terça-feira, 19 de maio de 2009

A vez da amarelinha

"Amarelinha" inicia ciclo de brincadeiras populares na Ayrton Senna
por Carine Caitano e Robert Tavares

Pique-pega, adedanha, amarelinha e "meu mestre mandou". É assim que as crianças se divertem na Escola Municipal Ayrton Senna. Com o passar do tempo, algumas brincadeiras foram caindo no esquecimento ou sendo substituídas por jogos ou programas de computador. A facilidade do acesso à internet com lan houses e centros comunitários de inclusão digital contribuem para este quadro.

O Bairro-Escola propõe resgatar essas atividades já esquecidas, como as brincadeiras populares. Funciona assim: o mediador cultural propõe diversas brincadeiras e as crianças, por meio de votação, decidem a que mais lhes agrada. "Às vezes, eles trazem opções de casa, de brincadeiras feitas pelos pais e avós quando eram crianças", diz Thaíla Guimarães, mediadora cultural da Ayrton Senna.

Para a aluna Isabela Lima da Silva Andrade, de 9 anos e moradora do Bairro Botafogo, é mais fácil encarar as brincadeiras e entender o objetivo de cada uma, pois sua mãe, Elisabeth Lima da Silva, de 30 anos, costuma brincar com ela no tempo vago. "Minha filha sempre foi muito sozinha. Além de ser filha única, ela é bem caseira e tem poucas amigas. Por isso, brincamos bastante e costumamos ficar dentro de casa mesmo", diz a mãe.

A mãe de Isabela também aprendeu essas brincadeiras na escola, mais particularmente nas aulas de Eduação Física. “Eu e minhas amigas adorávamos jogar 'queimada'”, lembra Elisabeth da Silva, que acha que a onda da internet aliena as crianças. “Nessa idade, elas precisam ser estimuladas e ficar livres."

Surpresa

Na volta do recreio, os alunos encontraram uma coisa diferente: uma "amarelinha" - como as de antigamente - desenhada no chão. Os alunos fizeram uma fila indiana e começou a diversão. Em meio a gritos de "é a minha vez " e "tia, posso ir?", era notória a surpresa de alguns, que disseram jamais ter brincado de tal atividade antes.

Mas não eram todas as crianças que desconheciam o encanto das brincadeiras populares proporcionadas pelas oficinas culturais. "Aprendi com minha irmã, que por sua vez aprendeu com minha mãe", explica Carolaine Ferreira de Assis, de 11 anos, também moradora do Bairro Botafogo.

A coordenadora de aprendizagem Elaine Nery Barcellos comemora a iniciativa das oficinas culturais, que no seu entender valoriza a coletividade e diminui o surgimento de preconceitos no grupo. "O jogo também dá noção de regras e limites, além de trabalhar números (par e ímpar) e lateralidade", ressalta a coordenadora de aprendizagem da Ayrton Senna.



Interatividade:
Com quem aprendeu sua brincadeira favorita?

Nenhum comentário:

Postar um comentário