segunda-feira, 29 de junho de 2009

Haja saco

JARDIM PERNAMBUCO

Sacolinha de leitura ajuda a formar leitores na Ivonete

por Flávia Ferreira e Luíza Alves

A incentivadora à leitura Raquel Natal da Costa, 31 anos, trabalha com um projeto de leitura hácerca de um ano e meio na Escola Municipal Ivonete dos Santos Alves, em Jardim Pernambuco. A "Sacolinha Literária" incentiva os alunos a terem um contato mais próximo com a literatura. "As crianças são convidadas a pegar livros na biblioteca e levam na sacolinha para casa. Eles têm a data marcada para entregar o livro, mas como não temos tantos livros assim, eu faço duas turmas, tanto do horário integral quanto do regular", disse a incentivadora. Diferentemente do que se faz agora, as professoras costumavam ler os livros em sala de aula. De acordo com Raquel, o empréstimo de livros acabou ajudando os alunos a interagir com suas próprias famílias, uma vez que alguns não sabem ler e precisam da ajuda de algum familiar para fazê-lo. "Essa é uma forma de contaminar a família com o interesse pela leitura", aposta Raquel.

O trabalho está funcionando tão bem que, antes mesmo de Raquel chamar os alunos, eles a procuram para pegar os livros, algo que a surpreendeu. Inicialmente, ela teve receio de tirar os livros da escola, achando que as crianças não teriam cuidado e até que não os devolveriam. A responsabilidade dos baixinhos impressionou a professora. "Os alunos são super responsáveis, e claro que alguns atrasam mais são poucos
", diz a diretora Claudia Sales, que percebeu um aumento no rendimento escolar, principalmente o vocabulário e a escrita, depois do projeto. Ela prefere correr o risco de acontecer algo aos livros do que mantê-los presos em uma sala.

No entanto, para que esse empréstimo pudesse acontecer, duas semanas antes do projeto ser implantado houve todo um trabalho de conscientização com os alunos. Tudo para que eles tivessem cuidado com o que estariam levando para suas casas e a consciência de devolvê-los no prazo estipulado. "Comecei a contar histórias para estimular, falei dos livros, que eles estavam na biblioteca e que eles poderiam pegá-los, mostrei a sacolinha, e por ai foi", explicou ela.
Os livros vieram de uma compra que a Prefeitura realizou há dois anos, mas o estoque ainda é pequeno. Mesmo com a ajuda da comunidade, ainda se necessita de mais para suprir a demanda necessária. O colégio aceita e incentiva a doação de livros para sua biblioteca.

As sacolinhas que protegem os livros foram conseguidas junto à Secretaria Municipal de Educação (Semed). Elas foram um reaproveitamento das bolsas que sobraram do Fórum Mundial de Educação 2008, as quais sofreram algumas modificações para que fosse possível utilizá-las com as crianças. A proposta é sempre trabalhar a sacolinha literária com as demais atividades, para fazer uma integração entre todo ambiente escolar. "Isso é importante porque une os professores e os alunos em um só trabalho. Aqui as coisas só funcionam porque o trabalho é integrado", disse ela.

Uma das alunas mais fiéis à sacolinha é Andreza de Oliveira, aluna do 4º ano de oito anos de idade, cujo interesse pela leitura foi despertado com a leitura que a mãe fazia de “Cinderela”. “Assim que chego em casa tomo banho e se não tiver tarefa de casa começo a ler”, diz ela, que atualmente gosta mais de “Cachinhos dourados”. Vitor da Silva, aluno do 3º de 10 anos, também vive procurando a professora para pegar livros como “O menino maluquinho combatendo a dengue”, seu título favorito. “Fico chateado quando não é o dia da minha turma pegar livros”, diz o menino.


Interatividade:
O que impede você de doar livros para projetos como o da Ivonete?

Um comentário:

  1. A matéria ficou bem legal, mas pela foto, imaginei que vocês fossem falar sobre o Jornal Mural da Ivonete. (Rsrs*
    Mas mesmo assim, gostei muito. Parabéns!!!

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