sexta-feira, 8 de maio de 2009

Brincadeiras herdadas

por Brenner Oliveira

A etapa mais importante de integração do ser humano no meio em que vive é a infância.
É na época de meninice associada às brincadeiras de rua que a criançada se desenvolve
melhor, ampliando a percepção, a atenção, a coordenação, o ritmo, a flexibilidade, união,
liderança, entre outras habilidades.


Ainda que o medo e a insegurança dos pais imperem, as crianças de Morro Agudo sempre arranjam um jeito só delas de convencerem os pais a lhes facultar o maravilhoso mundo das ruas. É tudo muito simples: duas garrafas pet, dois cabos de vassoura, dois círculos no chão, um bolinha e pronto, surgiu a brincadeira preferida de Guilherme de Oliveira, de 11 anos. “Brincar de taco é muito divertido, meu objetivo quando eu estou dentro do círculo é fazer a bola ir mais longe possível, dando mais tempo para eu pontuar”, explicou Guilherme, que adora morar próximo à Igreja Imaculada Conceição, onde sempre se reune para brincar de gude, pique-esconde, golzinho e pião.

Guilherme não inventou a brincadeira de taco, nem a do pique-esconde, nem a da cabra-cega.
Eles as herdou das gerações que o precederam, que já brincavam na rua e passaram adiante todo esse divertimento. Avó de Guilherme, Dona Edinéa, de 72 anos, fica despreocupada quando o neto reune a criançada no seu quintal. “Eu brinquei muito de boneca de porcelana, de amarelinha, de bola de gude, pique-esconde”, lembrou ela. “Mas meu pai sempre ficava de olho na gente. Ele era muito rígido e não nos deixava na rua sozinhos.”

Regina, tia de Guilherme, filha de Dona Edinéa, 46 anos, revela que brincava muito de peteca, de adedanha, cabra-cega, e que ficava com vergonha na brincadeira 'pêra-uva-maçã-salada-mista'. “Eu tento brincar com o meu sobrinho, mas ele é muito ágil, eu não aguento, ele brinca de pique-esconde como ninguém, deve ter herdado da minha mãe", disse ela. “Mamãe ensinou a ele todos os macetes da bola de gude, eu fico impressionada com as duas garrafas pet cheias de bola de gude que ele tem.”

Um comentário:

  1. Gostei muito da matéria, a linguagem está suave e divertida, como brincadeira de criança :D

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