terça-feira, 24 de março de 2009

Guardiãs da fé

Mãe Beata explica por que as mulheres se destacam no candomblé
por Maicon Christian e
Giselle Reis / fotos Mazé Mixo

Beatriz Moreira Costa, conhecida como Mãe Beata de Yemanja, nasceu no dia 20 de Janeiro de 1931, no Vale do Iguape, no famoso Recôncavo Baiano. Embora traga na pele carimbos da exclusão social como os mulher, negra, nordestina, analfabeta e divorciada, a filha de Maria do Carmo contou com as bênçãos de Olorum (que no candomblé é o deus da visão) para ganhar o status de escritora, atriz, mãe, amante, amiga, consultora e advogada.

A sorte de Mãe Beata foi selada no próprio dia do nascimento, que ocorreu quando Maria do Carmo cedeu a um súbito desejo de comer peixe de água doce e, como não tinha em casa, foi até pescar no rio mais próximo. “A bolsa estourou quando ela estava dentro da água”, conta a mãe de santo mais conhecida de Nova Iguaçu. Desesperada, Maria do Carmo correu atrás da Afalá, Tia Afalá, a parteira do engenho no qual moravam. “Nasci numa encruzilhada, antes que minha mãe chegasse em casa.” Quando a velha africana as socorreu, avisou. “A menina é filha de filha de Exu e Yemanjá.”

Religião matriarcal
Embora não seja uma religião feminina, o candomblé é dominado pelas mulheres desde os seus primórdios. “Somos uma religião matriarcal porque, como na época dos escravos os homens iam trabalhar nas lavouras e nós ficávamos nas senzalas dos engenhos, tínhamos a obrigação de passar o nosso conhecimento para as filhas.” Esses conhecimentos abrangiam desde os cuidados com a casa até o respeito aos orixás

Para Mãe Beata, a tradição afro-americana foi preservada graças aos ensinamentos repassados de geração em geração pelas mulheres. “As religiões afros estão ai até hoje devido à força da mulher carregando ventre sagrado com o poder da criação.”

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