sexta-feira, 27 de março de 2009

Papo cabeça

Salão de beleza futurista atrai clientes na base do boca-a-boca
por Leandro Furtado e Marina Rosa / fotos de Leandro Furtado

Tesouras, pente, espelho, gilete, propagandas anônimas e câmeras. Esses são os ingredientes que dão um charme futurista ao salão de beleza da rua Maria Leopoldina, 1222, em Jardim Tropical, comandado pelo cabeleireiro Alexsander Policarpo, de 33 anos.

Não há placas, faixas, banner ou qualquer outro tipo de divulgação visual na frente do salão, cuja porta se abre automaticamente para o cliente que apertar a campainha. A ausência de propaganda é intencional. “Acredito no boca-a-boca”, diz Alex, como o cabeleireiro é chamado pelos clientes. “É essa assim que divulgo o meu trabalho desde a nossa inauguração, há oito anos.”

Alex ainda tentou fugir da profissão, preferindo a aridez de um curso de patologia clínica ao risco de ser visto como homossexual. “Só venci o preconceito quando conheci cabeleireiros heterossexuais”, revela ele, que, mesmo assim, não interrompeu o curso de patologia enquanto se preparava para a profissão que realmente desejava.

Incentivo dos amigos
Quando o curso, Alex não apenas havia se descoberto profissionalmente, como também já possuía a maiorias dos instrumentos de trabalho de um cabeleireiro. Mas só transformou a varanda de sua casa no seu primeiro salão por causa do incentivo moral e material dos amigos.”Ganhei uma cadeira de um amigo, um espelho da escola e uma máquina de cortar cabelo da minha mãe”, enumera.

Além do apoio material, os amigos se ofereceram como cobaias para que Alex desenvolvesse seu talento. “Eu fazia o que sabia na galera conhecida”, conta. Quando saíam do salão, eles se tornavam propagandas ambulantes dos seus dotes artísticos. “Graças a Deus, sempre agrado quem vem e talvez por isso a única divulgação de que preciso é o boca-a-boca”, orgulha-se.

Com a chegada dos novos clientes, Alex começou a investir no negócio. No segundo andar de sua casa, construiu uma sala de espera, a sala dos cortes e ainda um reservado para futuras instalações. Mas os investimentos não se restringiram à ampliação do espaço. “Queria oferecer coisas diferentes”, conta ele. Foi aí que teve a ideia das câmeras e da porta automática que dão um ar futurista ao seu salão.

Bairro tranquilo
Mas Alex não estava querendo transformar seu salão num monumento à paranoia por segurança, incompatível com um bairro tranquilo como o de Jardim Tropical. “Coloquei as câmeras por causa da porta automática”, esclarece. “Aquilo é uma potência do caramba e fiquei com medo de acontecer algum acidente, principalmente com as crianças que vêm no salão.” Ele não é nenhum deslumbrado com a tecnologia, mas o resultado deixou-o para lá de satisfeito.

Os clientes também gostam daquele ambiente e são de uma fidelidade canina. “Corto meu cabelo aqui desde que o Alex começou", conta Joel Andrade, de 80 anos, que gosta tanto do salão que muitas vezes só vai ali para matar o tempo. “Teve uma vez que deixei os caras do Jeito Moleque passarem na minha frente e eles pagaram meu cabelo e minha barba”, acrescenta.

Alexsander ainda tem muitos planos para o seu salão. Um de seus desejos é ampliar o negócio ao ponto de gerar empregos. “Isso pode me dar mais tempo livre e oportunidades aos que sonham em ter o seu próprio negócio.”

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