quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

O peixe da ombudsman

Escola de Pesquisa de Nova Iguaçu apresenta seu primeiro trabalho
por Jéssica de Oliveira

Quais são as principais caraterísticas de uma boa equipe? Companheirismo? União? Apoio? Perseverança? Se você escolheu todas as alternativas acima, chegará à conclusão de que a Escola de Pesquisa de Nova Iguaçu tem requisitos suficientes para crescer em seu trabalho e obter sucesso em cada uma de suas tarefas.

A escola não é uma novidade apenas aqui em Nova Iguaçu, mas também em muitos outros lugares. É muito raro encontrar instituições que ofereçam formação em pesquisa a jovens de periferia e, ainda mais difícil, sem cobrar absolutamente nada. Lá, jovens iguaçuanos aprendem a fazer pesquisas quantitativas e qualitativas, além de desenvolver valores imprescindíveis à formação pessoal e profissional de cada um, como responsabilidade e respeito.

Os cerca de 30 aprendizes de pesquisadores que participam do programa se reúnem três dias na semana no período da manhã e dão muito duro para alcançar cada objetivo proposto. Coordenado pela antropóloga paulista Marcella Camargo, o grupo realiza pesquisas por Nova Iguaçu para saber a opinião dos cidadãos a respeito das novidades e acontecimentos que surgem.

A primeira pesquisa realizada pela Escola de Pesquisa de Nova Iguaçu foi encomendada pelo secretário de Cultura e Turismo, Marcus Vinicius Faustini. Seu objetivo era ouvir os participantes do projeto Minha Rua Tem História, que no final do ano passado reuniu cerca de 4 mil participantes do Pro Jovem para contar e ouvir histórias de seus respectivos bairros.

Os pesquisadores fizeram dezenas de entrevistas com os Pro Jovens, os oficineiros e os jovens repórteres que acompanharam o projeto. Além de permitir uma avaliação da eficácia do "Minha Rua Tem Hitória", esses relatos ajudarão os organizadores na preparação da nova versão do projeto, que agora atenderá 17 mil jovens.

Uma mão lava a outra
No decorrer da pesquisa, os entrevistados se depararam com muitas dificuldades. Elas foram superadas, no entanto, com um intenso trabalho em equipe. A velha história da "mão que lava a outra" é realmente muito presente em cada oficina realizada e está comprovada: é muito eficaz!

Mas vencidas as barreiras encontradas durante o processo da pesquisa, chegou a hora de vender o produto ao freguês. Ou seja, apresentar a pesquisa ao secretário.

O nervosismo estava no semblante de cada jovem pesquisador que apresentava e também assistia aos slides na reunião da quarta-feira que antecedeu o carnaval, na sala em que a Escola de Pesquisa funciona, na Rua Nilo Peçanha, no Centro de Nova Iguaçu. Havia aqueles que usavam uma "colinha" para não esquecer nenhum ponto, mas uma parte do grupo falava fluentemente, vencendo a tensão e surpreendendo a todos, inclusive o secretário.

No fim da prestação dos resultados da pesquisa, o secretário destacou o empenho dos jovens pesquisadores ali presentes até nos mínimos detalhes, como o paletó usado por Willian Faria da Costa, de 23 anos. "Mas é isso mesmo que vocês têm que fazer", disse Faustini. "Vocês têm que se valorizar, colocar uma roupa legal, se sentir bem e à vontade."

Tanto o sucesso da pesquisa quanto o crescimento do grupo se devem principalmente à prioridade que cada um deles deu ao processo de aprendizado. Eles aprenderam a trabalhar em grupo e a usar o que cada um tem de melhor. Muitos jovens se identificaram com a pesquisa e querem continuar trabalhando nisso por muito tempo. Alguns foram atraídos por pura curiosidade e outros, mesmo participando, não punham muita fé em pesquisa. Mas isso é passado, pois o que os leva a cada "aula" é a paixão pelo trabalho e a certeza de que podem se profissionalizar nessa área. Muitos deles contam que nunca tinham parado pra pensar em pesquisa, mas, depois que entraram nesse universo, notaram o quanto a pesquisa está presente em suas vidas pessoais.

Peixe
Um outro momento crucial foi no dia em que os participantes tiveram que "vender o próprio peixe" para mostrar porque eles mereceriam continuar na Escola de Pesquisa, já que restarão apenas vinte.

Foi um momento de extrema emoção e nervosismo. Os aprendizes de pesquisa se abriram e contaram quais eram suas maiores qualidade e defeitos, além de falar dos perrengues enfrentados ao longo da pesquisa sobre o Minha Rua Tem História. Foi difícil falar, já que havia uma guerra de sentimentos dentro de cada um deles. Alguns deles conseguiram divertir a plateia, enquanto outros apresentaram um discurso sério e um último grupo não conteve as lágrimas. Foi um dia muito especial e com certeza inesquecivel para todos que participaram da reunião.

"Nós podemos ter nossas diferenças, mas isso é esquecido quando começamos a desenvolver nossas pesquisas, pois o que nos une é mais forte do que aquilo que nos separa", resumiu Priscila Moraes, relembrando alguns momentos vividos por ela na Escola de Pesquisa.

É claro que ainda há muito a ser feito pelo grupo, mas tenho certeza de que vão longe!

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