
Por Aline Maciel, Daniella Vieira e Jeyce Cristina
Fotos- Aline Maciel, Daniella Vieira e retiradas da internet
A evangélica Jany Cristina de Sá Silva trabalha de segunda à sexta como empregada doméstica e, nos fins de semana, não esquece de adorar seu Deus no templo perto de sua casa. Cumpridas suas obrigações profissionais e religiosas, ela se aboleta diante do computador de uma das lan houses de Comendador Soares e dedica horas ao que considera a segunda melhor coisa da vida. "Depois de Cristo, a coisa de que mais gosto é fuxicar no Orkut", assume.
Como milhares de pessoas ligadas à grande rede, Jany segue um ritual quase tão previsível quanto os dos cultos da Pão e Vida, a igreja que freqüenta. "A primeira coisa que faço quando entro no Orkut é ver quem andou me fazendo uma visitinha", diz ela, para quem a única opção de lazer existente no bairro é a lan house. A visita será retribuída independentemente de a pessoa fazer parte da rede de amigos adicionados em sua comunidade.
No caso de Jany, ver as fotos é uma estratégia para reconhecer eventuais irmãos da sua igreja, o que pode inibir a invasão da privacidade da pessoa em questão. Mas, para Elciane Xavier, uma moradora de Mesquita de 20 anos, o reconhecimento do rosto do visitante é um estímulo para que coteje o que conhece da pessoa com o que está escrito em seus scraps. "Muitos mentem", afirma ela, que diverte ao flagra amigos dizendo coisas que não são.
Contra-ataque

Elciane só descansou quando localizou o fuxikeiro, que, além de esconder sua identidade por trás de mecanismo de bloqueio, havia criado um outro Orkut e colocado a foto do casal no perfil. "Mandei um scrap quebrando o barraco", conta Elciane. A solução para o problema neste caso foi mais simples do que o imbróglio em que se meteu com a ex-namorada de um outro companheiro seu. "Ela me fuxicava pelo Orkut das primas", lembra ela, que descobriu o fato ao acompanhar os scraps trocados pelas pessoas cujo nome ficava registrado na área Visitantes Recentes.


Hobbie


Felipe da Silva é uma das provas de que a grande rede dá um poder de iniciativa que as pessoas normalmente não têm na vida real. "Passei um ano e meio tecando com uma menina que conheci fuxikando", conta ele. Disse-lhe durante esse período as maiores ousadias, sem imaginar que ela se tornaria sua colega de classe no começo desse ano. Fiquei vermelho de vergonha."
Nenhum comentário:
Postar um comentário