quarta-feira, 30 de abril de 2008

Cinco vezes Cacá Diegues

"Existe uma curiosidade e uma vontade diferente da que está consagrada, e isso é muito estimulante". (Cacá Diegues)

Por Flávia Ferreira
Fotos: Felipe Rodrigo e Gabriela Gama
O alagoano Carlos Diegues, ou simplesmente Cacá Diegues, é um dos fundadores do Cinema Novo. Um dos cineastas brasileiros mais populares, ele foi presidente do diretório acadêmico da PUC, onde cursou direito. "Nesta época ainda não existia faculdade de cinema", explicou na palestra que deu na Escola Livre de Cinema, em Miguel Couto.

Durante sua carreira cinematográfica, Cacá ganhou inúmeros prêmios com os filmes "Tieta do Agreste, "Orfeu" e "Dias Melhores Virão", entre outros. Chegou também a ser jurado do Festival de Cannes.

Este renomado cineasta marcou presença no IguaCine para falar da regravação do filme "Cinco Vezes Favela", agora com a ótica de jovens cineastas das favelas do Rio. Confira nosso bate-papo com o Cacá.

Você se articula muito com as produções de favela. Por que seu interesse?

Existe uma grande novidade nessa produção que me interessa. É um registro de vida e de estéticas novas que me interessa conhecer. Então, essa minha ligação com eles não é puramente cinematográfica, mas pessoal.

Como vê as produções cinematográficas com a democratização do cinema permitida pela tecnologia digital?

Acho que é a grande revolução que estamos vivendo neste momento. Nós vamos ter a possibilidade de conhecer o desconhecido, descobrir cultura, o comportamento e o hábito de pessoas que a gente nunca veria se não fosse o audiovisual.

Quando presta atenção nas propostas dos novos filmes, o que consegue enxergar?

Infelizmente, quando olho para muitas produções, percebo que nossas produções do Século XXI se voltam à Hollywood do séc. XX. Todas as maneiras que foram produzidas no Séc. XX, nós reproduzimos agora, mesmo até sem perceber. Parece uma cópia dos filmes Hollywoodianos. Nos vestimos como nos filmes americanos, andamos e bebemos como eles.

Acho que o Brasil tem que fazer isso de uma forma mais patronal. E uma nova forma de fazer cinema se dará a partir do momento que se dê voz a população.

Segundo uma pesquisa feita pelos jornais O Globo e Folha de São Paulo, você é considerado o diretor brasileiro mais popular no Brasil. Porque acha que recebeu essa marca?

Só fico feliz, mas não me preocupo com isso. Acho que tenho que fazer meu papel, fazer os filmes que tenho vontade de fazer. Porque as conseqüências, eu não controlo.


Nós estamos no campo da generosidade social ao investir em filmes como o "Cinco vezes favela II", ou já existe maturidade estética na produção da periferia?

Existe uma cultura estética muito maior do que quando filmei "Cinco vazes favela". Hoje, mesmo que não pratiquem o audiovisual, eles têm um conhecimento, nem quem seja instintivo. Acho que existe uma curiosidade e uma vontade diferente da que está consagrada, e isso é muito estimulante. Você vê isso nos filmes que já fizeram. Eu percebo o quanto são originais e como o olhar é diferente. E em conjunto a isso surge uma nova estética, com um humor novo. O que me impressiona é que existe um grande gosto por fazer cinema, e isto está criando uma imagem nova e nunca vista. E isto não tem nada de generoso.

Se fosse rodar um filme aqui em Nova Iguaçu como ele seria?

Não sei, acho que Nova Iguaçu dá imagem para vários filmes.

O que leva de sua participação no IguaCine?

Exemplo de uma atitude de vanguarda diante do cinema brasileiro. Um jeito corajoso e, sobretudo, uma atitude que deve ser reproduzida para as outras cidades da Baixada e para o mundo.

Você acha que este festival afirma Nova Iguaçu no universo cinematográfico?

Claro, está começando a fazer isso, sem dúvida nenhuma.

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