quarta-feira, 17 de junho de 2009

O morro, a igreja e as crianças

VILA DE CAVA
por Márcio Rufino (mediador cultural da Escola Municipal Orestes Bernardo Cabral)

Era como se fosse uma miragem
Era como se fosse além da paisagem
O enorme morro verdejante
Que ficava na frente da igreja delirante
Crianças produziam cambalhotas
Em desesperadas e dionisíacas galhofas.
O sol escondia a cara atrás da nuvem preta.
Depois a mostrava por baixo da nuvem fazendo careta.
Era como num filme de faroeste.
A gente chegava numa romaria
Numa viva imagem de tela campestre
Quando começava a adoecer o dia.
Os meninos ansiosos sufocavam o grilo
Na mesma mão que perseguia a borboleta.
Os olhos avistavam a enorme cruz
Que abrigava o pombo negro
Que descansava impávido em cima da igreja.
Mas as cambalhotas, as gritarias, as correrias,
O futebol, as bagunças
Não se podia pisar no capim escandalosamente verde
Apesar de a grama querer ser amada pelos pés nus das crianças
E uma menina comia assaí como se fosse sorvete.
O urubu dançava no ar seu voo solo
Profetizando, encenando e anunciando intensa chuva
Algo em minha natureza pedia colo.
Outra menina andava pra trás por todo o quarteirão da rua.
O urubu
O ourobú
O ouro burro que nascia das palavras do garoto
Que insistia em pular com um só pé
Depois lançava escandalosos arrotos
Por cima da oferenda de candomblé
A oferenda servida no chão da esquina
O banquete exposto no chão da encruzilhada
É a revelação da multiplicidade divina
De que Deus não diversifica só as massas.
O sonho se estabelece no agora
De um instante que brincava com seu centro
A menina me pede pra brincar lá fora
E eu digo a ela que lá fora é aqui dentro.

Para ler outros poemas de Rufino, visite os blogs e sites a seguir:

http://emaranhadorufiniano.blogspot.com/

http://po-de-poesia.blogspot.com/

http://www.overmundo.com.br/perfis/marcio-rufino

http://recantodasletras.uol.com.br/autores/marciorufino


Interatividade:
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Um comentário:

  1. Fico feliz por ter um poema de minha autoria postado no blog. Mas permita fazer uma correção. Não sou mediador do Ornélia Lipp e sim do Orestes Bernardo Cabral. Abrçs!!!

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