quinta-feira, 31 de julho de 2008

Um truque preparado pela vida

Jovem repórter faz mágica e tira a história do pai da cartola

Por Breno Marques

Fotos: arquivo de família

Ramon Ferreira Marques foi um artista circense. Nasceu em 1950 em Juiz de Fora, Minas Gerais. Começou ainda jovem ao lado do pai, o mágico Professor Astro. Sua primeira apresentação foi como o palhaço Espoleta, aos 5 anos de idade. Sua iniciação como mágico se deu aos 14 anos, fazendo truques fáceis que não exigiam muita técnica. Com o tempo, Ramon saiu de casa e passou a trabalhar em circos mais conhecidos, como o Bartholo, na Itália, e o Real Madrid.

Com o passar do tempo, o mágico Ramon se entrou de vez na vida circense. Montou seu próprio circo, o The Pink Panther Show, com um amigo chamado Oséias. O circo era apresentado em escolas, terrenos, teatros e praças de diversas cidades do país.

Uma pessoa agitada

"Ramon era uma pessoa muito agitada", lembra Oséias. "Ele sempre queria que as coisas fossem perfeitas. Trabalhei com ele muitos anos. Foi ele quem me deu meu nome de palhaço: Lambança, porque ele falava que eu só fazia merda.''

Em 1976, Ramon foi almoçar com a família de seu amigo Pedro, na Rua Lafaiete Pimenta, no bairro Califórnia , Nova Iguaçu. Foi nesse dia que conheceu Leila Alves Pereira, uma jovem de 14 anos. "Não gostei do Ramon na primeira vez", diz Leila, sua atual esposa. "Achei ele muito brega, se vestia mal e se achava muito importante.''

Ramon se apaixonou por Leila. Começou a visitar sua casa , onde fazia de tudo para chamar a atenção. Ela enfim cedeu, e menos de um ano depois começou a sentir fortes dores na barriga, acompanhadas de enjôos e muito fraqueza. "Um dia desmaiei na frente de uma farmácia, ao lado de minha mãe, e fui socorrida pelo farmacêutico." Feito os exames, ele deu a noticia: estava grávida.

Aos 15 anos de idade, Leila teve seu primeiro filho com Ramon. Sua mãe obrigou-a a se casar, embora Leila não gostasse da idéia. "Eu não queria casar com ele", conta ela. "Eu era muito nova, mas minha mãe me obrigou a casar. Ela disse que não queria que eu a envergonhasse. Lembro-me como se fosse hoje. Antes de entrar no altar, eu fiquei em frente a uma penteadeira que eu tinha e comecei a chorar.''

Leila e Ramon deram à luz a uma menina, Luciene Alves Marques. Dez meses depois, deram à luz a outra menina, Patrícia Alves Marques. Doze anos mais tarde, nasceu Breno Alves Marques, o único filho homem do casal. Depois de casada, Leila foi trabalhar no circo com Ramon, e virou sua assistente de palco. O casal se apresentou em diversos lugares do Brasil e do Paraguai.

The Pink Panther Show virou sucesso e foi parar na televisão. O mágico Ramon teve uma apresentação no Angel Mix, programa apresentado por Angélica, e participou de eventos como a Festa de Natal no Maracanã.

Nessas viagens conheceram algumas celebridades, como os artistas Cazarré, Alcione Mazzeo, Tony Ramos, Osmar Prado, Agnaldo Timóteo, Os trapalhões e Andréa Beltrão, entre outros.

Traído pelo destino

Em um dia de apresentação numa praça, a luz do circo acabou e o espetáculo foi interrompido. "Como era um perfeccionista", lembra a esposa Leila, "ele ficou multo irritado com aquele contratempo." No dia seguinte, Ramon foi até o poste principal para ver o que havia acontecido, pegou uma escada velha do circo e subiu. A escada balançou e Ramon tentou se equilibrar segurando nos fios a sua frente. "Ele tomou uma forte descarga elétrica", conta Leila, "e perdeu neurônios importantes. "

Com o passar dos tempos, Ramoncito piorou, e hoje vive um estágio irreversível.da doença. "Gradualmente, ele foi perdendo a fala e depois a memória", lamenta Leila. Hoje Ramon mora na mesma casa que Leila, Luciene e Breno, seu filho caçula, que tinha três anos quando o pai sofreu o trágico acidente.

Ramoncito Ferreira Marques foi um grande mágico, mas não conseguiu se livrar de um truque preparado pela vida.

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