sexta-feira, 19 de junho de 2009

A bicicleta de Jesus

MIGUEL COUTO

Carlinhos de Jesus faz matéria sobre Escola Livre de Cinema para RJ TV
por Josy Antunes

Na terça-feira, dia 16, os muros vermelhos da Escola Livre de Cinema chamaram mais atenção do que o habitual. É que dentro dele o ícone da dança - já conhecido e admirado por moradores e alunos - Carlinhos de Jesus gravava com sua equipe uma matéria para sua coluna no “RJ TV”. Nela, que é exibida toda quarta-feira na TV Globo, o dançarino vai até os locais para mostrar casos que, na ELC, são bem possíveis de serem encontrados. Como explica Amanda Garcia Dantas, responsável pela assessoria de imprensa da cultura, Bairro-Escola e esportes de Nova Iguaçu: “A coluna do Carlinhos tem esse perfil, de como alguma atividade modifica a vida social da pessoa que participou de determinado projeto”.

A partir desse perfil, a assessoria de imprensa consolidou uma pauta e enviou para a emissora. “Eles gostaram e entraram em contato com a gente”, conta Amanda. Feito isso, faz parte também do trabalho dos assessores viabilizar o contato com o produtor do programa, o repórter e com a ELC. “Foi preciso fazer contato com a escola e ver quem pode dar entrevista, quem quer”. Dois personagens foram selecionados: Veruska Thaylla e Cíntia Monsores. Ambas foram alunas da escola e hoje, além de funcionárias do local, seguem novos rumos.



“Eu achei muito bom, porque elas merecem. São pessoas que trabalham e se esforçam muito pelo que querem”, comenta Isabel Ferreira de Brito, auxiliar de serviços gerais da ELC e que acompanhou o crescimento profissional e pessoal das moças. “Era um sonho que elas nem pensavam em realizar e agora estão realizando”, completa. Isabel, que sempre quis conhecer Carlinhos de Jesus, aguardava ansiosa a chegada da equipe de reportagem e fez questão de anunciar quando a hora chegou. “Quando Carlinhos chegou, eu estava do lado de fora, vi e fiquei muito emocionada”, conta ela.

Nesse momento então, ele adentrou pela recepção colorida de almofadas e, exibindo seu grande sorriso, cumprimentou todos que o aguardavam. Enquanto câmera, tripé e equipamento de áudio e luz eram preparados, Carlinhos tratou de iniciar a pré-entrevista com Veruska. Vinda de Caxias, uma cidadezinha no interior de Maranhão, a atual coordenadora do Bairro-Escola na Escola Livre de Cinema poderia passar horas contando sobre sua vasta história. Porém, como a matéria produzida deveria ter menos de cinco minutos como produto final, a conversa prévia se fazia mais do que necessária, para que perguntas e respostas fossem objetivas quando a câmera estivesse gravando. “O nosso tempo é curto, estou te ouvindo e já decupando isso na minha cabeça”, disse Carlinhos durante a conversa.

Início da gravação
Depois de se inteirar da história das duas entrevistadas, ele se mostrou surpreso: “Você vê que maravilha, cinema aqui em Miguel Couto, em Nova Iguaçu. Nem eu no meu bairro tinha uma parada dessas.” Cristiane Braz, diretora da ELC, acompanhava o processo e completava com as informações necessárias, explicando o projeto “Reperiferia”, do qual – junto com o Bairro-Escola – a ELC faz parte. “Por onde a gente passa deixamos ex-alunos, e eles vão criando outras coisas, outros braços que vão agregando nosso trabalho”, explica ela, sempre elogiando Veruska, que hoje tem uma companhia teatral, e Cíntia, que faz faculdade de produção cultural. Com tudo preparado e roteiro já pronto na cabeça de Carlinhos, a gravação estava prestes a começar.

No andar superior, uma turma de alunos do Bairro-Escola estava no meio de sua aula de animação. Após Cris explicar brevemente a metodologia e o trabalho que estavam realizando com os contos de Câmara Cascudo, Carlinhos não teve dúvidas em querer conhecer aquela turminha e iniciar a gravação com eles. Do lado de fora da sala, num espaço onde há homens azuis caminhando pintados nas paredes, ele se divertiu imitando aqueles passos. Entrevistou Veruska no meio da criançada, sentou ao lado delas e fez um boneco de massinha que nomeou de “Coisinha de Jesus”, distribui abraços, beijos e muitos sorrisos. Tudo isso durante o pouco tempo em que ficou na aula, para não atrapalhar o andamento das produções do dia. “Foi muito legal a gente conhecer ele. Ele é muito simpático, espontâneo”, conta Adonai Luiz de Jesus dos Santos, de 11 anos, aluno do Janir Clementino.

