quarta-feira, 24 de junho de 2009

Dimenor

MIGUEL COUTO


Casa do Menor atende 3 mil crianças e adolescentes da Baixada
por Robert Tavares

São impressionantes os números da Casa do Menor São Miguel Arcanjo, instituição criada em 1986 pelo padre Renato Chiera depois de receber uma lista com 40 jovens marcados para morrer nas imediações da sua paróquia, em Miguel Couto. Nada menos que 3 mil crianças e adolescentes do Rio de Janeiro e do Ceará são atendidas pelas diversas oficinas e cursos profissionalizantes oferecidas nos três turnos do dia, mais cerca de 5 mil atendimentos mensais dos serviços sociais que presta à comunidade. "Promovemos a educação social, profissional e religiosa para crianças e adolescentes em situação de risco pessoal", conta o padre.

A Casa do Menor São Miguel Arcanjo, popularmente chamada de Casa do Menor, tenta assegurar o exercício do direito à vida, à dignidade e à vivência da cidadania por intermédio de uma batelada de cursos, que vão de mecânica elétrica à serralheria, passando pelo inglês, informática, silk screen, cabeleireiro, manicure e etiqueta, entre outros. As turmas atuais, que funcionam de segunda a sábado, têm em torno de 25 alunos. Após a conclusão dos cursos, os jovens são direcionados ao mercado de trabalho.

Parte da sua recuperação se deve à plêiade de profissionais no campo da saúde, que vão dos psicólogos aos clínicos gerais, passando por infectologistas e psiquiatras. Por seu trabalho exemplar, a Casa do Menor foi convidada para uma missão na África. Quatro pessoas, incluindo dois ex-internos, irão ministrar palestras para pessoas infectas pelo HIV e para dependentes químicos.

O padre Renato despertou para a violência contra os jovens em 1983, quando foi procurado em casa por "Pirata", cujo corpo estava banhado de sangue devido a um tiro no pescoço disparado por policiais. “Apesar de ferido, ele conseguiu escapar”, conta o padre, emocionando-se. “Esse menino vivia na rua, se drogava e estava envolvido com o narcotráfico.” Pirata dormiu em sua casa até o dia em que o padre Renato viu o muro da casa manchado de sangue. “Corri para o hospital, mas já era tarde.” Um detalhe aumentou a carga de dramaticidade daquele assassinato: na noite anterior, Pirata sonhara com a própria morte.

O impulso de ajudar os jovens vítimas da violência se tornou uma decisão irreversível quando recebeu 6 mil liras de amigos italianos. “Usei esse dinheiro para construir um cômodo para abrigar as 30 crianças e adolescentes que dormiam em minha casa”, lembra o padre. Foi o início. O nome Casa do Menor foi dado pelo grupo inicial de meninos e adolescentes que haviam acabado de encontrar um lar e formar uma família.


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