quinta-feira, 2 de abril de 2009

A praça é nossa

Jovens comemoram aniversário em praças públicas
por Letícia da Rocha

As praças sempre foram vistas como simples locais de encontros entre amigos, áreas de lazer ou mesmo de pegação. Os jovens, que estão sempre à procura de uma nova função para as coisas, descobriram que elas podem ser ótimos salões para festas surpresas. A idéia surgiu há cerca de dois anos.

O improviso foi motivado pela dureza que caracteriza os jovens da periferia. “Partimos para um lugar público porque não tínhamos dinheiro para alugar um salão e muito menos um clube”, lembra a professora desempregada Ruth Santana, de 18 anos. A praça Santos Dumont tornou-se um consenso quando a turma descobriu que se tratava de um lugar acessível a todo o grupo. “Queríamos também um ponto de encontro onde todos pudessem ir, até porque alguns trabalhavam.”

O problema inicial era desfazer o estigma de um local como a Praça Santos Dumont, outrora marcado por assaltos, prostituição e tráfico de drogas. Mas os jovens não tiveram dificuldade para se tornar o “centro das atenções”, como lembra a estudante Grazielle Bittencourt, de 18 anos. “As pessoas riam da nossa cara”, conta a estudante. “Deviam pensar que somos malucos, mas adoraram a nossa performance.”

Surpresa
Uma das características dessas festas é que na maioria das vezes são feitas de surpresa para um amigo bem próximo. “Na primeira, reunimos cerca de 15 amigos, dentre eles a aniversariante”, conta a mesma Grazielle. A aniversariante chegou lá achando que estava indo para um encontro sem compromisso, apenas para matar o tempo. “Foi hilário porque ela não desconfiou de nada até ver o bolo.” Surpresa, a homenageada deu pulos de alegria, sem saber se ria ou se chorava.

Talvez por estarem longe dos pais, os jovens ficam totalmente descontraídos nas festas nas praças. As professoras Karen Fabiane Oliveira, de 18 anos, e Ruth Ramos Santana, de 18 anos, chegaram a levar um grupo de rapazes que acabara de conhecer para garantir o quorum de uma das festas de que participaram. A estudante Jéssica Gomes, de 18 anos, lembra de uma festa em que todas as meninas foram colocadas de cabeça para baixo, sem se importar que estavam vestidas com o uniforme de normalista. “É sempre bom porque fazer isso, além de divertido, é um dos poucos momentos em que todos se encontram em clima de total harmonia”, conta Jéssica Gomes.

Essas festas, além de surpresas, costumam ser rápidas. “Para não perder os compromissos, a gente faz as festas conforme a folga dos que trabalham e o intervalo do pessoal que está na escola”, conta Karen Fabiane Oliveira. As festas podem ser curtas, mas são divertidas. E para aproveitá-las melhor, os jovens passaram a procurar praças mais próximas do homenageado “Um dia desses fizemos uma na praça em frente ao Colégio Mestre Hiram, que, por ser perto da Via Light, é um lugar ideal para festejar”, conta Jéssica.

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