terça-feira, 9 de junho de 2009

Mão na massa

VILA DE CAVA

Padeiro mais antigo de Vila de Cava quer se tornar parceiro do Bairro-Escola
por Josy Antunes
Basta atravessar uma rua, uma praça e uma outra rua, um caminho feito em linha reta, para que os alunos da Escola Municipal Aminthas Pereira cheguem à “Padaria do Cacá”. A referida praça é a de Figueira, em Vila de Cava. O trajeto, realizado em novembro do ano passado por dois grupos – de cerca de 30 alunos cada – levou as crianças, esbanjando entusiasmo, à “Oficina de pão”. Lá elas foram foram recebidas pelo próprio Cacá, como é conhecido o proprietário Antônio Carlos Silva de Souza.

Pertencente à “Rede do Pão”, a “Padaria e Confeitaria Sant Anna e Carmo”- popular “Padaria do Cacá”- há 17 anos atende com exclusividade aos moradores e alunos dos arredores. E após anos de um bom relacionamento com a Aminthas, padaria e escola se uniram através da oficina, idealizada pela diretora Adriana Cláudia e o famoso padeiro local. “Tudo que é agradável para os alunos é muito bom pra mim”, garante Adriana, justificando a escolha da atividade: “Entrar na padaria e verificar como o pão é feito, com o carinho que foram recebidos, foi muito legal”. Para ela, além da aprendizagem, o evento aproximou os moradores do estabelecimento, uma relação de amizade foi instaurada. “Tirou aquela distância”, afirma.

Ao chegarem, os alunos atravessaram o “temido” balcão, adentraram a espaçosa cozinha, receberam toquinhas e fizeram todo o processo de higienização, para então se renderem à arte de produzir a partir das massas. A entrada das crianças, que tinham entre 9 e 10 anos, trouxe boas recordações a Alan Faustino, que ministrou a oficina junto de Cacá. “Quando a gente é pequeno e vê um pão na vitrine, fica pensando como é que a gente pode fazer aquilo, como é que a pessoa faz”, recorda ele. “Lembrei de mim mesmo quando era pequeno. Pra mim foi muito legal”, conta o rapaz, que carrega a paixão pela profissão desde menino.

Durante as duas horas que permaneceram no local, foram orientados sobre os ingredientes, receitas e, todos com a mão na massa, produziram tudo aquilo que os deixava com água na boca: pão doce, sonhos, pão de sal e bolo. “Eles ficaram encantados, pareciam que estavam vendo Papai Noel”, brinca Cacá. A proposta, porém, era que a quantidade de alunos presentes fosse reduzida, dividindo-os em mais grupos e horários. Dessa forma a atenção individual poderia ser maior e cada aluno levaria para casa uma sacolinha com diversos produtos. Essa intenção se mantém viva para futuras oficinas. “Estamos aí pra qualquer eventualidade e qualquer intercâmbio entre a escola e a padaria. Estou aqui pra atender e servir”, enfatiza Cacá, que aguarda apenas a efetivação de sua parceria com o Bairro-Escola.

Durante a experiência, a concepção que as crianças tinham da fabricação dos pães mudou completamente, como explica Cacá: “Viram que não é nada daquilo que as pessoas falam, que o pão é sujo.” Depois de tudo pronto, chegou a parte mais gratificante: a degustação. “A criançada comeu o bolo que fizeram, os pães. Ficaram satisfeitas”, lembra, orgulhoso, o padeiro Alan.
“Que a semente foi lançada eu garanto”, diz Cacá, que também é diretor do Sindicato dos Panificadores de Nova Iguaçu e fundou sua primeira padaria há 23 anos, no centro de Nova Iguaçu. Para ele a oficina foi e poderá ser de grande importância para os alunos do Aminthas, localizado numa região ainda carente de Vila de Cava. “Desperta neles o interesse para uma profissão, a valorização do pão, um elemento sagrado para a história e faz com que valorizem também o trabalho do padeiro”, explica.

Da infância, o empreendedor lembra das tardes em que, após as partidas de futebol, ia na padaria próxima de casa e comprava uma bisnaga de pão, ainda enrolada com papel e barbante. Assim como Alan Faustino, Cacá carregava o sonho com sabor de trigo. “Minha família era muito pobre, e eu tive a oportunidade de abrir uma padaria”, conta ele, pioneiro na área. Hoje, ele emprega em sua rede oito parentes. Seus dois filhos, entretanto, não demonstram o mesmo interesse que os alunos da escola municipal. “Eles gostam muito é do produto final”, brinca.
Depois do dia em que passaram os momentos em meio à farinha e ao cheirinho de pão, as crianças passavam pela padaria apontando e dizendo: “Eu fui lá dentro, eu fiz pão! Teve aquela motivação, aquele sentimento de que eles fizeram uma coisa legal”, conclui Cacá, após a experiência positiva, que pretende levar adiante.


Interatividade:
Em qual comércio do seu bairro seria possível aplicar uma oficina cultural diferente?

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