediu ao Dono da Lua para o tirasse da Casa Arthur e o colocasse nas filas de ônibus. "Quando completei dez anos de casa, eu me aposentei e comecei a percorrer as filas de ônibus de todo o Grande Rio." Para distribuir cerca de 5 mil bilhetes, passava, sempre a pé, por quase 400 filas de ônibus. Seguindo conselho do doutor Felix, ele entrou numa auto-escola e tirou a carteira.

João Raimundo não tinha dinheiro para comprar um carro, pois tinha que sustentar a esposa e os seis filhos. "Eu me baseio no Dono da Lua, que me encaminhou para um versículo da Bíblia que falava sobre como conseguir as coisas." João interpretou como a doação de um carro doado, que também chegou às suas mãos com base no mesmo versículo. "Todos os carros foram doados, inclusive esse. Peço ao Dono da Lua e ele usa alguém para doar", revela João, acreditando que os carros são enviados de Deus.Passando sufoco
Nesses 20 anos, João Raimundo Soares de Melo passou por várias enrascadas tentando passar a sua mensagem. "Uma vez eu estava num posto de gasolina e o capuz do carro começou a pegar fogo", conta ele, que foi salvo pela velocidade com que o frentista acionou o extintor de incêndio. A chuva também já castigou João. "Outra vez estava chovendo muito, mas eu tinha que sair para passar a mensagem e entrei em uma rua que alaga." Quando deu por si, a rua estava cheia de água, que subiu até o acento do banco do motorista. "Fiquei desesperado e saí do carro", lembra. "A enchente levou o carro até o final da rua. Logo em seguida, vieram mais uns três carros arrastados pela enchente e bateram no meu, que estava imprensado no muro'', lamenta-se João, com o ar de tristeza.

Enviado de Deus
Mas nem tudo é tristeza na vida de João. Uma vez, ele achou uma sacola de mercado em frente a sua casa, dentro da qual havia um menino com cinco dias de vida aos berros. "Chamaram a polícia para levar a criança, mas eu pedi para cuidar dela'', conta João, apesar de já ter então cinco filhos em casa. A sorte é que a esposa acabara de dar à luz e estava com as mamas cheias de leite. João batizou o filho com um nome bíblico, em homenagem ao Dono da Lua. "Batizei de Moisés, aquele que foi salvo das águas. Porque ali passava a enchente'', conta João.
O carro e a música
Do nada, João teve a idéia de encher seu carro de adesivos com a frase "Jesus Cristo voltará'', bordou roupas e fez uma música. "Tenho aproximadamente 400 letras na roupa, e no carro nem sei quantas." O pastor teve a idéia de compor a música quando conheceu o computador. "Eu pedi para fazer a música no computador, mas sou eu mesmo que canto'', sorri João, que põe a música para tocar em alto e bom som por todos os cantos da cidade.

A família de João
A família de João não entende o fato de ele sair pelas ruas passando a mensagem, achando que é maluquice. "A família não apóia, mas eu não ligo, não!", afirma. O Dono da Lua lhe disse que seguiria sozinho como João Baptista.O visual
O pastor conta que a barba branca e a túnica bordada, que lhe dão um ar de profeta maluco, não têm nada a ver com promessa. "Ando assim porque gosto'', diz ele. A barba é um desejo que alimentava desde a época da Casa Cutia, onde era marcado de perto pelos funcionários do departamento pessoal. "Deixei ela ficar grande assim porque li na Bíblia que os profetas tinham barba branca." Mas não era só no trabalho que havia implicância com a barba de João. "Minha mulher também implicava, mas eu não cortava'', afirma o pastor, dando risadas.

João já pediu ao Dono da Lua para viver até os cem anos de idade. "Só faltam 24 anos para chegar lá", contabiliza. Além desse pedido, o pastor revelou mais um desejo seu: "Quero ter mais um carro. O próximo vai ser branco com letras verdes'', fala João, com um ar sonhador.

