quinta-feira, 7 de maio de 2009

Pimenta no liquidificador

Festa do Trabalhador marca uma nova etapa na carreira do Pimenta do Reino

por Larissa Leotério / fotos de Mariane Dias


Uma banda regional bem diversificada cujo foco é levar xaxado, baião e forró de maneira alegre e autêntica. Assim é a banda Pimenta do Reino, composta por Daniel Guerra (violão e voz), P.J. (flauta e vocal), Fernando Azevedo (sanfona) e Júnior Domingues (zabumba e vocal). A ideia que vendem é, principalmente, alegria, através da região em que vivem, Baixada Fluminense, e músicas que falam do cotidiano local. “Queremos é o resgate da identidade cultural da região”, explica o vocalista Daniel. “E acaba por ser uma afinação de ideias, de misturas”, completa o flautista P.J.


O projeto da banda surgiu em 2000, idealizado pelo vocalista pernambucano Daniel Guerra. “Vim de uma família musical. Abri mão de tocar MPB pelo trabalho da banda, da música regional. O sangue nordestino falou mais alto”, conta o recifense que começou a cantar aos dezessete anos, já na condição de morador da Baixada. E os resultados apareceram consideravelmente rápido. Em 2002, abriram o show da já consagrada banda Falamansa. “Foi o marco de uma etapa”, afirma. A segunda etapa teve início com a gravação do primeiro DVD da banda, em um grande show na RioSampa em maio de 2008. O Show do Trabalhador, evento promovido pela Rede Globo em parceria com a rádio Beat 98, a Central Única de Favelas (Cufa) e a Prefeitura de Nova Iguaçu, também entrou para a história da banda.

A diferença desse show foi a força da mídia, que deu uma público que a banda jamais teve. “Além disso, associou o nome do Pimenta do Reino a artistas consagrados como Elba Ramalho e MV Bill”. Apesar dos ganhos incontestáveis, os integrantes da banda ficaram preocupados com tanta projeção. “A televisão cria produtos e muitas vezes o grande público não está preparado para certas informações”, afirma Daniel Guerra. “A banda precisa cuidar da forma como vendem o 'produto' Pimenta do Reino.” Os integrantes da banda têm medo se tornar um produto, na imagem que passam e na sonoridade.

Empolgados com a grandiosidade do show, o Pimenta do Reino só lamenta que, pela importância que têm, eventos como a Festa do Trabalhador não aconteçam o ano inteiro. “É solidário com o ser humano”, afirma Daniel Guerra. “O trabalhador é um pouco carente da festa, da luz. É o conjunto de festa e cidadania.”

Postura do governo
O cantor também foi uma das pessoas que contribuiu para que a cultura da cidade chegasse ao ponto onde está atualmente, quando foi um dos primeiros a abrir os braços para o governo atual. “O que me levou a apoiar foi a postura que o atual governo assumiu com vários segmentos, bem como o artístico.” E, no início do quinto ano de governo, conclui que se passaram três etapas na cultura do município: primeiro, uma etapa de olhar só para dentro da cidade; segundo, uma etapa de olhar muito para fora da cidade; e esta terceira, que é a que vivemos hoje, um equilíbrio no olhar direcionado para artistas da cidade e de fora. “Equilíbrio através de editais, projetos, fóruns de cultura, festival e escolas livres”, enumera, satisfeito.

P.J. compara a atual situação cultural de Nova Iguaçu com a do próprio povo brasileiro. “Muita vezes ele é influenciado por uma cultura que não é a dele, esquecendo da cultura riquíssima que temos, e ele nem conhece.” Para o flautista do Pimenta do Reino, é preciso compromisso e respeito com o que já foi feito, e que é uma referência. Ele exemplifica com as letras da banda, antenadas com a realidade da Baixada Fluminense. “Falamos da nossa realidade, do que acontece aqui e que é diferente da realidade do povo nordestino, que foi o que originou tudo isso.” Mas a linguagem é a mesma do trabalhador, do povo sofrido, do povo que pensa no forró, na música e nas artes como uma válvula de escape. E é um povo que não sofre tanta influência de cultura externa como o povo fluminense, que “é globalizado, antenado e convive com outras culturas”.

É essa cultura fluminense que o Pimenta do Reino tenta revitalizar: “Estilos muito antigos que trazemos, como o choro e o próprio forró, e que as pessoas desconhecem por falta de acesso”, afirma P.J. Esse resgate se torna mais fácil porque é feito por artistas cada vez mais jovens e que se recusam a ouvir a música de consumo atual, buscando conviver com as raízes. “A galera não procura ouvir outros estilos e crescem contaminadas, com o ouvido viciado, ouvindo uma música 'pobre', por vezes depreciativa e muito aquém do que podemos produzir ou encontrar.“ O flautista acredita que, se ouvissem a verdadeira música brasileira, gostariam.

2 comentários:

  1. preciso falar que isso aqui tá "du caralho" como diz Julio Ludemir! pra mim a melhor matéria, (jamais desmerecendo meus caros amigos de trabalho). as informações foram enorme, e eu tive o prazer de está nessa hr ouvindo tudo, e registrando na minha mente, o tempo que Larissa ficou sentada no palco com os meninos foi de superar qualquer coisa, e pra se resultar justamente nisso ai. perfeito demais minha linda. parabéns mesmo.
    continue assim, "acho que agora vou prender mas meus entrevistados". parabéns a todos que ralaram bastante no dia do trabalhador.

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  2. Ficou ótima a sua matéria, muito obrigada querida pelo carinho com os meninos da Banda. Parabéns!!!!! beijos e muito sucesso. Márcia Rodrigues - Produtora da Banda Pimenta do Reino

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