segunda-feira, 29 de junho de 2009

Vitória contra todas as adversidades

VILA DE CAVA

Segurança de Vila de Cava dá aulas de taekwondo a 50 crianças da Baixada
por Mayara Freire / fotos de Mayara Freire

Para quem nunca ouviu falar, a Associação Fluminense de Taekwondo Ivan Varela (AFTIV) existe na Baixada há mais de 30 anos. Com sede em Mesquita e filiais em Vila de Cava e Nova Brasília, em Nova Iguaçu, tem formado muitos jovens atletas dessa arte marcial coreana que surgiu há cerca de dois mil anos. A associação já conseguiu conquistar aproximadamente 200 medalhas em campeonatos pelo Brasil, com atletas de sete a 45 anos.

O segurança e treinador Giovani Rayá, morador de Vila de Cava, é professor de 50 crianças. Com muita dificuldade, conseguiu classificar oito jovens em disputas importantes, o mais novo com 12 anos. “Estamos conseguindo formar vários atletas. Um deles está na seletiva para o pan-americano. Temos dificuldades financeiras, pois nem todos têm condições de pagar. Contamos com alguns parceiros como igrejas da região, Associação Comunitária de Vila de Cava, os próprios pais e os atletas. É difícil, mas gostamos de vê-los crescendo no esporte, criando perspectiva de vida. É gratificante”, contou Rayá.

O treinador cedeu um espaço na sua própria casa para oferecer os treinos. No entanto, ainda faltam muitos recursos. A mensalidade é 10 reais, mas nem todos podem pagar. A falta de patrocínio é o grande problema enfrentado pela AFTIV. “O maior patrocinador são os pais, que com muita dificuldade tentam comprar uniforme, pagar viagens para disputar campeonatos, mas nem sempre temos sucesso em tudo. Um aluno foi classificado para disputar nos Estados Unidos e Turquia, mas não teve possibilidade de ir pela falta de dinheiro”, ressaltou.


Este aluno chama-se Fábio de Magalhães, de 16 anos. “Pensamos em ser profissionais e viver do esporte”, diz ele, ignorando todas as dificuldades. “É a nossa paixão.” A atleta medalhista Eliana Paiva, 12 anos, moradora de Vila de Cava, conta a dificuldade da ausência de patrocínio. “Comecei no taekwondo com10 anos. Através da minha prima, conheci o esporte e comecei a gostar. Hoje estou quase na faixa preta. Gosto de viajar com a equipe, porém às vezes falta dinheiro.”

Rayá explica os benefícios do taekwondo vão muito além do esporte. “Os pais admiram e gostam muito. Sempre chegam até a mim e dizem que as notas melhoraram, que estão mais tranquilos e que mudaram o comportamento dentro de casa. Pessoas que só ficavam na rua sem fazer nada produtivo, hoje treinam comigo. É importante socializar o jovem, melhorar na escola e ensinar a se relacionar com outras pessoas. Ensino o respeito ao próximo e a responsabilidade.”

A Associação de Taekwondo conta com 10 profissionais. Em Vila de Cava, as aulas acontecem nas segundas, quartas e sextas-feiras. Por ano, disputam em média seis campeonatos pelo Brasil. O próximo será em São Paulo, no mês de Julho, no Brasil Open. Cada atleta gastaria em média 320 reais, quantia que ainda não é garantida entre eles. Rayá brincou
dizendo que na última disputa em Porto Alegre, por exemplo, lutaram contra a falta de patrocínio, o frio e o adversário. Entretanto, outros fatores o incentiva: “É quase um trabalho voluntário, pois não ganho com isso. Porém, faço de coração para ajudar essas crianças a se envolverem com o esporte. É maravilhoso ver a alegria deles”.


Interatividade:
Você gostaria de viajar pelo Brasil participando de competições esportivas?

Um comentário:

  1. Parabéns Raya
    Bela materia. AFTIV Mesquita
    Professor Leandro Rodrigues

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