quarta-feira, 2 de julho de 2008

Boné na cabeça, mochila nas costas e skate no pé

Jovens de Nova Iguaçu fazem do skate um estilo de vida

Por: Tatiana Sant'Anna
Colaboração: Viviane Menezes e Priscilla Castro


Ser skatista é complicado. Que o diga o skatista iguaçuano Douglas Leandro, 17 anos, que perdeu quatro namoradas por continuar no seu esporte favorito. Apesar dos preconceitos, o skate é um dos passatempos favoritos da garotada de Nova Iguaçu e tem como ponto principal a Praça do Skate.

A Praça do Skate tem grande importância para a cidade, pois é a primeira pista de skate da América Latina. A pista foi construída em meados da década de 70 e, atualmente, está com 30 anos de existência. Ela é constituída por duas bacias, uma mais suave e outra mais acentuada. A galera que entende do assunto diz que a pista é um bom lugar para se aprender o esporte. O formato continua o mesmo desde quando foi feita, tornando seu visual um pouco exótico para os padrões atuais. Na praça onde fica a pista, também há uma área para o lazer da população local.

Os jovens skatistas iguaçuanos Júlio César, 14 anos, Renan Valentim, 16 anos, e Felipe Fonseca, 14 anos, revelam como um skatista é tratado na sociedade atual. Dizem que o preconceito é muito grande e que muitas vezes são chamados de desocupados. "Algumas pessoas vêm para a pracinha e fazem coisas erradas e nós, skatistas, é que levamos a culpa", diz Renan. Entre as diversas tribos de Nova Iguaçu, os meninos falam que não há nenhum preconceito. "Nos entendemos muito bem", dizem.

Os jovens ficaram emocionados quando perguntamos sobre o que achavam de Nova Iguaçu ter a primeira pista de skate da América Latina. Alguns reclamaram da falta de incentivo da própria população, outros da pouca divulgação da pista. Contam que o futebol é muito mais fácil de ser aceito pelas pessoas, pois o material utilizado pelo skatista não é muito barato. Eles já participaram de competições pela cidade. Douglas ficou em 14° num campeonato de skate no Galpão Skate Park.

Para os jovens, nada é impossível. Eles sabem que, para ser um grande skatista, precisam de coragem, atitude e humildade. E isso não lhes falta. Um exemplo para esses skatistas é o brasileiro Sandro Dias, o Mineirinho, campeão mundial de skate. "Sonhar todo mundo sonha, complicado é vencer o preconceito que é imposto pela sociedade", completa Renan. Perguntados se o skate atrapalha os estudos, os meninos afirmam que não, é como qualquer outro esporte.

Para quem quiser entrar na onda do "boné na cabeça, mochila nas costas e skate no pé", saiba que os equipamentos para este esporte não são baratos. Um bom skate custa cerca de 150 reais, podendo chegar até 400 reais. Quem quiser aproveitar a sensação de desse estilo de vida, basta passar na Praça do Skate, que fica em frente ao viaduto Padre João Musch, no centro de Nova Iguaçu. A movimentação fica boa após as 18h, diariamente.

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