quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Boemia customizada

Bar em Santa Eugênia é refúgio para os admiradores da boa música
por Daniel Santos

A curiosidade é grande para quem passa na rua Pascoal Palladino, no bairro Santa Eugenia. É inevitável que os olhares sejam atraídos para o Ecleticópolis rock blues bar, que há anos faz da história do lugar. Além de ser um refúgio da boemia, tem um som de alta qualidade.

Com características próprias, o bar conta com uma decoração feita através de centenas de discos de vinis de diversas bandas consagradas do jazz, blues, rock e também da musica soul. A luz néon o diferencia anda mais dos demais estabelecimentos do mesmo segmento.

Inaugurado em 25 de maio de 2001, o bar era um sonho antigo do seu proprietário. Inicialmente chamado de Casa da cerveja, problemas de aluguel e venda do ponto obrigaram o proprietário a mudar de endereço em diversas ocasiões. Prestes a completar oito anos, o Ecleticópolis rock blues bar voltou a funcionar em um dos endereços do passado. "Meu estabelecimento é mais antigo do que o atentado ao edifício das torres gêmeas", afirma o dono Rodolfo Casimiro, 46 anos.
O dono do bar pode abrir mão do endereço, mas é irredutível quando o que está em questão é a decoração, baseada nas capas de disco que Rodolfo consegue circulando por sebos da Baixada e do Rio. Atualmente, há 203 discos espalhadas pelas paredes do bar. Esses discos podem ser ouvidos pelos fregueses, que pagam R$ 1,50 para ouvi-los inteiros. "É mais vantagem do que ouvir no jukebox”, explica o comerciante. “Lá, você paga R$ 2 pra ouvir quatro músicas. Está nos planos de Rodolfo aumentar em 100 LPs o repertório do Ecleticópolis.

Clima do lugar
Embora o nome do bar remeta a uma transigência para com todos os estilos musicais, não há dinheiro que faça o seu dono tocar o funk carioca e o hip-hop, que ele chama de lixo cultural. "Meu foco é ter um público que garanta a subsistência do estabelecimento e que goste do clima do lugar. O importante é trabalhar prazerosamente. Imagina eu trabalhar ouvindo um montão de imundícies cheias de violências e obscenidades, irritando minha cabeça o dia inteiro? Em troca de dinheiro? Isso é piada, cara, comigo não.”

Mais conhecido como Grande, o dono do Ecleticópolis é alvo de muitas gozações dos clientes, que sempre estão pedindo para que toque pagode. “Tem que mudar porra nenhuma”, resmunga ele, que já tem uma resposta na ponta da língua para essas brincadeiras. “Se eu for ao pagode e pedir pra ouvir o som que eu gosto, vão colocar pra mim? Claro que não! Pelo contrário, vão é me meter a porrada.”

Se o cliente faz algum questionamento quanto ao nome, ele diz que o bar é eclético, sim, mas porque lá rolam blues, soul, jazz e rock de qualidade. O próprio rock, embora seja um fã ardoroso deste gênero musical, é recebido com reservas pelo Grande. “Não é qualquer rock que eu boto para tocar aqui”, anuncia com o seu jeito invocado, que procura conter quando está diante de um cliente com gosto musical diferente do dele. Uma pista do tipo de som que rola nas pickups é a banda Pink Floyd, que ele ouve há quase 30 anos.

Os fieis clientes do Ecleticópolis sabem exatamente o que vão encontrar no bar, e adoram. "Vim pra cá por causa do vinil”, conta Alex Vidal, 36 anos. “Aqui é o único lugar que posso escutar um bom rock 'n roll na veia, tomando uma cerveja gelada.” Para Vidal, quem viveu a época do vinil jamais a esquecerá, ainda que hoje em dia o repertório das décadas das guitarras histéricas possa ser resgatado pelos CDs, DVDs e MP3s que ele próprio tem. “Meus vinis são meus vinis, relíquias que ninguém tocam."

Referência
Tem fã veterano que enxerga o point como maior referência do rock na cidade "Curto rock há 20 anos, mas por incrível nunca assisti a um show ao vivo”, conta Jairo Luiz, 37 anos. É no Ecleticópolis que ele pode ficar mais perto das bandas de que gosta. Jairo Luiz faz questão de apresentar o bar aos amigos.

O bar também é o lugar onde a legião de roqueiros da Baixada pode recordar os shows já assistidos. "Já fui a todas as edições do Rock in Rio", lembra o militar José Antônio Cardoso, 47 anos, que curte rock desde os 12 e possui uma coleção de LPs raros de causar inveja nos amigos.

A sofisticação do estilo musical não é a única razão para o bar estar sempre cheio. "Desde a primeira inauguração que eu freqüento”, afirma o músico Diogo Rocha, 25 anos, que não gasta menos de R$ 200 por mês no Ecleticópolis. “Aqui é o meu bar preferido. Aqui tem uma identidade que é o rock, mas eu também gosto do atendimento e da sinuquinha.”

O percussionista Gefferson Carvalho tem dificuldade de se adaptar ao rock pauleira, sempre no último volume. Mas além de recomendá-lo para os amigos, pode ser visto com frequência sentado a uma das mesas. “Já trouxe até uma rapaziada do Méier pra curtir o ambiente”, conta o pagodeiro. Talvez por causa do distintivo, o detetive Jorge Freitas, 32 anos, consegue quebrar a rotina musical do bar. “Com um jeitinho, ele bota um pagode, um MPB e outros gostos pra tocar.”

Como todo lugar de boemia, são inevitáveis os acontecimentos curiosos. Uma dessas histórias engraçadas aconteceu com André Serrano, 22 anos. Ela estava voltando de uma festa já totalmente embriagado, quando resolveu bater o cartão no bar. "Eu deitei em cima da mesa de supino com a caneca da festa e uma garrafa com cerveja na mão, que eu não soltava por nada, por mais apagado que estivesse.” No dia seguinte, o estudante só acreditou no mico que pagou quando viu as fotos e os vídeos feitos pelos outros clientes do Ecleticópolis.

4 comentários:

  1. Ótima matéria! Só faltou o endereço completinho do bar, porque agora fiquei com vontade de conhecê-lo! :D

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  2. Gostei da matéria e o bar parece ser um ambiente ótimo. Só não acho legal, no título e no primeiro parágrafo, rotular estilos musicais em bons ou ruins. Isso varia muito, os gostos são diversos.

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  3. Parabens Dany, linda sua matéria. Adoro sua forma de trabalho e, quando vc quer mesmo, consegue fazer coisas maravilhosas. Essa matéria foi uma das melhores que vc ja fez. Meus sinceros parabens

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  4. Sem contar com os show de Bandas que Tocam lah .

    \,,/ já fui na ecleticopolis e Com certeza lah é o melhor lugar pra beber e curtir um rock n roll :D

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