quarta-feira, 7 de maio de 2008

Vanguarda cultural

Nova Iguaçu é a primeira cidade do Rio de Janeiro a lançar edital para Pontinhos e Fundo Municipal de Cultura.

Por Flávia Ferreira

Fotos: Felipe Rodrigo e Giselly Reis

A platéia que superlotou o teatro do Espaço Cultural Sylvio Monteiro na noite da última segunda-feira aclamou o lançamento do Edital Escola Viva Bairro-Escola e do Fundo Municipal de Cultura Escritor Antônio Fraga. A solenidade reuniu artistas, professores e diversas autoridades governamentais, dentre as quais podem-se destacar o Prefeito Lindberg Farias, a primeira-dama Maria Antônia Goulart, o secretário de Cultura e Turismo Marcus Vinicius Faustini e a representante do Ministério da Cultura, Ana Lúcia Pardo. Os dois editais contemplarão até 140 projetos com mais de R$ 3 milhões. O dinheiro é fruto de uma parceria entre o Ministério da Cultura e a Prefeitura Municipal de Nova Iguaçu.

"É um dia histórico para a cultura de Nova Iguaçu", anunciou um exultante Marcus Vinicius Faustini, na abertura da solenidade. O tom superlativo do secretário tinha uma razão de ser: Nova Iguaçu, além de ser a primeira cidade do Rio de Janeiro a executar o fundo municipal de cultura, terá quase tantos pontos de cultura quanto quase toda a Bahia, estado do Brasil em que esse programa do MINC se encontra num estágio mais avançado. Além do alcance dos dois programas para a vida cultural de Nova Iguaçu, os dois editais inauguram práticas republicanas no financiamento de projetos artísticos na cidade. "Os editais dão transparência aos projetos financiados com o dinheiro público", afirmou o secretário de Cultura e Turismo.

Maria Antônia Goulart, primeira-dama do município e coordenadora do programa Bairro Escola, contou a história dos editais para a platéia. "Eu entrei sem querer em uma reunião com os principais técnicos do Ministério da Cultura", lembrou ela. Nessa reunião, estavam sendo discutidos os pontos de cultura. "Fiquei quietinha no meu canto até ouvir o ministro Gilberto Gil dizer que estava sentindo falta de uma vinculação daquele programa cultural com a educação", narrou. Ela, que estava no fundo do auditório, pediu a palavra e começou a discutir a experiência do Bairro Escola. Como todos sabem, a principal característica do Programa Bairro Escola é a utilização de oficinas culturais no contraturno escolar.

O prefeito Lindberg Farias fez um histórico dos investimentos culturais já feitos na cidade, dentre os quais destacou a chegada do Nós do Morro e a criação das escolas livres de cinema e de música eletrônica. "Estamos na vanguarda das políticas culturais do Brasil", afirmou o prefeito. Com humildade, porém, ele disse que o lançamento dos editais era a oportunidade de que a sua gestão precisava para fazer uma correção de rumo. "Estou convencido da importância do trabalho que vem sendo feito aqui na área cultural", disse o prefeito. "Mas faltava uma maior interação com a classe artística de Nova Iguaçu."

Não é só o governo, porém, que está eufórico com as perspectivas abertas pelos editais. Os representantes dos movimentos sociais da cidade, que foram em peso à solenidade de lançamento dos editais, também se sentiam com a alma lavada. "Esses pontinhos são um ganho extraordinário", disse Luiz Carlos Dummont, o Dudu de Morro Agudo. "Agora poderemos contar com o poder público para as ações culturais que já estavam sendo implantadas na cidade pelos militantes da cultura." Fazendo jus a sua fama de contestador, o grande articulador do Movimento Enraizados fez uma ressalva importante. "Vejo como vitória tudo que está sendo dito hoje. Mas não é hora de descansar."

O agitador cultural Edilson Gomes Maceió, o coordenador executivo do Cisane, também está disposto a arregaçar as mangas para garantir as conquistas anunciadas na noite da última segunda-feira. "A cidade espera o Fundo Municipal e os pontinhos há mais de 30 anos", disse Edilso. "O que acontece hoje é uma conquista do segmento cultural da cidade de Nova Iguaçu." Embora não deixe de reconhecer os méritos do atual gestor da política cultural, Maceió fez questão de frisar que a conquista dos editais se deve mais a um processo do que a pessoas. "Não é só um projeto que mudará a realidade de Nova Iguaçu, mas as ações que serão colocadas nele."

Os movimentos sociais terão 40 dias para se inscrever no Edital Escola Viva, e mais dois para o Fundo Municipal de Cultura. Para obter mais informações sobre os dois editais, entre no site, ou procurar a Sandra Mônica na Secretaria de Cultura e Turismo de Nova Iguaçu. Além disso, caravanas percorrerão os bairros a partir do dia 13 de maio para mobilizar a comunidade e para esclarecer as dúvidas pendentes.

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