sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Água na boca

Bloco Chupa sem Babar arrasta multidões no Cacuia
por Tatiana Sant'Anna, Viviane Menezes e Suelen.

Chupa sem Babar – este é o nome do bloco que movimenta, anima e transforma o carnaval da Cacuia em uma grande festa. Para alegria do povo, ele sai nos quatro dias de folia.

Dono da quadra onde o bloco se reúne, Joel de Araújo, 66 anos, fica feliz da vida ao ver na rua o resultado de meses de ensaios. "É um sucesso!”, orgulha-se ele, que tem plena consciência da dureza com que essa festa é construída.

O Chupa sem Babar movimenta o carnaval do Cacuia há oito anos: "Se ele não sair, o carnaval do Cacuia morre". Mas não é só de alegria e sucesso que vive o bloco. Segundo Joel, uma das coisas mais necessárias seria um apoio como fantasias para os foliões: "Isso é o mínimo", protesta.

Cento e cinqüenta pessoas saem no bloco, incluindo os 15 ritmistas. A ajuda de custo sobre o bloco vem de Joel e do presidente Franklin: "Se não tiver o bloco, não tem carnaval aqui. As pessoas esperam por nós, a animação é nossa. Essa é a motivação para continuar". E completa: "O bloco arrasta as pessoas".

As fantasias usadas pelos foliões são exclusivamente feitas por eles: “Cada um trás a sua. Não temos verba para comprar fantasia padrão para todos. Então cada folião confecciona a sua fantasia”, conta Joel, que revela que a fantasia é apenas um adereço. O que vale é a alegria que cada componente carrega no coração: “Eles (foliões) estão aqui porque gostam. O que vale é a animação”.

O Chupa sem Babar tem presença garantida nos quatros dias de carnaval, iniciando sua concentração a partir das 20:00 na quadra do Espaço Musical do Cacuia. Por onde passa, o bloco arrasta as pessoas na rua até chegar ao campo do Cacuia, seu destino final. "Damos uma parada lá e outra aqui". A festa só tem hora marcada para começar, mas pode ir até o sol raiar. "Não temos hora para terminar".

O bloco apresenta um samba novo a cada ano, mas, durante o desfile, a bateria pode recorrer a músicas de carnavais passados. "Nós temos o samba do bloco. Mas, se der problema, a gente bota um samba antigo pra rodar.” Segundo Joel Seresteiro, os foliões estão sempre pedindo músicas do repertório do Chupa sem Babar. "De repente, pode acontecer de a música de 2009 estar mais bonita do que a do ano passado."

Os foliões do Chupa sem Babar só se incomodam com o som emitido dos carros, que são a versão iguaçuana do trio elétrico baiano "Não quero discriminar os outros sons, mas, no carnaval, as pessoas gostam de ouvir coisas de carnaval, como as marchinhas. Carnaval é carnaval... É samba... É marchinha."

Camarote
Há três anos morando no bairro, o gestor de vendas Sérgio da Fonseca, 31 anos, tem vários motivos para estar feliz com a sua casa. Um deles é que, no carnaval, pode curtir o carnaval do Cacuia da sacada do primeiro andar, que ele chama de “camarote”. “Não preciso participar do tumulto”, comemora.

Apreciada por quem olha do nível do chão, várias pessoas já se ofereceram para passar o carnaval na sua casa. “Mas aqui só entram os familiares e os amigos mais próximos”, avisa. Para ele, o aspecto positivo é se divertir sem estar no meio da multidão. "É interessante ver a alegria do povo e principalmente a do bloco passando", conta, referindo-se ao bloco Chupa sem Babar.

Fonseca não se incomoda com o barulho do carnaval do Cacuia, que começa às 17:00 e vai até à meia-noite. É por isso que sequer cogita a possibilidade de sair do “camarote” de sua casa no carnaval de 2009. "Não me arrependo. Gosto daqui, e ainda economizo", diz, satisfeito.

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