As ajudas
O trabalho de João sobrevive graças às doações, que incluem carros, gasolina e refeições. "Os carros são doados pelas pessoas que gostam do meu trabalho. A gasolina vem de um posto que fica na Av. Nilo Peçanha, onde abasteço o carro todas as semanas. E o café da manhã, sempre tomo em Belford Roxo, numa igreja.''

João disse que o último carro foi mais um presente do Dono da Lua, que ele pediu com ardor durante a madrugada. No dia seguinte, ele foi ao sacolão e foi bafejado com a primeira de cinco doações. "Um rapaz de carro parou na minha frente, desceu o vidro e me ofereceu R$ 2 mil", conta o pastor. O mesmo rapaz, que disse que a grana era para trocar de carro, o chamou para uma reunião. "Lá, um médico que me deu mil reais e o mesmo cara me deu mais R$ 600." Logo depois, quando voltava para casa, ganhou R$ 400 do dono de uma casa de móveis. Para completar a saga, o proprietário do carro que tentou comprar com os R$ 4 mil ganhos naquela manhã topou fazer um abatimento de R$ 2 mil para ele. "Ele conhecia meu trabalho."
Carona para o prefeito
João diz que já deu carona até para o prefeito de Nova Iguaçu. "Uma vez veio esse rapaz que é prefeito de Nova Iguaçu, o Lindemberg Farias, e entrou no meu carro. Fui com ele até o final da rua'', diz ele.

Perguntamos ao João Raimundo Soares de Melo: se ele pudesse realizar um milagre, qual seria?

"Queria ter o dom de curar as pessoas'', finaliza João, pensando no próximo e aumentando o volume da música que toca sem parar em seu carro:

"Jesus Cristo voltará, voltará ,voltará
Jesus Cristo voltará, voltará ,voltará
Jesus está voltando, ele mandou anunciar
Passará o céu e a terra, mas sua palavra ele cumprirá''.

10 comentários:

  1. Melhor matéria que eu já li!!

    parabéns, bonitooo!

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  2. Eu conheço o filho dele "moisés" ele trabalhou comigo na Sec. de Juventude da Prefeitura de Nova Iguaçu. Ele não gosta de falar sobre o assunto, mas confirmou ser filho de João.

    Micaela Costa - Usando a conta do Felipe por preguiça!

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  3. Nossa nem tinha visto isso aqui,SOU neta dele.Me orgulho muitoo do meu avô e o amo muitoo s2 Parabéns Meu Velhiinho !

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  4. ELE É MEU PAI,E EU O AMO MUITO ANA

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  5. Amei o saite !

    Sou neta dele ,e tenho muito ORGULHO do meu vô.

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    1. Foi um dedicado ao Trabalho de Deus e sempre citava Isaias 55:11
      Muito humilde! Gostava de usar terno marrom.

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  6. vou fazer quase igual mas nao vo tocar so Jesus esta voltando vou tocar musicas evangelicas pregações MARCO FELICIANO ENTRE OUTROS e videos da NOM e o q a TV podre nao passa.. vou soltar o audio em grandes aglomerações e colocar um adesivo na picape que vou comprar... JESUS ESTA VOLTANDO PREPARE-SE

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  7. ISSO VAI SER AQUI NA REGIAO DO MATO GROSSO PRIMAVERA DO LESTE AMEM

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  8. Eu conheci o João Raimundo Soares de Melo numa Editora onde trabelhei. Tornei-me de funcionário a um distribuidor de folhetos bíblicos, inspirado pelo Rew. Benedito Natal Quintanilha que, havia se inspirado no trabalho realizado por João e formou uma equipe e, eu era um deles. Eramos três: - João - Murilo e eu o Jorge das Graças. Eu distribui uns sete milhões ou mais; parei em 1992 quando fui para um seminário. Me emocionei muito ao ler esta reportagem. Meu colega continuou até ir ao encontro do Dono da Lua que ilumina a todos alcançados por essa grande obra. João era humilde e Pacificador! (Sou o Poeta Jorge das Graças Rocha) Chorei de gratidão!

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