quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Deus mora perto de São Paulo

Jovem repórter narra sua viagem a São Paulo, onde participou das atividades do Itaú Cultural
Por Tatiana Sant’Anna

No aeroporto
Parecia uma viaje interplanetária. A minha primeira viagem de avião não foi assustadora e nem trágica. Prefiro dizer que foi inesquecível. Às 4h30 da manhã, antes mesmo do primeiro raio de luz aparecer no céu, o meu dia já começava e a preocupação de perder o primeiro vôo de avião também. Às 6h15, eu já estava no aeroporto Santos Dumont. Na verdade, era para eu estar lá às 7h, mas a ansiedade era tamanha, que cheguei mais que adiantada.

O vaivém daquelas pessoas me parecia interessante. O passo rápido, o celular na mão, a pressa... Loucura, loucura. Sentei-me no banco e fiquei na espera de Écio (de Salles), secretário adjunto de Cultura e Turismo de Nova Iguaçu, que seria o meu instrutor em São Paulo. Aliás, falar em São Paulo me deixava com enorme frio na barriga.

São Paulo... São Paulo... Para quem nunca tinha saído do seu “mundinho”, São Paulo era uma palavra estranha... Preocupante... Inovadora. Seria bom conhecer novos “ares”, adquirindo novos conhecimentos. Também era preocupante o fato de deixar a minha família... Minha mãe... Minha vida. Para aquela menina tímida, São Paulo seria um marco inesquecível na sua vida, com um gostinho de novos conhecimentos.

Écio chegou pontualmente às 7h. Paciente, me ensinou a fazer o tal do “check in”, e nisso iam se acumulando mais interrogações na minha cabeça. Até que não era tão difícil assim: entrar na fila, esperar alguns minutos até ser chamado no balcão, entregar a sua identidade e o número do vôo e, claro, dizer adeus a sua bagagem, pois só a teria de volta em São Paulo. Certo, que essas indicações todas, foram no meu caso.

Após o ritual da despedida da minha bagagem, ficamos Écio, minha mãe, o taxista (que tinha ido me levar) e eu esperando até a hora do embarque, que seria às 8h10. Até lá... Nossa! Que frio na barriga. Eu somente queria ficar sentada no banco e fazendo um questionário de perguntas de como era andar de avião.

“Tranqüilo”, respondia Écio, rindo das minhas “caretas” de preocupação. “E como é São Paulo? E o Itaú Cultural?”, e aí eram perguntas atrás de perguntas. Educado, Écio respondia com tranqüilidade a tudo que lhe perguntava.

A preocupação não era somente minha, mas da minha mãe também. A caçula dos Sant’Anna estava criando asas e andando pela primeira vez de avião. E não era só o avião, mas a primeira vez viajando sozinha e logo na primeira vez, para São Paulo. A preocupação, a ansiedade da semana passar rápido, também era dos meus irmãos mais velhos, que por sua vez, compartilhavam as difíceis horas de separação da mais nova da família.

E os minutos não passavam. Minutos... Minutos...Um... Cinco... Dez... Quinze... Vinte... Chegou! A hora mais esperada.

De braços dados com a minha adorável mãe, íamos caminhando normalmente. Na sala de embarque, só podia entrar quem i viajar, ficando minha mãe de fora. Depois da despedida e da saudade que sentiria dela durante uma semana, eu estava ansiosa pelo que me esperava em São Paulo.

Com destino a São Paulo
“Atenção, senhores passageiros...” e eu pensei: “É agora!”. Parecia uma “passagem mística”, que quando atravessasse aquele “tubo”, iria sair em outro mundo. E lá fomos nós. Uma parte do bilhete fica com a “aeromoça”, que confirma se realmente é o seu vôo, e outra com você. Depois começa tal “travessia”.

Já dentro do avião, eram três lugares de um lado e do outro. O meu assento era o 21A, que felizmente ficava na janela e um pouco no final do avião. Da janela, dava para observar o céu nublado do Rio de Janeiro e o que eu estava deixando para trás.

Para descontrair, ou o começo das histórias engraçadas, foi quando a aeromoça começou a errar: “- Atenção, senhores passageiros. Vôo com destino a Belo Horizonte.” Foi uma loucura. Uns riam e outros falavam que estavam no vôo errado... Até ela se desculpar pelo microfone e anunciar novamente: “- Atenção, senhores passageiros. Vôo com destino ao Rio de Janeiro.” Mas como destino ao Rio de Janeiro, se nós estávamos nele? Aí a gargalhada foi geral. Parecia um bando de crianças rindo da cara do palhaço, muito embora fossem executivos bem vestidos rindo às gargalhadas da pobre aeromoça. Novamente, a atrapalhada aeromoça anunciou: “- Atenção, senhores passageiros... Vôo com destino a São Paulo”. Aí sim, foi aquele “aê” com direito a palmas.

Ficamos uns cinco minutos parados até a hora da decolagem do avião, que mais parecia uma espaçonave indo em direção à lua, pela pressão na hora da decolagem. O frio na barriga aumentava, mas a vista de cima, mesmo com toda a neblina, mostrava que o Rio de Janeiro continuava lindo. A sensação de andar de avião era como se eu estivesse andando de elevador. Depois de uma longa subida, o avião se estabilizou e nada mais pude avistar. Mas parecia que eu tinha ido ao encontro de Deus, pelas belas nuvens branquinhas que apareciam, olhando da janela do avião. Nuvens e mais nuvens. Eu realmente estava perto de Deus.

Depois de uns vinte minutos no ar, o café da manhã foi servido. Que chique!, pensava. Em uma bandeja de papel, na qual foram servidos dois pães, manteiga, um garfo junto com uma faca e, num pote de plástico separado, estava o queijo e o presunto. Para beber, escolhi iogurte. Estava saboreando o meu primeiro café da manhã dentro de um avião, admirando uma bela paisagem. Que privilégio. Gostariam que muitos estivessem comigo naquele momento.

A grande São Paulo
Ao avistar de longe, as casas e prédios pequeninos formavam uma cidade imensa. Formavam a cidade que me esperava, a grande São Paulo. Diferentemente do Rio de Janeiro, São Paulo não estava tão nublada, mas cinzenta. O cinza a que me refiro é o da fumaça dos carros, caminhões e indústrias, que, juntas, deixam o ar de “Sampa” cinzento.

Conforme o avião ia pousando, em meios aos prédios que cercavam o aeroporto de Congonhas, eu observava a famosa “cidade vertical”. Prédios... Prédios... E mais prédios. Uma correria só. Você já desce do avião correndo, e a maratona começa: Pega o carrinho para pegar a sua bagagem, pega a bagagem e corre para a enorme fila de táxi, espera alguns minutos, entra em outra fila para a espera do táxi e finalmente... Consegue embarcar. E não pára por aí. Engarrafamento, sinal e um pra lá e cá de ruas e viadutos, que te deixam louco. Isso sim é uma cidade grande. Isso não quer dizer que seja tão diferente da minha “Cidade Maravilhosa”, onde os viadutos e túneis fazem parte da paisagem. Mas tudo é diferente a partir do momento que você sai do seu “habitát”.

São Paulo me aguardava e eu esperava os ensinamentos que obter nesta famosa cidade. Conhecimentos... Ensinamentos... Palavras que se misturavam em minha mente e me levavam a um só lugar: Itaú Cultural. Era de imensa responsabilidade minha não desapontar meu querido chefe Julio, meus colegas de trabalho e, claro, minha querida família. “Não fazer feio” era o meu lema. Tinha que me esforçar ao máximo. Tudo valia a pena. Todo aprendizado iria transformar a minha vida totalmente.

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