quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Filhos orgulhosos

Filhos se aproximam dos pais para contar a história de luta deles
por Flavia Ferreira

O dia foi de preparação para os jovens repórteres e seus coordenadores. Devido à Feira de Empregos que acontecerá na Vila Olímpica durante todo o final de semana, estratégias foram montadas para ser utilizadas pelos nossos jovens. Como foi pedido na reunião da última segunda-feira, os jovens levaram fotos ou algum objeto que lembrasse o histórico de trabalho de seus pais. Ao todo, doze histórias foram ouvidas em meio aos cochichos inevitáveis das quase sessenta vozes presentes. Após a reunião, o jornalista Anderson Fat e o fotógrafo Mazé Mixo gravaram uma versão reduzida desses depoimentos, que serão transmitidos por meio de um data show no estande do Jovem Repórter.

Narrativas sobre trabalho, sonhos, realizações e frustrações
As histórias abordaram sonhos, ideais, lutas, vitórias, derrotas e superações. Boas ou ruins, elas tiveram o grande mérito de aproximar os filhos de seus pais. Muitos foram tomados pela emoção. Esse foi o caso de Maicon Cristian, um lutador de 19 anos. Mais conhecido como "Dotadão", seu raciocínio chegou a ficar travado enquanto narrava com orgulho a história de luta de seu pai e de como sua família o ajuda a vender seus refrigerantes e seus carvões para prover o sustento da casa. Além dele, Felipe Rodrigo se mostrou emocionado e comovido com tudo que ouvira nas quase três horas na pequena sala do Espaço Cultural. Felipe foi criado apenas pela mãe, que é empregada doméstica.

Os jovens Luiz Felipe Garcez e Louise Teixeira foram exceções em meio ao universo de histórias de muito sacrifícil para a constituição da família e manutenção dos filhos. A condição financeira do pai de Louise, que trabalhou na Varig até ser demitido por conta de uma greve dos aeroviários, e o de Luiz, cuja família foi proprietária da Perflex Toldos, permitiu que mandassem os filhos para a Disneylândia. Tatyana Sant'Anna chegou a brincar com os dois colegas. "Quando quero me divertir, eu vou ao Play City aqui mesmo em Nova Iguaçu” , disse ela, em tom de brincadeira.

As mulheres também tiveram seus feitos exaltados nesta roda de histórias. "Minha mãe é uma lutadora e uma guerreira", disse Tatianna Sant'Anna. "Ela conseguiu formar a mim e a meus irmãos sozinha."A mãe dela sustenta a casa com o que ganha como artesã e costureira. Caso semelhante é o de Felipe Rodrigo. Sua mãe é empregada doméstica e o que ganha no fim do mês, alimenta os três filhos e a casa, pois é separada e seu ex-marido não paga a pensão alimentícia dos filhos.

No decorrer dos três dias, essas e outras histórias serão contadas e mostradas no estande de comunicação do Jovem Repórter. Além das pesquisas e imagens que serão realizadas na Feira.

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