quinta-feira, 12 de março de 2009

A fé não costuma falhar

Por Robson Lopes

Também denominadas como benzeiras, as rezadeiras são uma espécie em extinção mesmo em cidades como Nova Iguaçu, uma das capitais do candomblé. Apesar disso, elas continuam curando as pessoas. Que o diga a dona de casa Sandra Maria, 49 anos. “Meu irmão já foi curado de espinhela caída por uma rezadeira.”

Como sugere o nome, o principal instrumento de trabalho delas é uma reza fervorosa, seguida de banhos de ervas medicinais. A preparação também é levada a sério. “Se tiver que rezar, na noite anterior não posso ter contato com o meu marido, ou beber”, explica Sandra Quintana de 54 anos. Cada reza tem um procedimento.

O aprendizado é restrito e secreto. “Meu avô foi rezadeiro”, acrescenta Dona Quintana. Além de identificar o seu dom, o avô de Dona Quintana lhe ensinou as primeiras rezas. Mas esse dom não faz com que perca a humildade. “Eu não curo. Sou apenas um instrumento.”

Por mais poderosa que seja sua reza, ela só terá efeito se o doente compartilhar da fé de Dona Quintana. “Somente assim a moléstia pode ser retirada”, afirma ele, que se sente um elo entre Deus e os homens. “O dom é ativado com o sentimento de crença da cura.”

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