quinta-feira, 16 de abril de 2009

Reconstituição do bairro


por Daniel Santos

O estudante de história José Augusto Perez, 39 anos, atua em vários projetos do governo atual, dentre eles o pré-vestibular comunitário Educa-Vida (CPV) e o ProJovem. Está no Bairro-Escola desde 2006. Sua porta de entrada para o programa foi o projeto “Nova Iguaçu Cidadania e História”, que se caracteriza basicamente em contar as memórias da cidade de forma interativa.
Ele descobriu a ambição do projeto depois de participar de uma oficina na escola Barão de Tinguá, no bairro homônimo. Duas coisas na metodologia lhe chamaram atenção desde o primeiro momento: a possibilidade do improviso e o aprendizado sem pressões. “Resolvi participar na hora.”

Com o tempo, o estudante de história percebeu que o Bairro-Escola é voltado para a realidade de Nova Iguaçu. “ Ele não vê a criança como um artista, mas procura colocar algo para pensar, mostrando o mundo lúdico onde vivem.” Um bom exemplo disso é a oficina do brasão, que, no seu entender motivará as crianças a criarem a sua própria Nova Iguaçu.

“Na tarefa da desconstrução de um símbolo oficial, eles perceberam as necessidades do bairro e reconstituíram a bandeira com símbolos de saúde e segurança. A cana-de-açúcar e a laranja deram espaço para o colégio e a carroça.”

José Augusto atualmente trabalha como oficineiro no bairro José Ribeiro, na escola de mesmo nome, onde encontrou uma realidade bem diferente daquele que vive no bairro Alvarez. “A maior necessidade deles é carinho. A violência doméstica é a grande vilã das crianças. Cheguei até a presenciar uma criança que levou um tapa na cara, dado pela própria mãe. Repetiu o gesto na sala de aula com um amigo, imitando o exemplo de casa.”

Interatividade
Qual é a principal carência das crianças no seu bairro?

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