quarta-feira, 13 de maio de 2009

Lugar de criança é na rua

Jovem repórter acompanha primeira oficina da mediadora cultural Ingrid Maia
por Robson Lopes

Todo mundo sabe que o Bairro-Escola não anda sem os mediadores culturais. Mas além de todos os problemas que enfrentam, há um grupo com uma preocupação extra: são “recém-oficineiros” ou “calouros no projeto”. Como todo novato, eles têm a preocupação de ser bem recebidos em seu novo ambiente de trabalho e superar os desafios.

Um caso desses é o da estudante Ingrid Maia, 23 anos, que cursa pedagogia na Estácio de Sá e trabalha na Escola Municipal Ornélia Lipp Assunpção. A oficineira guiava nove crianças em uma oficina na Praça da Imperatriz, em Jardim Tropical. “Eles vão catar materiais na praça e colam o que acharem melhor em uma folha de ofício, junto de uma frase”, diz ela, que também aproveitou a atividade para fazer uma breve exposição sobre a importância de se preservar o meio ambiente.

Ingrid Maia acredita que atividades como a que coordenou na praça muda o surrado paradigma de que “lugar de criança é na escola”. “Eles estão vendo a sociedade-rua de outra maneira”, afirma ela, para quem se pode aprender muito mais na rua do que na sala de aula.

Sensível e atenta, a mediadora cultural percebeu no seu primeiro dia de trabalho que um dos grandes problemas que vai enfrentar em seu trabalho está dentro da casa das crianças. “Eles são muito carentes de carinho”, queixa-se ela. “Os pais nem aparecem aqui.”

Como tudo que é bom, o tempo passou rápido. O pessoalzinho não ficou muito contente quando ela anunciou que era hora de voltar para a escola. “Eu espero que isso aconteça com todos os mediadores culturais, é uma sensação muito gostosa”, diz ela, que contornou a insatisfação das crianças anunciando que elas iriam almoçar tão logo chegassem à escola.

Ingrid Maia também voltou feliz para a escola, satisfeita com o primeiro passo que deu no Bairro-Escola. “Espero formar cidadãos melhores.”

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