quinta-feira, 23 de julho de 2009

Nunca na história da Baixada



Secretários de Cultura se reúnem pela primeira vez para discutir as mudanças na Lei Rouanet
por Giuseppe Stéfano, Jéssica de Oliveira e Lucas Lima

O ministro da Cultura Juca Ferreira visitará a Baixada Fluminense na próxima semana, onde se reunirá com os secretários de cultura da região para discutir as mudanças em curso na Lei Rouanet, lei de incentivo a políticas públicas na área cultural. Para se preparar para esse encontro, todos os secretários de cultura da Baixada se reuniram na Prefeitura Municipal de Nova Iguaçu na semana passada.

“É a primeira vez que os secretários de cultura da Baixada se reúnem”, lembrou Ana Jensen, de Duque de Caxias. “Eu acho que isso fortalece a todos nós e a região.” A secretária de Caxias é favorável ao projeto de lei proposto pelo ministro Juca Ferreira. “Atualmente, os recursos públicos e privados são muito concentrados em espetáculos de
grandes produções, em grandes peças, em grandes exposições, não apoiando a cultura popular.” O ministro tem percorrido o país com seu projeto embaixo do braço. A nova política cultural tem como objetivo desconcentrar os recursos de modo a dar mais acesso à cultura popular.

O secretário de Cultura de Nilópolis, o ator Augusto Vargas, acredita que tenha chegado a hora de se romper o histórico isolamento dos municípios da Baixada Fluminense. “Precisamos nos tornar um grupo político homogêneo, capaz de poder exigir dos governos, estadual e federal, uma ação mais contundente na região da Baixada.”

Essa união pode beneficiar toda a população da região. “Caxias, por exemplo, tem um teatro municipal maravilhoso que pode ser aberto a todos que fazem cultura nos outros municípios”, lembra a secretária Ana Jensen. “Mas se não sentarmos para conversar, isso nunca vai acontecer.”

Um dos planos discutidos pelos secretários de cultura foi a construção de um grande espaço multiuso, capaz de atender do teatro às artes plásticas, passando pela dança e pela música. “Os grandes espetáculos só não vêm de fora porque não tem espaço nem equipamento, tanto do governo estadual como do federal. Eu acho que isso pode ser um grande avanço”, aposta o secretário de Nilópolis.

Os secretários de Cultura da Baixada sabem que participam de uma guerra quase inglória, em que têm muita dificuldade para convencer o chefe do executivo a investir numa produção difícil de ser mensurada pelos eleitores. “Nós, que estamos no governo, precisamos fazer com que a cultura se torne uma política estratégica”, afirma a secretária de Caxias. “A cultura está em todo lugar.”

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