quinta-feira, 18 de junho de 2009

Luxo do lixo

JARDIM NOVA ERA

Crianças do Leopoldina catam brinquedos feitos com material reciclado na comunidade
por Fernando Bastos

Semana do meio ambiente é momento de refletir. Em uma sociedade cada vez mais marcada pela informática e pela robótica (e pelo lixo que provém dessas duas ciências), podemos aprender a respeitar o meio ambiente com brincadeiras antigas, aquelas muitas vezes feitas sem nenhuma ambição. Como assim? Através de brinquedos feitos com material reciclado (na verdade, reutilizados). E o mais legal disso é que a criança se diverte, cria, imagina e dá asas aos seus sonhos.

Pensando nisso e levando em consideração minha formação, resolvi chamar as crianças da Escola Municipal Professora Leopoldina M. B. de Barros para um desafio: coletar a maior quantidade de “receitas” de brinquedos por intermédio de entrevistas com os pais, avós, tios e irmãos mais velhos. E isso valeria um prêmio surpresa para quem levasse mais exemplos escritos e construídos.

A turma da vez foi coordenada pela mediadora cultural Francieli Ribeiro dos Santos, 23 anos. Ao todo, aproximadamente 40 crianças compõem a turma 501, do 5ª ano do ensino fundamental. Para ficar mais empolgante, o dia escolhido para a entrega e premiação da gincana foi o dia 5 de junho – dia mundial do meio ambiente. Por volta das 14h, a turma foi chamada para entregar seus “trabalhos” e todos estavam com uma grande expectativa. Várias crianças participaram, mas seis se destacaram.

• Wesley Severiano Mendes, 10 anos. Entrevistou quase toda a família e elencou os seguintes brinquedos, entre outros; de papel - Papagaio (o famoso “Jerequinho”, também de plástico), barquinho e avião, chapéu de pirata, bola carrinho (caixa de fósforo e de pasta de dente); de latinha – panela, carrinho (também de garrafa pet) e de isopor – avião, além de jangada de palito de picolé.

• Amanda Leandro da Silva Neves, 10 anos. Entrevistou os pais, tios e um irmão. Trouxe mais roupinhas e bonecas de papel, papelão e madeira, sofá de caixa de fósforos, cama de papelão, boneca de pano, boliche com latas de óleo, bolinha de meia com terra, casinhas de caixa de sapato ou de palitos de sorvete e cinematográficos cenários com fotos de revista.

• Nathanael Felipe Carvalho Pereira, 10 anos. Ele acrescentou com bolsas de caixa de leite, bolas de jornal e bolsa plástica, robô de lata, quadro de pregadores de roupa, casinha de palito de dente, vai-e-vem de garrafa pet com barbante, corrida de tampinhas, e flores de papel (dobraduras) e, pasmem, para os mais intelectuais, biblioteca de livros de tijolo.

• Stephani Cruz Silva, 10 anos. Entrevistou parentes e amigos, colheu coqueiros e árvores de garrafa pet, telefone (também de pet), coração e skate de madeira, flor de arrame, boneca de lata, quadro de garrafas, personagens de casca de laranja, pião e carro de madeira.

• Rayssa Vitória Ferreira da Silva, 10 anos. Mesmo com a enorme lista acima, ela ainda trouxe algumas “novidades” como flor de vidro de desodorante, ursinho de meia e algodão, bolsa de jornal, corda de fio, panelinha de pote de creme e um exemplo de consciência - lata de lixo de caixa de leite ou de papelão.

• Finalmente, a grande campeã – não pela quantidade, mas por ter sido a única a buscar e construir os brinquedos para a gincana – Ester Dias Silva, 10 anos. Ela embelezou a sala expondo suas obras – Um anel, duas pulseiras, um porta-retrato e um porta-copo (todos de jornal), além de uma bolsa de caixa de leite estilizada e um porta-joias personalizado de recorte de pet e um “brinquedo do Chaves” de pet, barbante e uma bolinha de papel.

Na verdade, todos saíram ganhando nesta brincadeira que demandou esforços de toda a turma, da professora e da mediadora. O bairro também saiu ganhando por possuir agora uma equipe de multiplicadores que farão questão de divulgar essa metodologia para a garotada. Tomara que isso sirva de exemplo para os adultos incentivarem mais as crianças a brincar e preservar o meio ambiente.

Como dito, temos muito a aprender com a memória das brincadeiras das gerações anteriores, mas a geração de agora mostrou que já sabe ensinar o que aprende. Do lixo surge o luxo. Do descarte brotam sonhos que, na mãos dos artistas mirins, ganham importância pela sua simplicidade e beleza.

Aos “ambientalistas” e “jovens repórteres por um dia”, mais uma vez, obrigada! Que este exemplo possa ser lido, escrito, recortado e colado por todos os que derem a sorte este belo trabalho.


Interatividade:
Mande sugestões de brinquedos diferentes dos que as crianças pesquisaram.

Quer inspiração?

Entre no link http://www.satc.edu.br/satc/fotos/2008/1010/materiais_reciclaveis.pdf

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