terça-feira, 21 de julho de 2009

Uma oficina especial

SEJA

Oficina mostra como SEJA se adaptou aos alunos especiais
por Edson Borges e Fernanda Bastos

A Oficina Ação e Reflexão, promovida pela Coordenadoria de Educação Especial da Secretaria de Educação, no II Fórum de Educação de Jovens e Adultos, teve como lema a formação de professores para promoção de cidadania aos portadores de necessidades especiais através da educação para a vida. Jogos, instrumentos pedagógicos e até mesmo coreografias foram expostos, revelando a multiplicidade de técnicas que auxiliam seu dia-a-dia e sua aprendizagem.

A oficina foi coordenada por Eliana Maia, coordenadora da Educação Especial do município. Os professores puderam aprender como ajudar alunos especiais, um universo que abrange pessoas com deficiência visual, auditiva, física ou mental de pequena ou média gravidade. Houve uma apresentação de vídeo no qual uma cadeirante dançava.

Os professores tiveram a oportunidade de se locomover na cadeira de rodas para sentir a sensação, dificuldades e potencialidades desta ferramenta. Na caixa sensorial, eles fizeram a atividade com os olhos vendados e foram desafiados a identificar os objetos.

Coordenadora - Eliana Maia



Com seus muitos anos de magistério dedicados à educação de surdos na rede estadual, a professora Eliane demonstrou com muita sensibilidade e propriedade os benefícios sociais da educação especial. Porém, de forma veemente ela condena a escola especial. “É uma segregação, não uma inclusão”, diz ela preferindo a assistência diferenciada em escolas comuns.

Dançando sem ouvir
Eliana expressa com muita convicção o valor cognitivo do desenvolvimento dos outros sentidos em pessoas com alguma deficiência. Em relação aos surdos, sua especialidade, ela ressalta o quanto aguçada é a sensibilidade se seus corpos, destacando sua capacidade de “sentir” os sons através da reverberação das ondas sonoras que são fisicamente mecânicas. “Eles percebem a música através da vibração (...) tenho alguns ex-alunos surdos que dançam forró, samba e outros ritmos com percussão marcada”, diz Eliana.

Outro fator destacado pela professora foi o ingresso de deficientes auditivos no ensino superior. “Você imagina o que é passar pra matemática surda?”, suspira a professora, comemorando a aprovação de uma de suas alunas para o vestibular de matemática da UFRJ. Quanto à aprendizagem, ela destaca a perda de 40% da informação pelos deficientes auditivos devido à pouca conversão da informação sonora para a visual em nossa sociedade. "Por isso, achamos de fundamental importância a formação de intérpretes de linguagem dos sinais."

Uma das atividades que os deficientes auditivos pode ser aproveitado é a produção de festas e eventos. “São os melhores para organizar a produção visual, quem senta para medir, ver a disposição das cores, criar... É uma noção de beleza, adequação, de cor, de tamanho impressionante. O surdo é a melhor pessoa para trabalhar com festa”, garante Eliana.

Mentes brilhantes
Este ano iniciou-se uma frente de trabalho para que a EJA possa atender alunos com deficiência mental. O sentido do trabalho é adequar o currículo para alunos com necessidades especiais para que os mesmos aprendam segundo suas necessidades, valorizando a cidadania e a leitura de mundo.

“Se o aluno não aprende a ler de acordo com a nossa estrutura linguística, ler e escrever, ele não vai aprender a ler o mundo para conhecer e se movimentar no seu espaço”, destaca ela.

O trabalho com as cores e com os desenhos das letras, por exemplo, permite a identificação de lugares, ônibus, etc.. (As matérias dos dias 29 e 30 de abril exemplificam essa situação na Escola Paul Harris da rede municipal). Limitada a sua aprendizagem por sua estrutura cognitiva, o aluno estará apto a sobreviver e com boa auto-estima. De forma especial, alunos com deficiência mental aprendem conceitos das ciências como o território, o tempo, as letras.

Saber qual ônibus pegar, o tempo que leva até a escola e identificar o local de descida pela paisagem são grandes avanços para eles. Aí estariam a geografia, a matemática, a biologia e as linguagens.

A avaliação da oficina foi positiva com bom número de participantes, embora problemas com a descrição da oficina na divulgação e credenciamento na Vila Olímpica fizeram com que ouvintes (como os que escrevem agora) não conseguissem chegar a tempo na sala, aliado ao nome da oficina que não destacava a educação especial. A equipe sentiu essa dificuldade, mas considerou gratificante a participação dos presentes.

Interatividade:
Conte algo especial que alguém especial que você conhece faz.

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