quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Boa sorte

Edison Rozalino sonhava com as nuvens, mas é feliz com as pedras
por Nathany Rozalino

Ser piloto da Aeronáutica, esse era o sonho de Edison Pereira Rozalino, morador de uma pequena cidade no interior do estado do Rio de Janeiro com o alvissareiro nome de Boa Sorte. Na hora de se alistar, teve que fazer uma difícil escolha: ir pra o Rio de Janeiro e realizar seu sonho ou terminar os estudos e arrumar um trabalho para ajudar a sua família, composta pela mãe costureira, três irmãs professoras e um irmão ainda criança.

Após a morte de seu pai, quando tinha apenas 14 anos, Edison foi mandado para um internato em Campos, onde se tornou técnico agrícola. Ao voltar para sua cidade, arrumou um emprego como administrador de fazenda, desistindo de seu sonho. Trocou de fazenda algumas vezes até conhecer "seu Fernando", que trabalhava para uma empresa de venda de calcário. Edison aceitou com entusiasmo a proposta de trabalho que lhe foi feita pelo "seu Fernando". Era gerente quando a empresa foi vendida.

Tentou a sorte indo no Espirito Santo e em Minas Gerais, mas teve que voltar com uma mão na frente e a outra atrás, onde reencontrou tanto a família quanto a antiga profissão e a sina de mudar de emprego a cada três anos. Terminou encontro sustento para a família com o próprio sogro, com o qual plantou uma horta. Trabalharam juntos até o sogro morrer, quando sua filha já tinha um ano.

Primeiros passos
Reencontrou-se então com "seu Fernando", que lhe ofereceu um emprego como comprador de calcário em uma pedreira na Ilha da Madeira. Apesar de não querer sair de sua terra novamente, ele aceitou. "Eu não puder ver os primeiros passos da minha filha, mas não quero deixar de ver nenhum dos outros passos que ela dará", disse ele dois anos depois para a esposa, quando a levou para morarem em Itaguaí. A companhia das duas preencheu o buraco deixado pela saudade da terra natal.

Dois anos depois foi chamado para trabalhar na pedreira Vigne, em Nova Iguaçu, onde trabalha há 14 anos. Seu futuro, como sempre foi até agora, é uma incógnita, pois a predreira será fechada em breve. "Eu só quero me aposentar e voltar pra minha casa, minha terra, minha família, que já passou tempo demais longe de mim."

Seu plano é esperar a filha terminar a faculdade e poder seguir sua vida sem depender dele. Voltará então para Boa Sorte, para cuidar do sítio herdado do pai. Nesse longo caminho que vai da terra às pedras não há arrependimentos. "Não realizei meu sonho de voar por aí, mas acho que foi melhor assim", conclui Edison, satisfeito com a vida que tem agora.

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