terça-feira, 2 de junho de 2009

Alegria das ruas

Grupo Te Conto Umas faz formação com mediadores culturais
por Nany Rabello


Um espetáculo deles dura em média 50 minutos e dessa vez se estendeu por cerca de duas horas. O público para o qual costumam se apresentar também é outro, mas nada impediu o final feliz da apresentação do grupo Te Conto Umas na oficina de formação dos mediadores culturais do Bairro-Escola, coordenada pela secretária adjunta de Cultura e Turismo de Nova Iguaçu, a assistente social Sandra Mônica.
O grupo, atualmente formado do por quatro pessoas, trabalha há quase dez anos com música, roda, sorrisos e um bando de crianças. “Somos uma família”, afirma Alexandra Moraes. “Tem hora que nos amamos, mas tem hora que nos odiamos.” Também trabalham com ela os atores Luciano Pozino, Patrícia Vieira e Ricardo Vandré. Apenas Alexandra e Luciano participaram da formação no Espaço Cultural Sylvio Monteiro na última segunda-feira.
O grupo apresentou o espetáculo “Bolebas – vai pra rua, menino!”, que eles próprios escreveram com base em suas memórias de brincadeiras de rua. “Antigamente a rua era um lugar feliz”, lembra Alexandra Moraes. “Era na rua que se tinha o primeiro amigo, a primeira briga, o primeiro namorinho...” Um dos objetivos do grupo é desfazer um dos principais mitos da contemporaneidade, que tornou a rua em sinônimo de perigo.

Para reinserir a rua em nosso dia-a-dia, o grupo Te Conto Umas recorre à música e a um teatro expressivo, que faz intenso uso do corpo. “Mas a literatura é nosso caldeirão”, ressalva Alexandra Moraes, mais conhecida como Xandra.

Depois da apresentação de “Bolebas – vai pra rua, menino”, o grupo trocou algumas ideias com os mediadores culturais que estavam participando da formação e fez um trabalho com eles. Esse trabalho envolveu alongamentos, exercícios de respiração e de voz e, claro, brincadeiras e cantigas infantis.


Conforme a conversa foi fluindo, e a música foi sendo resgatada dos cantos empoeirados da memória dos mediadores, os sorrisos brotaram no rosto das pessoas presentes. “Para lidar com crianças é preciso estar disposto a ser criança, a brincar”, afirma Xandra.

O violão de Luciano Pozino era o principal instrumento de escavação arqueológica da história afetiva dos mediadores, já que foram poucos os que lembraram das músicas cujos títulos foram anunciados por Xandra. Mas quando Luciano começava a dedilhar enquanto Alexandra cantava, pouco a pouco, um por um ia acompanhando até todos estarem cantando e batendo palmas em perfeita harmonia com as músicas.

No fim do dia, além de terem excelentes idéias para as próximas oficinas, todos os presentes que se entregaram à magia do momento puderam deliciar-se com a lembrança de seus tempos de criança, pois ali mesmo, naquele palco do Especo Cultural Silvio Monteiro, onde tudo acontecia, todos regressaram ao passado e brincaram mais uma vez como crianças. Meus pintinhos venham cá, Linda Rosa Juvenil, Pai Francisco... todas brincadeiras de criança revividas pelos poetas de alma do grupo Te Conto Umas.

Até nossa querida Sandra Mônica não resistiu ao momento e se rendeu às brincadeiras, interpretando a “Mãe Rica” em “Eu sou Pobre Pobre Pobre de Marré Marré Marré.”
O que você acha que é preciso para trabalhar com crianças ?

Para obter mais informações sobre o grupo Te Conto Umas, acesse o link
http://www.tecontoumas.com/


Interatividade:

Pessoas tristes podem trabalhar com crianças?

Um comentário:

  1. Não sei se seriam indicados, mas milhares de pessoas tristes trabalham com crianças [fato]..

    O grupo parece ser bem legal e a mensagem da peça também parece ser interesante.

    Belo texto Rabello...!

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