segunda-feira, 12 de maio de 2008

Um novo olhar para a violência

Equipe da SEMUVV propõe uma nova forma de enfrentar a violência em Nova Iguaçu.


Por Marcelle da Fonseca Lima
Foto:Marcelle da Fonseca Lima




Nesta quinta-feira, no teatro do Sesc, Luiz Eduardo Soares, secretário da SEMUVV de Nova Iguaçu e autor do livro "Elite da tropa", e Fernando Tomas Acosta, seu secretário adjunto, deram um palestra sobre a origem da violência e sua prevenção com a conversação. Em aproximadamente uma hora , foram discutidos assuntos como violência doméstica e a degradação da moral do jovem. Houve também apresentação do grupo GRAAL (grupos reflexivos para jovens de Nova Iguaçu).

A palestra foi iniciada por Luiz Eduardo Soares, que contou como e por que o jovem acaba se envolvendo com a violência. "Eu posso, por exemplo, focalizar o processo de vitimização. Um jovem que pela sua vida devastada acaba se perdendo na criminalidade como uma forma desesperada de buscar e reafirmar sua identidade, se valorizar. Uma forma muito triste pela qual ele acaba se tornando algoz. Para logo adiante se tornar vítima de novo, nesse processo cíclico", disse o antropólogo.


Outro exemplo dado por ele foi de um jovem que cometeu um assassinato. "As pessoas que o conhecem e viram como ele foi degradado sentiram pena dele", disse o secretário. "Porém, as pessoas que não o conhecem vão sentir pena da vítima, pois se sentem profundamente atingidas." Essas últimas acabam se expressando sua revolta interior reivindincando penas mais duras ou mesmo querendo fazer justiça com as próprias mãos. "Foi isso que aconteceu no caso da menina Isabella."

Ele também ressaltou que não só a violência dolosa é importante. Os crimes domésticos são igualmente traumáticos, ainda que fiquem em segundo plano." Para Luiz Eduardo Soares, o seu trabalho de um ano em Nova Iguaçu tem como objetivo a redução de ambos as formas de crime.

Em seguida, Fernando Acosta falou sobre como prevenir essas formas violências e explicou seu projeto principal, o GRAAL. "Trata-se de um grupo que tenta afastar o jovem da violência através da discussão." Para Acosta, o grupo GRAAL é um porto seguro para os jovens. Eles expõem suas opiniões e dúvidas sobre assuntos do cotidiano em debates entre si e especialistas convidados para dar palestras para o grupo. Segundo o secretário adjunto da SEMUVV, os jovens não costumam debater os assuntos tratados nos grupos reflexivos do GRAAL com pessoas da sua faixa etária. "Além de jovens de 13 a 29 anos, trabalhamos com os educadores e com os pais deles", disse.



Saí da palestra com uma nova visão da violência e principalmente das formas de preveni-la. Sei agora que a violência não e só o ato de agredir. O descaso também pode contribuir para a formação de um cidadão violento.

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