terça-feira, 26 de maio de 2009

O código do Bairro-Escola

Jovens pesquisadores da SEMCTUR estão concluindo terceiro trabalho
por Jéssica Oliveira

Eles se reúnem três vezes por semana em uma das salas da Secretaria da Cultura e Turismo de Nova Iguaçu, diante dos computadores em que são armazenados os dados das pesquisas que começaram a fazer há cerca de sete meses. As aulas, ministradas pela antropóloga paulista Marcella Camargo, se estendem por até cinco horas. Mas os 20 aprendizes de pesquisador só arredam o pé para um lanche por volta do meio-dia, que não dura mais do que meia hora.

O grupo comandado por Marcella Camargo, uma das adjuntas da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo, iniciou suas atividades em novembro de 2008, na 1ª Feira de Estágios e Empregos de Nova Iguaçu, na Vila Olímpica. O objetivo daquela pesquisa, encomendada pela própria Secretaria Municipal de Cultura e Turismo, era avaliar a qualidade do atendimento, mas principalmente buscar o perfil de quem procurava estágios ou empregos.

Foi nesse momento que os jovens pesquisadores entraram em contato com um monstro conhecido pela sigla de PSS, o software que armazena e processa o banco de dados de cada pesquisa. A antropóloga que coordena a pesquisa acredita que o domínio desse programa é suficiente para credenciar seus 20 jovens para um bom lugar no mercado. “O mercado paga bem para quem sabe manipular o PSS”, afirma.

Uma pesquisa é feita em várias etapas. A primeira delas é saber qual será o seu objeto, o tema a ser abordado. Em seguida, vem a elaboração do questionário a ser feito com os entrevistados, seguida da sua sua aplicação, a entrevista propriamente dita. Essa parte pode ser considerada fácil, se comparada com que está por vir: a decodificação. O grupo já está na terceira pesquisa. “Depois da Feira de Negócios, fizemos uma pesquisa com os jovens que participaram do Minha Rua Tem História e agora estamos terminando a pesquisa com os mediadores das oficinas culturais do Bairro-Escola”, conta a jovem pesquisadora Caroline de Oliveira, 21 anos.

As informações colhidas no trabalho de campo, sejam dados individuais ou de grupos de discussão, são arquivadas no banco de dados do PSS. É nesse momento que começa a codificação, onde cada resposta dos entrevistados se transforma em um código, no caso, um número. São dois tipos de questão: as objetivas, com opções a serem escolhidas, ou as dissertativas, onde o entrevistado responde o que quiser. O segundo tipo de questão apresenta um grau de complexidade muito maior para os pesquisadores. “A codificação da pergunta dissertativa é complicada porque o pesquisador tem que ser um bom intérprete da resposta”, conta Vítor Carvalho, 18 anos. “Cada entrevistador diz uma coisa e nós temos que agrupar as informações de forma coesa para depois codificá-las.” A pesquisa sobre o Minha Rua Tem História fez amplo uso de questões dissertativas.

Cruzamento dos dados
Cada número representa uma resposta para que o programa possa realizar o “cruzamento” e obter as respostas somatórias, ou percentuais da pergunta feita. “Se o objetivo da pesquisa é saber a preferência de cursos superiores em uma determinada faixa etária de ambos os sexos, o programa cruza todas essas informações com base no reconhecimento dos códigos registrados e revela o resultado em questão de segundos”, conta a antropóloga paulista. O uso do banco de dados facilita consideravelmente o trabalho dos jovens pesquisadores, que depois só precisam analisar o resultado e apresentá-lo.

O banco de dados é um eficiente e complexo sistema de armazenamento de dados. A jovem Caroline Mendes, de 17 anos, demorou um mês para dominar o programa. “A maior dificuldade é a codificação, sem dúvida. Principalmente por não estar em português, mas a Marcella sempre nos ajuda e a cada aula nós aprendemos algo novo sobre o banco de dados.” A jovem que diz que paciência e total atenção são fundamentais para o uso do sistema. “É difícil de entender, mas depois que compreendemos, fica fácil. É só ter calma e paciência.”


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