sexta-feira, 4 de julho de 2008

As mães precoces também amam

Gravidez precoce de Daniela não a impediu de sonhar com um grande amor
Por Camila Oliveira
imagens retiradas da internet

Daniela Oliveira poderia ser uma romântica jovem de 19 anos como outra qualquer, não fossem dois pequenos detalhes: ela está na sua quarta gravidez, de três pais diferentes. Esses dois detalhes infernizaram sua vida a um ponto tal que nem mesmo os próprios pais, que na prática são responsáveis pela criação de seus dois filhos mais velhos, suportaram. Atualmente, ela mora com o irmão mais velho, Ricardo Oliveira, de 27anos, em Mesquita. "Eles não tinham mais condições financeiras, emocionais e físicas para me ajudar", conta ela, que se mudou há cerca de sete meses.

Quando saiu da casa dos pais, levava consigo apenas João Vítor Oliveira, hoje com um ano e seis meses. "Meus outros dois filhos ficaram com meus pais", diz ela. Um desses filhos, o Diogo, está com cinco anos. O outro, o Danilo, tem três anos. Daniela vem tendo praticamente um filho por ano desde que engravidou pela primeira vez, aos 14 anos. O pai de sua primeira criança, Leandro Gonçalves, tinha então 16 anos.

Conto de fadas
Quando engravidou pela primeira vez, ela não imaginou os problemas da maternidade. Era tão apaixonada pelo primeiro namorado que recebeu a notícia da gravidez com um sorriso de júbilo no rosto. "Vi o meu primeiro filho como uma grande oportunidade para ficar com meu amor", lembra ela. Pobre menina, iludida pelas fantasias de contos de fadas, não se deu conta de quantas responsabilidades lhe aguardavam a partir daquele momento.

O namorado não tinha condições financeiras de assumi-los e, com medo, só viu uma saída. "Ele passou a dizer que o filho não era seu", lembra. Daniela ficou tão magoada que não quis mais ver Leandro. E em nome de uma gravidez tranqüila, seus pais, Janice e Dorival dos Oliveira, resolveram arcar com as responsabilidades do novo neto e amparar a filha. "Eu estava arrasada com a separação", diz a menina.

Reviravoltas espetaculares

Essa história teria reviravoltas espetaculares a partir do aniversário de um ano de Diogo, na qual Leandro, mesmo sem assumir a paternidade da criança, compareceu. "Voltamos a namorar naquele dia", conta Daniela. Mas uma nova gravidez faria com que tanto a família de Daniela quanto a de Leandro pressionassem o rapaz a assumir os filhos, muito embora ele fosse um simples estagiário em uma empresa de informática. "Para facilitar as coisas, ele foi morar na casa dos meus pais", conta Daniela.

Mas os mesmos sogros se sentiram aliviados quando, nove meses depois do nascimento do segundo filho do casal, Leandro voltou para a casa dos seus pais. "A gente vivia brigando por causa de dinheiro", lamenta Daniela, que mais uma vez mergulhou em uma profunda depressão e, desanimada, chegou a passar um ano sem estudar. "Só voltei para a escola depois de muita insistência da minha mãe."

Cor-de-rosa
A vida voltou a ficar cor-de-rosa para a romântica Daniela quando arrumou um novo namorado na escola. Mas o nome Leandro não foi a única coincidência com o pai dos seus dois primeiros filhos. Pouco tempo depois, ela apareceu grávida de Leandro da Silva Mello, 21 anos, que, como o outro Leandro, contestou a paternidade do bebê que ela trazia em sua barriga. "Ele disse que pagaria o aborto, mas que não assumiria o filho." Uma das razões alegadas por Leandro para fugir à responsabilidade era o fato de já ser pai de uma menina de três anos de um outro relacionamento.
Daniela chegou a tomar um chá de ervas abortíferas, por causa do qual deu entrada no hospital horas depois. "Foram meus pais que me levaram para o hospital", conta. Foi só então que eles, alertados pelos médicos, souberam da terceira gravidez e da possibilidade de perderem o neto. "Eu comecei a gritar, dizendo que era isso mesmo o que eu queria", lembra Daniela. Seus pais não concordaram, usando dois argumentos. "Eles disseram que o erro era meu e que dentro da minha barriga já existia um ser, que não podia ser castigado por um pecado meu."

Aborto
Depois de uma semana internada, Daniela saiu do hospital com a certeza de que o filho sobrevivera e que os pais também assumiriam a criação de João Vítor. "Eles só fizeram uma exigência", lembra a menina. "Queriam que eu fizesse uma ligadura de trompas depois do parto."


Depois do parto, Daniela mergulhou em mais uma crise depressiva. "Eu me sentia sozinha", conta. Dessa vez, porém, havia o agravante de que era mãe de três filhos. "Quem é que iria me querer com tanta responsabilidade?", perguntava-se em suas noites de tristeza. Quem lhe deu a resposta foi um jovem de 25 anos, chamado Luiz Henrique. "Não apenas eu me apaixonei perdidamente por ele. Ele também se apaixonou por mim."

Truque da gravidez
Cupido não podia ter sido mais generoso. Além da estabilidade econômica proporcionada pelo emprego de gerente em mercado do bairro, Luiz Henrique era suficientemente maduro para ser atencioso com os filhos de Daniela. "Até um filho ele me prometeu para um futuro não muito distante", lembra a menina. Mas o ciúme falou mais alto e Daniela quase jogou tudo fora. "Eu morria de ciúme de uma colega de trabalho do Luiz Henrique." Justificava-o com o fato de jamais ter sido tão bem tratada por um homem. Não queria perdê-lo em hipótese alguma.

Luiz Henrique suportou seus barracos no mercado até o dia em que quase perdeu o emprego. "Para evitar novos problemas, o patrão dele o transferiu para o mercado de um outro bairro." O problema é que o namorado não queria mais saber dela. "Ele só não me abandonou porque um mês depois da nossa última briga eu apareci grávida de um filho dele." Essa gravidez surpreendeu tanto o namorado quanto a família, mas não a ela. "Engravidei de propósito", confessa.

A gravidez produziu um efeito esperado e outro inesperado: Luiz Henrique voltou para ela tão logo soube que ia ser pai, mas os pais pediram para que saísse de casa e constituísse sua própria família.
"A salvação foi meu irmão Ricardo", conta ela. O irmão, que já mora sozinho desde os 18 anos e é dono de uma panificadora em Mesquita, a convidou para ficar com ele até que pudesse se virar sozinha. "Luiz Henrique está construindo uma casa na laje dos pais deles", sonha Daniela, que pretende se mudar com o filho João Vítor tão logo nasça a filha que traz em seu ventre, que se chamará Ana Luíza. Espera que esta seja a primeira e última filha. "Só não me operei antes porque tinha certeza de que um dia teria uma filha com o homem da minha vida", revela, sempre sonhadora.

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