Veruska, além de uma das entrevistadas, também participou da produção da gravação da matéria. E antes de marcar a visita de Carlinhos, pensou até na turma que estaria na aula de animação. “Eu já pensei no dia e horário que essa turma estaria, porque é uma turma que está mais acostumada com imprensa, por ser a turma mais antiga”, explica ela. Autorizações de imagem, preparação do roteiro e a vinda de Cíntia também ficaram a seu encargo. “Como ela trabalha em outro lugar (Escola Livre de Música Eletrônica), a gente teve que articular uma outra pessoa pra poder ficar no lugar dela.”

Chegou o momento da conversa com Cíntia, que também já havia passado pela pré-entrevista. Assim como os homens azuis, Carlinhos ficou encantado com as bicicletas na parte externa do prédio, e logo convenceu Cíntia a pedalar com ele, para abrir a gravação. “Eu nunca pedalei nessas bicicletas. Eu acho legal, mas pra crianças”, conta a moça rindo. Já convencida, os dois chamaram a atenção de quem passava e das mães que estavam buscando seus filhos na Escola Municipal Ana Maria Ramalho, que fica bem ao lado. Jhonatan Lacerda, de 14 anos, que tinha acabado de sair de sua aula de animação, fez questão de fotografar o momento com a câmera da ELC. “Estou fotografando por mim mesmo, ninguém me pediu. Tá sendo legal pra caramba”, afirma o menino, que também é aluno da Escola Municipal Janir Clementino. O destino das fotos é certo: “Vai pro blog da escola de cinema e depois pro meu orkut”, conta Jhonatan, que confessa já ter tentado imitar Carlinhos em seus passos de dança. “Mas não consegui não. Não sei nem sambar”, diverte-se ele.

Escola tem que ser conhecida por todo mundo
José Carlos, conhecido como “Seu Zé”, não escapou da entrevista com Carlinhos, que logo que soube que o senhor acompanhou todo o processo, correu com sua equipe para gravar. Seu Zé, mesmo com seu jeito reservado, não se negou: “A gente fica nervoso, mas o que acontece é o seguinte: quando você diz a verdade, o nervosismo vai embora”, declara. O dono do bar, que acompanha o desenvolvimento da ELC desde o início, se sente orgulhoso de ter feito parte dessa história. “Eles têm um trabalho fora de série para realizar isso ai”, diz apontando para o muro vermelho. “Acho que o mundo todo tem que conhecer essa escola”, afirma ele, concordando com o objetivo da matéria gravada por Carlinhos.

Finalizando a tarde de gravações, o dançarino e agora repórter entrevistou Cristiane Braz, num clima descontraído no meio das almofadas da recepção da escola, sobre as quais afirmou que se ficasse por cinco minutos, certamente dormiria.

Enquanto isso, do lado de fora, Janete Santana - que acompanhou a gravação externa enquanto esperava sua filha Lorrane Sthefany ser liberada da aula, na Ana Maria Ramalho – só lamentava a filha não ter chegado a tempo de ver Carlinhos de Jesus. “Eu achei tão legal”, diz ela lembrando da inusitada pedalada na fachada da ELC. “Pena que ela não pôde vê-lo.” A menina, que ainda olhava para os lados à procura da novidade, recebeu o conforto da mãe: “Vamos aguardar pra ver na televisão, porque vai ficar bonito, com certeza!”

A matéria vai ao ar dia 24 de junho, próxima quarta-feira, durante o RJ TV, na Rede Globo.




Interatividade:
Sugira uma pauta para a coluna de Carlinhos de Jesus, que tenha a mesma temática, em outro bairro de Nova Iguaçu.

3 comentários:

  1. Matéria muito detalhada. Somente estando bem atento pra perceber que simples ações podem se transformar em boas informações,desde uma brincadeira feita com pinturas na parede até uma frase que mostra o quanto o "Coisinha de Jesus" sentiu-se aconchegado.

    Tá na hora do JR ser a pauta tbm,não? Eu acho!

    Daniel Santos

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  2. Carlinhos de Jésus não é jornalista mas mostrou que pode dar conta do recado. Isso dá ânimo pra galera do jovem reporter para dar o seu melhor. Quem sabe o proximo entrevistador do RJ TV não pode ser um de nós? Galera, vamos fazer valer essa oportunidade profissional e pessoal. A gente tem tudo. Como o julio disse. A faca e o queijo (mesmo ainda comendo pão com manteiga).
    Parabéns Josy

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  3. Muito bom o trabalho da moçada.
    Parabéns Cris.
    Alê.

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