domingo, 16 de novembro de 2008

Uma mãe que não castiga

Depois da morte da mãe, Jéssica encontrou na irmã mais velha uma nova mãe
por Tatiana Sant’Anna

Tudo mudou na vida de Jéssica Nunes, 16 anos, após a morte de sua mãe, há dois anos. O diálogo nunca mais foi o mesmo. Suas conversas mudariam de lado, sendo agora direcionadas a Debi, sua irmã mais velha, de 24 anos.

Dividindo a casa onde mora com os seus dois irmãos, as coisas se apertaram após o falecimento da mãe de Jéssica. A única forma que encontrou para a resolução dos seus problemas foram as conversas com a Debi. “Tudo fica difícil quando um parente querido morre, ainda mais se tratando da sua mãe”, conta.

A palavra chave em sua casa é cooperação, onde todos colaboram com as suas obrigações. Há pouco tempo, Jéssica começou a trabalhar em um Shopping, no centro de Nova Iguaçu. "Para ajudar nas contas de casa", justifica.

Preocupação das meninas
A preocupação das meninas é com o seu irmão mais novo, Leonardo, de 9 anos de idade. Jéssica admite que não sabe como conversar com ele: “O Leo já não tem mãe", pondera. "Por que vou ficar pegando no pé dele?” Já sua irmã mais velha prefere não poupá-lo de suas obrigações, principalmente na hora de estudar: “A Debi exige mesmo. Sempre conversa com o Léo, vai à escola e pergunta como está nos estudos. Ela está sendo uma ‘mãezona’”, afirma Jéssica.

Os parentes mais próximos ajudam como podem, amparando e estando sempre presentes na casa das meninas. Eles orientam principalmente quando o assunto é namoro. “Perdi uma mãe e ganhei várias", afirma Jéssica. "Mas nada substitui o meu amor por ela”.

Quando a mãe de Jéssica era viva, elas não conversavam muito. "Eu adorava ficar na rua brincando e mamãe trabalhava o dia todo", lembra. "O máximo da troca de palavras entre a gente era em frente à televisão." Hoje, a jovem acha essencial a troca de experiências na família e não perde oportunidade de dialogar com a irmã.

Conselho
Jéssica e Debi costumam sentar na calçada para ver o caçula da família brincar, e aproveitam para colocar o papo em dia: “Conselho. Essa é a palavra que resume as nossas conversas." Ela admite que evoluiu após todas essas perdas. "Não sou mais aquela garotinha que ficava na rua brincado e xingando palavrões. Amadureci muito."

A irmã mais velha ganhou o status de mãe para Jéssica, com a vantagem de não brigar e não colocá-la de castigo. "Ela sabe que hoje eu tenho muito mais responsabilidade e que temos que nos unir para criarmos o nosso menino”, diz Jéssica, referindo-se ao seu irmão mais novo.

O diálogo será necessário tanto para Jéssica quanto para os irmãos. "É com ele que a gente está superando a falta que mamãe faz."

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