quinta-feira, 30 de julho de 2009

Para fascínio do Ministro

MINISTRO NA BAIXADA

Dançarina com síndrome de Down abre evento do Mesquita Tênis Clube
por Josy Antunes e Hosana Souza // Fotos Alexia Souza


“Eu gosto de poder participar. Eu amo a dança”, diz com graça e timidez Ana Claudia Gonçalves, 30 anos, portadora da síndrome de Down. Convidada para fazer a abertura do encontro com o Ministro da Cultura, Juca Ferreira, em Mesquita, ela encantou a todos em um solo com a música Fascinação.
Estudante da rede municipal de Mesquita e membro do projeto "Em Mesquita Criança Faz Arte", Ana mostra que para o talento não há limites. Ela já esteve em Niterói, Nova Iguaçu, Paraty, Rio da Ostras – aqui no Rio de Janeiro – e na cidade de São Sebastião, em São Paulo.

Pelo caminho de Aninha contou, e conta, com muitos fãs e colaboradores, mas conta principalmente com a força de vontade e o carinho de sua avó, Zuleica Pinto, 79 anos, que é responsável por ela desde seus sete anos de idade. “A mãe dela teve outro filho e tirou ela da escola. Eu não achava justo privar ela da vida, e como eu estava próxima a pedir a aposentadoria resolvi trazer ela para morar comigo”, diz a simpática avó.
Ana fez um ano de equoterapia, onde adquiriu postura para o balé. Fez também natação e hoje une a rotina da dança com as aulas de tae kwon do. Toda essa energia se deve ao exemplo da avó, que apoia e auxilia todos os sonhos da bailarina: “Em tudo o que posso levo a Aninha, seja apresentação, vaga em oficina, qualquer coisa que possa fazer bem a ela”, diz a avó. “Ela já se apresentou na Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro e participou da construção do livro ‘Nossa Gente’”.

A trajetória de Ana no balé teve início 1994, quando estudava em uma escola especial em Nilópolis. O então prefeito iniciou um projeto para que as crianças especiais pudessem fazer aulas de dança. O projeto durou apenas um ano, mas o talento e a simpatia de Ana, somados ao carinho e dedicação de Dona Zuleica, fizeram com que ela fosse descoberta pela academia de dança "Vânia Valle" em Mesquita. Hoje, Ana recebe a proposta de dançar na cidade de Santos, em São Paulo, mas nada está resolvido ainda.

Aos poucos, Ana nos conta sobre os ensaios e apresentações. Com um tímido, porém contagiante sorriso, ela comenta sobre uma coreografia que faz com Gabriel, também portador da Síndrome de Down e bailarino na mesma academia que ela: “Ele me segura no ar, mas é rapidinho. Eu não tenho medo, confio nele”.

A oportunidade para estar na abertura do evento, Ana deve a Cristiane Pelinca, 35 anos, idealizadora do projeto “Em Mesquita Criança Faz Arte”. Cristiane diz que é gratificante poder descobrir e mostrar tantos talentos.

Outro talento, descoberto pelo projeto, e que emocionou os presentes no Tênis Clube de Mesquita, é Hadassa Áquila, 17 anos, que cantou a música "Fascinação" para a apresentação de Aninha.

Hadassa nos conta que a música está em seu sangue. Neta de um maestro e membro de uma família onde todos ou cantam ou tocam algum instrumento, a menina teve a oportunidade de gravar um CD em 2006 e desde a época do projeto sempre é convidada para participar e encantar eventos.

“O projeto me ajudou a me descobrir”, conta. “No começo eu era tímida, meio parada. Depois de alguns ensaios, os professores do projeto disseram: ‘vocês vão se apresentar.’ Quando eu subi em um palanque com várias pessoas me olhando, eu imaginei: é agora! E foi. Desde então eu aflorei o meu talento”, diz Hadassa. “Sempre há aquele frio na barriga, aquela ansiedade, mas no momento da apresentação eu simplesmente me apresento, não penso muito, deixo a emoção rolar”.

A parceria entre Ana e Hadassa ocorreu pela primeira vez essa tarde, porém Hadassa já teve a oportunidade de cantar com um coral de libras do projeto “Toques e toque", também interpretando a música Fascinação. A dupla, emocionante, mostrou que bons projetos quebram barreiras e que o incentivo à cultura trará, para Mesquita e para o Brasil, novos grandes talentos.



Interatividade:
Hadassa carrega o canto e a música como herança de sua família. Você tem algum talento "herdado"?

Um comentário:

  1. Pra quem quer conhecer a verdadeira história:
    Não foi exatamente o projeto que me descobriu.O projeto me ajudou a crescer e ampliar minha visão,foi muito importante pra mim.Sim essa herança MUSICAL e magnifica é de familia,e eles é quem me dão a maior força,quando iniciei no projeto minha familia e eu já tinha-mos planos de um cd solo, aos 7 ou 8 anos nós já fazia-mos esses planos, e o meu Deus sempre foi ao meu favor, graças a Deus e aminha familia sou quem sou hoje, tenho uma carreira solo, mas também nunca vou deixar de agradecer as queridas CRISTINA E CRISTIANE, as gêmeas mais simpaticas que já conheci,elas me deram a maior força durante e depois do projeto, nunca vou esquece-las.
    Hoje tenho um CD solo que tem por titulo: Eu Venci.
    Agradeço a Deus, a minha familia e todos os que sempre me apoiaram.
    Obrigado a todos.
    Obs: por favor troquem essa foto que esta feia D
    +.

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