terça-feira, 12 de maio de 2009

Ponto gospel

Convívio com Bairro-Escola estimula missionária a cria ong
por Josy Antunes

“Me educa, eu quero educação”. É buscando atender esse pedido, dos moradores de Vila de Cava e proximidades, que um ministério vem dando seus primeiros, e grandes, passos. O Meduca, que tem sua sede a exatos 50 metros da praça de Vila de Cava, surgiu do encontro do Bairro-Escola com a missionária e educadora Cecília Onófrio.


Aliando a fé a sua paixão por questões educacionais, Cecília trabalhava dentro de uma igreja Assembléia de Deus, que era parceira do Bairro-Escola. “Sempre trabalhei com educação dentro da igreja. Vi, nessa ida das crianças pra igreja, uma oportunidade de a gente ajudar a comunidade”, afirma a educadora. No local, eram ministradas às crianças as oficinas de valores onde, de forma leve e lúdica, questões como o relacionamento familiar eram abordadas.

Essa experiência, considerada por Cecília como riquíssima e ao mesmo tempo alarmante, foi fundamental para que novos planos fossem traçados. “Foi a partir desse momento do Bairro-Escola que eu consegui ver o quanto a criança está precisando de uma intervenção 24 horas por dia”, avalia.

Valores cristãos
Moradora de Vila de Cava há apenas 2 anos, Cecília, que é gaúcha, contabiliza 10 mudanças nos últimos 10 anos. Com exceção do Norte, todas as regiões já acolheram a missionária e seus sonhos, além de países como o Chile. “Quando você está acostumado a se mudar, a adaptação não se torna difícil”, explica ela. “Meu pai era militar. Só que eu já me mudei bem mais vezes que ele.” Por todos os locais por onde passava, seu intuito era o mesmo: estabelecer os valores cristãos nas famílias e escolas. Através dessa proposta, ela acredita que questões como drogas, violência e gravidez prematura possam ser amenizadas.

Esse ano, com o Bairro-Escola, Cecília encontrou oportunidade de desenvolver seu projeto, de cultura gospel, que foi contemplado com o Ponto de Cultura. Ele atenderá alunos do 2º segmento do ensino fundamental – de 10 a 15 anos, da E.M. Venina em Vila de Cava. Prioritariamente, oficinas de coral e coreografia serão trabalhadas, além da parte teórica. “Existe uma expressão corporal para o evangélico, que a gente pode explorar”, defende a missionária. Assim como a música, a coreografia é uma forma de expressão que será garantida aos jovens, além do desenvolvimento da autoestima.

Para a formalização do convênio do projeto com o Ponto de Cultura, houve a necessidade da criação de uma pessoa jurídica. Surge então o Meduca, o renascimento de um sonho que fez com que em 1996, na formatura de Cecília como pedagoga, um jornal chamado Educare – Fórum do Educador Cristão, fosse criado. “Educare significa o processo contínuo de educação”, explica ela. O nome, porém, já era usado, o que dificultou o domínio da palavra. O Ministério Educare tornou-se então o Meduca. “Dentro da bíblia, a pessoa que tem um ministério ajuda de forma muito pessoal a outra e não apenas de uma forma logística”, justifica Cecília, que diz que um dos objetivos da Ong é aproximar as famílias, descobrindo seus problemas e ajudando a resolvê-los.

Assim como o Bairro-Escola, o Meduca tem seus parceiros. A Ong proporciona oficinas para além do Ponto de Cultura, que não são realizadas na sede, devido à falta de espaço. O local, próximo à praça de Vila de Cava, funciona como um balcão de informações da comunidade, onde é possível realizar inscrições para os cursos oferecidos. As oficinas acontecem em duas igrejas próximas, na Associação Marcos Fernandes e no Centro Cultural Olaria, em Marambaia. As aulas, que começam hoje, irão de musicalização infantil a alfabetização de jovens e de adultos, passando por fotografia, desenho, entre outros.

Sem pressa
O Meduca envolverá 50 pessoas em sua primeira oferta de oficinas. A expectativa é de que atender 100 pessoas por mês. “A gente não pode fazer algo muito grande porque é o nosso primeiro ano”, declara a pedagoga. “Como queremos fazer algo de qualidade, vamos devagarinho, não temos pressa.”

Há 20 anos, Cecília deixou seu emprego como programadora de computador para se dedicar a sua missão. A tecnologia e educação caminham juntas como importantes focos em sua vida. Como resultado disso, ela se viu diante de três alternativas: “Ou podia surgir uma tv educativa, ou podia surgir um site educativo e acabou surgindo um jornal”, lembra ela.

O jornal Meduca abordará educação e cultura para a família, tendo como público-alvo as crianças e adolescentes. “Como a população de Vila de Cava e Baixada não leem muito, vai ser a oportunidade de eles terem um jornal, com leituras rápidas”, avalia a missionária. Além disso, funcionará como um órgão de divulgação do comércio local. A primeira tiragem será de 5 mil exemplares e terá sua distribuição gratuita.

Como mediadora e idealizadora de todos esses processos, Cecília mantém vivos seus sonhos: um local que possa reunir teatro, cinema e mobilizações culturais; a criação de um balcão de empregos; um jornal de muitas páginas e cadernos; e uma incubadora de projetos, onde as pessoas poderão encontrar um ambiente propício para o desenvolvimento dos mesmos. “Só estou fazendo o que fizeram por mim. O Meduca foi desenvolvido com o total apoio da Secretaria de Cultura. Todos me apoiaram muito”, declara ela.


Interatividade:
Que tipos de colunas podem ser criadas em jornais comunitários para que moradores possam mandar matérias?

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