quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Só de cuecas

O circense Adriano não consegue se ver em um escritório, de paletó e gravata
por Breno Marques

Adriano Marques é nômade. Tem 38 anos. É circense desde criança. Quando tinha 12 anos, fez sua primeira apresentação no picadeiro, com seu pai, o mágico Ramom.

Adriano gosta muito do que faz: "Adoro trabalhar no circo! Meu pai me fez gostar muito. Me ensinou tudo o que ele sabia e agora eu passo esses conhecimentos para os meus filhos", diz Adriano.

O sonho de Adriano nunca esteve longe do circo. Como o pai, quer ter o seu próprio circo. Adriano trabalha no Babilônia Circus, que só existe há quatro meses.

O emprego para os olhos de Adriano sempre foi com magia. Pois, seguindo o pai, nunca saiu do circo. "Acho que para mim a palavra EMPREGO não tem muito significado. Não vejo o circo como um EMPREGO. Aqui você não mora, não vive e nem dorme 24 horas em um EMPREGO", afirma, dando risadas.

"Se eu tivesse que arrumar outro trabalho, não conseguiria ficar EMPREGADO por muito tempo. Seria difícil ficar em um emprego onde se tem de usar terno e gravata. Não se tem liberdade para fazer nada! Aqui no circo, se eu quiser, posso andar só de cuecas", diz Adriano.

Como todo emprego, o circo também tem seu lado preocupante, pois é informal. O contratado depende do caráter do contratante. É o único lado ruim. Se amanhã alguém quiser sair, não tem direito nenhum, pois não se conta o tempo de casa. "Se o patrão for legal, paga em dia. Se não for, fazer o quê!? No mais, formamos uma bela e diferente família, sem pouso definitivo."

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