quarta-feira, 5 de novembro de 2008

O dia em que a cultura parou


Alunos de Produção Cultural param a Cultura em Nilópolis
Por Flávia Ferreira
Fotos de Louise Teixeira

Cerca de duzentos alunos da turma de Produção Cultural do CEFET-Química de Nilópolis se mobilizaram para para comemorar o Dia da Cultura. A data escolhida é uma homenagem ao nascimento do conselheiro de cultura Rui Barbosa, que nasceu no ano de 1849. Para essa comemorção, os alunos prepararam o evento 'Parada Cultural', uma manhã cheia de atrações culturais.

Segundo o aluno André Reis dos Santos, 30 anos, a comemoração nesta data foi feita para divulgar a escola e o curso da Produção Cultural. “Resolvemos ter a iniciativa e mostrar a cara”, disse ele, que está há 3 anos na escola e integra a equipe da Parada da Cultura.

Algumas pessoas podem até achar que a idéia deste evento surgiu do Coordenador do curso, Jorge Luis, mas ele garante que não tem nenhum mérito sobre a Parada Cultural. “Foi uma produção dos alunos", afirma o coordenador. "minha função foi só cuidar da parte burocrática, ou seja, de todas as liberações.”

A iniciativa é uma forma de mostrar a relevância da cultura na Baixada e como ela envolve e integra a comunidade. Esse fato se comprova na presença da escola de samba Beija-Flor de Nilópolis. Ela estava presente, representada por sua juventude. Passistas, bateria, mestre-sala e porta-bandeira levantavam a poeira do desânimo e enchiam o dia de muito samba, transformando o pátio da escola em uma verdadeira Sapucaí.

Houve também a participação do coral do Clube da Terceira Idade. Ele abriu o dia de comemoração com o Hino Nacional, emendando numa canção natalina e terminando com a conhecida música Jesus Cristo, composta por Roberto Carlos e Erasmo Carlos. Neste clube, mais de duzentas pessoas são atendidas, entre eles, jovens da comunidade de Nilópolis.

Simultaneamente, acontecia a exposição de fotos da jovem repórter Louise Teixeira, uma velha conhecida da Escola Agência de Comunicação. Além da mostra de pinturas dos alunos da escola, artesanatos da terceira idade e alguns instrumentos do museu de Ciência e Cultura também podiam ser vistos. Como se não bastasse, acontecia também oficinas de Dread Lock, maquiagem, malabares, além da exibição de dois curtas de ex-alunos do CEFETEQ: “O Amolador de Faca” e “São João Marcos”, além do curta feito por um ex-aluno da USP, "Nosso Parabéns para Freitas". A exibição aconteceu no auditório da escola, com inúmeras cadeiras quebradas, placas de gesso caindo do teto e várias infiltrações.

Fechando a festividade, os alunos fizeram um cortejo fantasiados de palhaço, acompanhados por um grande caminhão de som. Comandadas pelo samba da Beija-Flor de Nilópolis, várias pessoas saíram de suas casas, não resistindo ao alto, porém irresistível som. Elas sambavam na rua, nas calçadas e até se escondiam atrás do portão, mas não deixavam de espiar. A carreata saiu e retornou à escola, num percurso que durou cerca de 10 minutos.

Após a passeata, os alunos ainda estavam cheios de pique para a próxima parada: a da UFFRJ (Universidade Federal Fluminense do Rio de Janeiro). “Estamos prontas para outra. Tudo isso foi muito importante, pois conseguimos nos mostrar para a comunidade”, disse Louise.

Concordando com ela, Carina Freire, 19, achou muito proveitoso tudo o que aconteceu. “Mostramos para a comunidade que o nosso foco é a cultura, integrando toda a comunidade neste processo”, disse a jovem.

Para esses jovens, produtor cultural é gestor da cultura e não qualquer pessoa. Para este acontecimento, os alunos contaram com a parceria da prefeitura de Nilópolis, que disponibilizou o carro de som usado na hora da carreada cultural. Os alunos ficaram responsáveis pela divulgação do evento através de fôlderes, da Internet e do sempre eficiente boca-a-boca.

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